
Sim, Joker me inspira.
A partir de hoje, vou ir postando uma história, cada dia um capítulo.
Nada que seja grande coisa, mas que dá pra passar o tempo.
Por que tão sério?
Capítulo I
Acho que a vida nunca foi fácil para mim. Acabei sendo o filho mais velho, ou seja, ao menos, na minha família, o filho que mais tinha de ceder qualquer coisa aos irmãos, sem nunca ganhar nada em troca, apenas ilusões de que um dia eu viria a crescer, deixando para trás meus quatro irmãos, trabalhar dignamente, ser alguém na vida, constituindo família.
Sempre que eu me frustrava, por conta de minha família, eu me afundava em tantas lástimas, no canto da parede do quarto, sentado na cama com os joelhos encostados ao peito. Ficava ali, talvez imaginando como seria meu futuro, talvez imaginando a vida em outros planetas, não recordo direito. Sei de uma época, em que eu deixei o canto de lado, pois tive de entender que teria de deixar para meus irmãos este também. Afinal, já nem havia mais sossego por lá. Comecei a me contentar apenas deixando-me deitar sobre o chão do pátio lá de casa, enquanto sempre a primeira lágrima corria do meu olho direito, sentindo-a na bochecha, e após caindo ao chão. E mal sabia eu, que ali estava prestes eu, a fazer meu futuro.
Caía a noite, vinha a lua, mas lembro dela mesmo, não de quando estava branca, mas daquela lua laranja, aquela lua nova perfeita, que pairava sob o céu enquanto escurecia. Depois, vinham as estrelas, umas brilhantes, outras nem tanto. Tantas constelações. Imaginava quantas delas poderiam ser planetas, quantas delas existiam. E quando pensava nos outros planetas, imaginava a vida fora da terra, com aqueles alienígenas e extraterrestres que a televisão nos fazia imaginar e criar dentro de nossas mentes.
O tempo foi passando, e conforme ia crescendo, eu comecei a escrever, cada dia escrevia mais, cada dia, uma experiência que imaginava ter com extraterrestres. Eram meus diários mais secretos, e depois de uns três anos, quando dezessete tinha eu, eu já tinha porções de cadernos inteiros, com tais imaginações escritas. Não sei se alguém já soubera deles, mas de uma coisa eu tinha certeza, nunca ninguém os tocou. Sentia-me bem, sabendo que ninguém jamais leria meus mais profundos pensamentos, minha imaginação mais liberada. Ficavam guardados em um caixote de madeira, sob minha cama.
Certo dia, estava esperando meu irmão caçula sair da aula. Esperava em frente à escola. Enquanto aguardava, aproveitava o tempo para ficar junto da menina de quem estava paquerando (afinal, as coisas não eram tão fáceis como hoje em dia, em que se “chega chegando” e beijo é dado em liquidações em praças públicas). Não estávamos sequer próximos, mas os olhares cruzados, as bochechas coradas, o coração a mil. Bom, aí meu irmãozinho chegou. Apesar do seu pequeno tamanho e idade, pode apostar que ele era um ser muito bem dotado de inteligência. Não preciso nem citar o fato de que tive que implorar para papai e mamãe não saberem. As coisas não eram fáceis assim pra mim, já que eu era o cara estranho da família, sempre no “mundo da lua”, pensando no futuro, ou mesmo, escrevendo por horas. Por um lado, mamãe e papai nunca souberam do episódio, mas hoje, lá no fundo do meu ser, eu desejo profundamente, com cada célula do meu ser, que o pequeno garoto tivesse falado.
A partir de hoje, vou ir postando uma história, cada dia um capítulo.
Nada que seja grande coisa, mas que dá pra passar o tempo.
Por que tão sério?
Capítulo I
Acho que a vida nunca foi fácil para mim. Acabei sendo o filho mais velho, ou seja, ao menos, na minha família, o filho que mais tinha de ceder qualquer coisa aos irmãos, sem nunca ganhar nada em troca, apenas ilusões de que um dia eu viria a crescer, deixando para trás meus quatro irmãos, trabalhar dignamente, ser alguém na vida, constituindo família.
Sempre que eu me frustrava, por conta de minha família, eu me afundava em tantas lástimas, no canto da parede do quarto, sentado na cama com os joelhos encostados ao peito. Ficava ali, talvez imaginando como seria meu futuro, talvez imaginando a vida em outros planetas, não recordo direito. Sei de uma época, em que eu deixei o canto de lado, pois tive de entender que teria de deixar para meus irmãos este também. Afinal, já nem havia mais sossego por lá. Comecei a me contentar apenas deixando-me deitar sobre o chão do pátio lá de casa, enquanto sempre a primeira lágrima corria do meu olho direito, sentindo-a na bochecha, e após caindo ao chão. E mal sabia eu, que ali estava prestes eu, a fazer meu futuro.
Caía a noite, vinha a lua, mas lembro dela mesmo, não de quando estava branca, mas daquela lua laranja, aquela lua nova perfeita, que pairava sob o céu enquanto escurecia. Depois, vinham as estrelas, umas brilhantes, outras nem tanto. Tantas constelações. Imaginava quantas delas poderiam ser planetas, quantas delas existiam. E quando pensava nos outros planetas, imaginava a vida fora da terra, com aqueles alienígenas e extraterrestres que a televisão nos fazia imaginar e criar dentro de nossas mentes.
O tempo foi passando, e conforme ia crescendo, eu comecei a escrever, cada dia escrevia mais, cada dia, uma experiência que imaginava ter com extraterrestres. Eram meus diários mais secretos, e depois de uns três anos, quando dezessete tinha eu, eu já tinha porções de cadernos inteiros, com tais imaginações escritas. Não sei se alguém já soubera deles, mas de uma coisa eu tinha certeza, nunca ninguém os tocou. Sentia-me bem, sabendo que ninguém jamais leria meus mais profundos pensamentos, minha imaginação mais liberada. Ficavam guardados em um caixote de madeira, sob minha cama.
Certo dia, estava esperando meu irmão caçula sair da aula. Esperava em frente à escola. Enquanto aguardava, aproveitava o tempo para ficar junto da menina de quem estava paquerando (afinal, as coisas não eram tão fáceis como hoje em dia, em que se “chega chegando” e beijo é dado em liquidações em praças públicas). Não estávamos sequer próximos, mas os olhares cruzados, as bochechas coradas, o coração a mil. Bom, aí meu irmãozinho chegou. Apesar do seu pequeno tamanho e idade, pode apostar que ele era um ser muito bem dotado de inteligência. Não preciso nem citar o fato de que tive que implorar para papai e mamãe não saberem. As coisas não eram fáceis assim pra mim, já que eu era o cara estranho da família, sempre no “mundo da lua”, pensando no futuro, ou mesmo, escrevendo por horas. Por um lado, mamãe e papai nunca souberam do episódio, mas hoje, lá no fundo do meu ser, eu desejo profundamente, com cada célula do meu ser, que o pequeno garoto tivesse falado.

0 comentários:
Postar um comentário