segunda-feira, 20 de outubro de 2008

ême

Às vezes é engraçado ficar pensando em toda a vida que tu deixa de viver. Há tanta coisa para ser aproveitada, são tantos dias simplesmente disperdiçados por bobeira. E esse fim de semana até foi bom pra pensar nisso. Não tenho certeza de onde ficam todos aqueles momentos perdidos, ou mesmo aqueles delirantes. E aqueles que você simplesmente descarta.
Não é questão de tédio, é ócio mesmo. Quando a ausência de algo útil está presente, já era. Tua cabeça começa a viajar, e toda essa perdição e delírio sai do teu controle.
Eu quero ter toda aquela liberdade, eu quero fazer da minha vida um filme. Eu quero me jogar em cada momento, sem pensar em conseqüências, eu sei, não é assim, mas quem nunca sonhou naquela vida perfeita, em que você curte loucamente cada desejo?
Eu não quero atirar meus desejos à sarjeta, ou apenas deixar com que a vida encarregue-se de todos eles, ou que tente me guiar. Meu livro não está escrito como eu quero, não há como negar.
Eu quero a solidão, eu escolho esta. Loucamente me sinto livre e insana, e é assim que eu quero pra mim.

Ócio

Tá, eu não postei e acho que nem vou postar o fim daquela história ali. Tanto faz. Pelo menos me rendeu uma boa nota em português. E pra mim isso é o que importa, no momento, entanto.
Então, sei lá, tá tudo meio abandonado, não só aqui, mas como na minha vida também, é o que parece pelo menos.
A coisa que eu mais tenho procurado ultimamente é a mim mesma. Mas é tão difícil encontrar-se. Mais difícil do que passar dias procurando algo que você precisa muito, e não sabe mais onde procurar. Parece uma procura que nunca terá fim. É uma procura muito mais demorada, em que sua única esperança é que no fim das contas tu te encontre.
É complicado.
Então, ultimamente tenho pensado muito no que eu ando fazendo, e o pior é que eu não tenho a mínima idéia. Meus pensamentos andam muito desordenados, já não consigo mais pensar em uma coisa só. A propósito, esse post nem era pra ser sobre isso, mas os pensamentos jogam-se um por cima do outro, e vira uma confusão. Já nem durmo direito. E agora, nesse horário de verão, as horas simplesmente parecem querer escapar entre os dedos feito areia.
Sim, a carência de fotos decentes nem precisa de comentários. Na verdade essa fui eu que tirei mesmo. Deve ter uns dois anos. E dá pra dizer que foi uma noite muito boa. Tipo cartão postal da cidade, e essa vista, é totalmente memorável em mim pra sempre.
Na verdade nem sei se eu tenho muita coisa a dizer.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Why so serious?


Sim, Joker me inspira.
A partir de hoje, vou ir postando uma história, cada dia um capítulo.
Nada que seja grande coisa, mas que dá pra passar o tempo.

Por que tão sério?
Capítulo I

Acho que a vida nunca foi fácil para mim. Acabei sendo o filho mais velho, ou seja, ao menos, na minha família, o filho que mais tinha de ceder qualquer coisa aos irmãos, sem nunca ganhar nada em troca, apenas ilusões de que um dia eu viria a crescer, deixando para trás meus quatro irmãos, trabalhar dignamente, ser alguém na vida, constituindo família.
Sempre que eu me frustrava, por conta de minha família, eu me afundava em tantas lástimas, no canto da parede do quarto, sentado na cama com os joelhos encostados ao peito. Ficava ali, talvez imaginando como seria meu futuro, talvez imaginando a vida em outros planetas, não recordo direito. Sei de uma época, em que eu deixei o canto de lado, pois tive de entender que teria de deixar para meus irmãos este também. Afinal, já nem havia mais sossego por lá. Comecei a me contentar apenas deixando-me deitar sobre o chão do pátio lá de casa, enquanto sempre a primeira lágrima corria do meu olho direito, sentindo-a na bochecha, e após caindo ao chão. E mal sabia eu, que ali estava prestes eu, a fazer meu futuro.
Caía a noite, vinha a lua, mas lembro dela mesmo, não de quando estava branca, mas daquela lua laranja, aquela lua nova perfeita, que pairava sob o céu enquanto escurecia. Depois, vinham as estrelas, umas brilhantes, outras nem tanto. Tantas constelações. Imaginava quantas delas poderiam ser planetas, quantas delas existiam. E quando pensava nos outros planetas, imaginava a vida fora da terra, com aqueles alienígenas e extraterrestres que a televisão nos fazia imaginar e criar dentro de nossas mentes.
O tempo foi passando, e conforme ia crescendo, eu comecei a escrever, cada dia escrevia mais, cada dia, uma experiência que imaginava ter com extraterrestres. Eram meus diários mais secretos, e depois de uns três anos, quando dezessete tinha eu, eu já tinha porções de cadernos inteiros, com tais imaginações escritas. Não sei se alguém já soubera deles, mas de uma coisa eu tinha certeza, nunca ninguém os tocou. Sentia-me bem, sabendo que ninguém jamais leria meus mais profundos pensamentos, minha imaginação mais liberada. Ficavam guardados em um caixote de madeira, sob minha cama.
Certo dia, estava esperando meu irmão caçula sair da aula. Esperava em frente à escola. Enquanto aguardava, aproveitava o tempo para ficar junto da menina de quem estava paquerando (afinal, as coisas não eram tão fáceis como hoje em dia, em que se “chega chegando” e beijo é dado em liquidações em praças públicas). Não estávamos sequer próximos, mas os olhares cruzados, as bochechas coradas, o coração a mil. Bom, aí meu irmãozinho chegou. Apesar do seu pequeno tamanho e idade, pode apostar que ele era um ser muito bem dotado de inteligência. Não preciso nem citar o fato de que tive que implorar para papai e mamãe não saberem. As coisas não eram fáceis assim pra mim, já que eu era o cara estranho da família, sempre no “mundo da lua”, pensando no futuro, ou mesmo, escrevendo por horas. Por um lado, mamãe e papai nunca souberam do episódio, mas hoje, lá no fundo do meu ser, eu desejo profundamente, com cada célula do meu ser, que o pequeno garoto tivesse falado.

Efe cinco

Bem, devo admitir que minha cabeça tava tão cheia de coisas até anteontem à noite, que dariam pelo menos uns três bons [cahãm] posts. Mas não estava em condições de fato sanas para isso, então, deixa pra lá.
Então, a professora pediu um texto de ficção pra amanhã. Pra ajudar um pouco, ficção é minha classe literária preferida [aham] e minha mente anda de tal forma, que pensar tá fácil, mas escrever tá complicado. Sei lá o que tá rolando.
Incapacidade [in]sana.
Enfim, pra variar, hoje não escrevi nada ainda, e é provável que também não escreva nada que preste, mas só pra dar uma atualizada né. Enfim.
E sim, tou sem imagens decentes/legais, daí restou esses esquis aí.
Bom, vou ler e pensar algumas coisas para o texto fictício. Não é muito fácil pra quem tem como paixão, a realidade.
Ah, em relação ao garoto virgem e seu site, acho que dispensa qualquer comentários. Não, não vou colocar o link aqui. Se quiser, joga no google/orkut. Ou, espera domingo que provavelmente ele aparecerá no fantástico, com as suas fantásticas matérias, cheias de conteúdos exclusivos.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Tão tal


Ando rabiscando
Através de linhas
Talvez procurando
Alguma perfeita sintonia

Sem rumo ou objetivo
Não esforça não agrada
Sei também não cativo
À procura de abrigo numa nova caçada

Ah se a volta não fosse tal
Seria a minha escolha
Mundo afora sem pensar em mal
Plastificada bolha

Dizem
Que o pior cego é o que não quer ver
Fazem
Tudo se torna elementar tal qual como ser

Aliv[ie]

Carregue recarregue
Mais um dia vivo
Mais um dia não vivido
Apenas rugas na face

O sofrimento
Culminante em cada célula
A resistência em cada artéria
Culpe culpe

Rabisco

Quero
Endereçar
escrever colar selar postar
Não

Não
Mera carta
Certos rabiscos
Em folha

Endereçar
Escrever colar selar postar-ME
Meu ser vida capacidade
Desligar voar desconectar interromper parar perder-me

Espaço não permite limitações
Boa viagem perdição
Endereçamento incorreto
Desfrute

Perda permita-se
Ilimite capacite-se
Induza o coma
Desligue

Enfim


EU ETIQUETA

Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que estar na moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comprazo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Resumia uma estética.
Hoje, sou costurado,
Sou tecido,
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.

Carlos Drumond de Andrade

Todo bimestre tem esse texto em alguma matéria da minha apostila. E, já que insiste tanto né. E, sinceramente, talvez o melhor texto já posto lá. Enfim.