quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Manual

Haha, até parece. Como usar, posologia, contra-indicações. Não, não é. Mas, devido aos questionamentos que tenho recebido, acho que devo falar.
Grande parte das histórias aqui contidas, são sim reais, obviamente, representadas em outros papeis, ou por outro ponto de vista.
Outras, apenas ócio do cérebro em funcionamento.
Deixo a critério de quem lê.
"[OFF]": então, quando [OFF] aparece, é quando não tenho nada melhor a escrever, a pensar, e a fazer, e resolvo fazer deste blog, um diário.
Afinal, não sou apenas mais um(a) personagem de alguma história.

http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=mp&uid=15948760800570035407

Revi-vendo. [Parte I]

Hoje resolvi tomar ar fresco no jardim. mas como não tenho jardim, contentei-me com um cantinho na parede da sacada. Sentei lá, avistando um crepúsculo de infinita beleza, e, apesar deste, apenas sentia falta da vista do outro apartamento em que morava. Era menos, mais baixo, com um monte de casas à frente, mas mesmo assim era muito aconchegante. A sacada era semelhante à uma caixinha de fósforos, mas ainda tenho na memória os pores-do-sol, que enxergava-se um pouco mais adiante da rua onde situava0me. Um pouco, apenas um pouco. O sol partia nos fios dos postes de luz da rua, seus raios dividiam-se, batendo no rosto. Após isso, ele ia deixando seu posto, escondendo-se atrás de casas e casas. Para quem sabe apreciar, uma cena espetacular. Lembro-me também das noites em quantias em que deitava-me no chão da sacada, em noites quentes ou pavorosamente (para quem não gosta, eu considero-me uma excessão) frias. Deitava-me lá, e curtia a vista que me era privilegiada. Não era uma vista esplendorosa, não quero iludir. Não dava para ver o céu em seu integral, mas volto a dizer, era muito aconchegante. Me acolheu muitas e muitas noites, amanheceres e entardeceres. Em dias frios, daqueles que embaçam os vidros, e fazem o queixo tremer, meu passatempo noturno era a solidão, entorpecida com cafeína.
Preparava o café, na temperatura e sabor adequados ao meu paladar, pegava meu velho cobertor de lã - que devo o ter desde muito criança, assim como minha mãe e minha avó -, que nunca me deixou na mão e sentava-me encostado na parede. Até hoje, não sei o que no céu faz-me sentir tão bem, tão nostálgico. Simplesmente, observar cada estrela, ou mesmo o movimento da lua, atrai-me tanto quanto pólos norte e sul, tratados fisicamente.
Me prendia lá não somente a noite inteira, mas perseguia as estrelas e a lua até o dia clarear, e todo aquele belo espetáculo esmaecer à uma coloração roxa-azulada de um novo dia. Enchia a chaleira com água e a colocava aquecer novamente. Enquanto esta aquecia a água, eu passava uma água na xícara do café e a deixava sobre o escorredor de água; pegava a cuia, a erva - tão verde quando uma grama bem cuidada - e o vira-mate, preparava o chimarrão e voltava para a sacada, com tempo para ver o sol nascer.
Dormir era o que menos me importava. Havia ainda as noites em que eu incluia o cigarro na minha "programação". Posso dizer que tornavam-se noites ardorosas e intensas. A quantidade de café que eu consumia dobrava, e a viagem em pensamentos era mais longa, rápida e intensa também. Não tenho dependência no cigarro, como uns dizem, é para "diversão". Esse tipo de intensidade sempre me atraiu.
Dentre muitas coisas que raramente costumo pensar, raramente mesmo, destaca-se relacionamentos, no que hoje pensei. Pensei por que dentro das memórias de uma sacada passada, há muito mais além de madrugadas fumadas e cafeínadas. Há lembranças também do que é feito, lembranças do que nunca ainda fora feito. E fora lembranças, há ainda pensamentos. Pensamentos de primeira, ou mesmo de quinta. Tolos ou bizarros, inteligentes ou mesmo inúteis. E quando eu falo relacionamentos, não generalizo isto como sexo, ou apenas relacionamentos amorosos, nem por pessoas que eu fico, ou seja lá o que for. Eu generalizo relacionamento como todos que fazem parte de alguma forma de um convívio comigo.
No que se refere a sentimentalismo, nesses últimos dois anos eu fui capaz de aprender o que significa, fazer bom uso, e descartar. Não sou mais capaz de ser muito sensato. Pelo fim do ano passado, pude passar por uma das experiências que mais me amadureceu nesses últimos anos.
[...]

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Imitation of Life [Final]

...Voltei à última fila à direita e sentei. Sentei sobre seu colo. Tomei um pouco da Coca-Cola e ofereci a ele, que tomou um pouco também e a jogou na poltrona do lado. Na tela do cinema tiros e negociações financeiras. No meu pescoço, lábios, língua e dentes. Novamente, na tela do cinema, mais tiros. Em mim, aquele arrepio gostoso. Viro-me de costas para aquela enorme tela e desconto esse arrepio.
Mesmo em seu colo, novamente o silêncio. Nós dois imóveis. Procuro suas mãos e seguro-as. Coisas agora, são sussurradas no meu ouvido, e obviamente, correspondidas ao seu ouvido. Mais alguns minutos de silêncio, e suas mãos que seguram as minhas, saem de minhas pernas, encostando na minha barriga, e subindo aos seios. Depois, de volta às pernas, e por entre elas. E assim, consecutivamente, com toques e carícias, prosseguia. Adicionando chupões, adicionando mordidas.
Percebo que próximo à nós, algumas senhoras de meia idade nos observam, com desaprovação, mas solto minhas mãos das dele, deixando-as sozinhas vagarem por mim. Por entre minhas pernas é possível tocar suas pernas, e por minhas costas é possível ir mais a fundo. Estávamos ali, no cantinho mais isolado do cinema, podíamos fazer o que quiséssemos. Podíamos também usar os banheiros. Tava muito fácil. Mas escolhemos uma coisa. Escolhemos apenas nos provocarmos, nos excitarmos. Mãos vão, mãos vêm, mordidas aqui, chupões ali. Libido prendida, desejo em gemidos. Tensidade e tesão.
O filme terminou e estávamos ali. Eu em seu colo, suas mãos sob as minhas, entre afagos, mordidas e beijos. Não era nada discreto, não era formal. Era selvagem. As luzes foram acesas. Levantamos e esperamos as garotas lá fora, em uma mesa na praça de alimentação. Estávamos ouvindo qualquer coisa em alguma estação de rádio, no mp4. As gurias lá chegaram. Apenas uma delas estava ficando com um garoto. Os outros já foram para a fila de um fast-food. Esta, que por sua vez, brincava de negar um beijo, enquanto o garoto torcia os olhos.
Demos tchau para as garotas e ele caminhou comigo até aqui em casa. Subimos, tomamos um café.
As garotas não atendi mais. Como já mencionbei, nada mais tenho feito. Nada ruim aconteceu. Apenas é assim a minha vida. Ajo de acordo as minhas vontades, a cada instante.
A rotina continuou após o cinema. Continuei a deparar-me com aquele homem pelas ruas, quase diariamente. Já nos olhávamos de maneira diferente. Quando nos avistávamos, baixávamos a cabeça, quando nos aproximávamos, mordíamos o lábio inferior, puxando um sorrisinho, e então, finalmente, nos olhávamos.
Duas semanas depois do episódio ocorrido, em um desses encontros casuais, um papel entre seus dedos, que estendem-se a mim, é me entregue. Uma folha de caderno, arrancada, com os picotes não retirados. Uma folha escrita.
E, este homem, este homem que...
Bem, dele não sei o nome.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Desabafo terceirizado.

Eu queria que tu pudesse sentir suas palavras em mim. Suas mordazes humilhações. Ainda acredito que de alguma forma elas possam doer em você, embora a certeza seja rasa demais perante a profundidade de algo tão ruim que sua presença me causa. Odeio tudo o que tu faz-me sentir, e também cada coisa que tu me falas. Odeio cada lágrima derramada, cada noite não dormida. Cada tanto de amor que eu sinto por você. Eu odeio te odiar tanto. Tanto como amo e odeio te amar tanto também. Odeio cada humilhação, cada desgosto que tu me causa. E também, cada comprimido que consumo a cada noite antes de dormir. Aqui do alto, a última coisa que eu queria ver era essa caixinha, tarjada com uma faixa escura, tão como seus olhos, e como você deve ser por dentro. Se não isso, ao menos tão obscura tal como você se sente, trata as pessoas e faz as sentirem de tal forma também.
Eu esperaria aqui, para sempre, um sorriso, um carinho eterno. Mas não posso esperar para receber coisas momentâneas, não estou aqui para receber estas coisas. Sendo que é somente isto que tu queres oferecer. Por teimosia e controle. Por obsessão e insanidade.
Não quero mais discutir essa noite, mesmo que da boca para fora, nada tenho dito. Apenas ouvidos adentro escutado. Se opiniões não te interessam, e em tua concepção não posso tê-las, se delas tu não precisa e não queres ouvir-me, não precisa. Afinal, qualquer vontade de falar a ti já é muito breve mesmo.
Então meu bem. Pessoas não mudam, e tu me esclarece com firmeza isso a cada dia. Perco as esperanças em qualquer pessoa, mas tenho a minha vida para viver. Se apenas vendo que minha liberdade, esta, tu não levou, alguma abóbora pode ajeitar-se em minha carroça, assim haverá de ser.
Vá, então. Junte seus meros objetos espalhados pela casa, seu velho jeans do armário, e, a propósito, limpe a gaveta que te pertencia. Cada palavra e sentimentos infames, a nada nos levarão, mais uma vez.
Porém dessa, não sei se o outro lado da cama, e a melhor parte de mim te esperarão outra vez. Mas com certeza, tudo isso não mais sofrerão, e você à sua maneira não receberão.
Ao sair, feche a porta, deixe as chaves em cima do balcão. Tranque o portão. Cuide-se na estrada. E saiba que eu te amo.
Mas não volte. Apenas não volte, não ligue, não procure-me. Talvez o tempo mostrará o que é preciso, e o que é capaz de mudar e acontecer. Ou mesmo de deixar tudo da forma como está hoje. Não faça nada, até cuidar de ti mesmo primeiro.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Imitation of Life [Parte II]

...De tanto que as garotas provocavam, os caras vieram até nós. Todos tinham um charme, e pareciam muito cultos. E ao mesmo tempo, despojados. Pobres garotas. Debocharam desses homens. Sim, pobres garotas. Garotas.
Depois, óbvio, foram ridicularizadas por eles, finitamente mais espertos que elas. Enquanto isso, apenas assistia, assistia à cena, ali, sentada, encostada no tronco da árvore.
Ao que senti uma mão tocar a minha, algo mexer-se ao meu lado. Confesso que por vez, tomei um bom susto, embora tenha conseguido não demonstrar. Sinto um perfume que já reconheço, e quando viro minha cabeça para ao lado, já posso ver aquele cachecol xadrez que adoro ver; cabelos pretos bagunçados, e um ser meio despojado e ao mesmo tempo muito jeitoso ao meu lado. Com seus olhos castanhos, os costumeiros castanhos que por vezes conseguem encontrar-me, meio à uma rotina costumeira, milhares de pessoas e uma cidade enorme. E, acima de tudo, que me força a olhá-lhos, olhá-los com firmeza, despindo-me total e completamente a partir destes olhos.
Então, nada precisou ser dito, nada precisou ser esclarecido. Eu sabia que estava ali, com quem queria, em uma cena casual. Eu não precisava. Mas eu queria. Então, apenas agarro-me àquelas mãos que por via tocaram-me, e mais uma vez, sou capaz de me despir naqueles olhos. E só. Apenas fico despida diante deles, olhando fixamente. Não é preciso tirar a roupa para despir-se com aqueles olhos. Eles fazem por si mesmos. Então, seus lábios, frios pela temperatura ambiente, tocam-se ao meu rosto. Mas enquanto seus lábios podem ser tão frios, o delírio tá presente nos olhos, e no suor em sua testa. Sentado sobre as próprias pernas, beija meu rosto, enquanto, com trêmulas mãos, as coloca entre meus cabelos, acariciando-os, mas seus dedões permanecem em minha testa, quase nas sobrancelhas, enquanto seus olhos aparentam estar apreciando um belo pôr-do-sol, mas fixados e mim. Agarro-me à sua barriga, e um abraço trêmulo acalentou parte do desejo. Depois do abraço, suas mãos voltam à minha cabeça, e seu beijo vem à minha boca.
Quando olhamos ao redor de nós, apenas as minhas amigas, perplexas com a cena. Com caras como se estivessem falando: “Ei garota, qual é o seu problema? Se liga, ele não é dos nossos, não é um gurizinho”. Enquanto seus amigos, de longe, apenas olhavam, enquanto conversavam, com naturalidade, passando o chimarrão.
Agi como se tudo estivesse realmente normal, afinal, para mim estava. Eu estava bem, e na real, com alguém que eu queria. E ali, não existia nada estranho, nada anormal ou mesmo diferente. Não, eu não levo um cara com mais ou menos o dobro da minha idade como se fosse um gurizinho. Apenas pra mim, o normal é esse. O que eu sinto não é pra alguém da minha idade, o desejo não é pra gente da minha idade. O entendimento disso, também não, a menos que tu realmente compreendas.
E foi um beijo. Por parte, apenas um beijo a mais. à nossa frente, minhas amigas, olhando a cena. Inusitadas, é claro. Afinal, eu era uma das suas, beijando alguém que não fazia parte dos populares dos terceirões, ou mesmo daqueles que estavam começando a curtir seus 18 anos com adrenalina, e merda na cabeça, enquanto esforça-se para tirar carteira de motorista, dirigindo o carro do pai. Não, era um sujeito totalmente fora desse padrão tão besta. Era um ser normal, um ser comum, fora de qualquer padrão. Dentro da minha atração.
Diante daquelas carinhas de tacho na minha frente, apenas agimos como se nada houvesse ocorrido. Uma das garotas olhou a hora, dizendo: "Gente, tem sessão de tal filme agora, quem topa ir pro shopping?". Sem exitações, todo mundo concordou. Levantamo-nos do chão, passei a mão sobre minhas calças, garantindo-me que nenhuma folha ou grama ficaria sobre ela, e sugeri a ele para que fizesse o mesm, já que em sua bunda havia ficado algumas folhas secas.
Pegamos um ônibus para irmos até o shopping, cortando a cidade sentido leste-oeste. Comigo, sentou aquele, que com seus olhos, continuava encarando-me, da mesma maneira como de costume, em vagos e breves encontros entre uma rua ou outra. Mais a nossa frente, as garotas, em um bolinho, pra variar um pouco, fofocando. Liguei meu mp4 e continuei a ouvir o velho Bowie. Num movimento rápido, ele pega um dos fones, e conversamos sobre a vida dele (Bowie). Apenas isso, até o filme começar.
Na verdade ainda não consegui entender a razão de eu ter ido para o cinema, com as garotas, ver um filme que até hoje não sei qual foi, e, ainda mais, por que estava ali do meu lado aquele cara. Mas parei de pensar. Não gosto de entender a razão de algumas coisas.
Como fui a primeira a entrar na sala, por estar na frente das gurias, pom pouca vontade de andar muito e também pouco interesse em estar ali, fiquei logo na última fila à direita. Minhas amigas desceram mais, em direção aonde viam-se vultos de jovens garotos, quase na primeira fila.
Passamos um tempo sem sequer uma palavra. Apenas nos olhávamos. Nos olhávamos de diferente maneiras. Com mistérios, friezas, fraquezas, desejo, delírio... ou, apenas olhávamos, sem nada a dizer, não querendo dizer nada. Eu estava cansada, e não deixando parte da minha chinelagem de lado, estiquei minhas pernas sobre as suas. O que fez com que me envolvesse em seus braços, num abraço. Meio esquisito.
Impulsividade. Única palavra que define isto. Levantei-me da poltrona onde estava sentada, peguei o dinheiro no bolso da minha calça e comprei uma Coca-Cola. Voltei à última fila à direita e sentei.

(...)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Imitation of Life [Parte I]


E mais uma vez, cá estou. Sentindo aquele velho prazer em sentir-me só. Tem feito muito calor. E eu? Nada tenho feito. Nada além de passar cada dia na cama. Rolando do lado de lá, para o lado de cá, a cada ponto em que a cama esfria de um lado. O ar condicionado tá ligado há uns quatro dias direto. Sinto que emagreci, sendo que nesses quatro dias não comi nada além de uma maçã por dia, e me sustento àqueles sucos em pó, de pacotinhos, que são mais gostosos não diluídos na água. Mas, pelo calor, obrigo-me a diluí-los.

Hoje o dia está mais ameno, e quanto mais fico nessa cama, mais sinto que é aqui que quero ficar pro resto da vida, pela quantidade de sono que eu tenho. Doença? Talvez, mas se for pra morrer de sono, tô tranqüila.

As persianas estão com algumas frestas abertas, assim provoca-me mais sono. Na minha última cochilada, sonhei que estava indo no cinema com alguns amigos. Quando o filme estava começando, acordei. E quando acordei, lembrei-me da última vez que fui ao cinema.

Fazem mais ou menos uns dois meses. Eu e algumas outras gurias passamos a tarde no parque, tomando um bom chimarrão e jogando conversa fora. Ainda era frio, como de costume no inverno aqui do sul. Mas apesar do frio, e da geada na grama bem verdinha, e o relento ainda nas réstias folhas das árvores, nós íamos para lá assim mesmo.

Apesar do frio, o sol às vezes é intenso, e no inverno não dá para bobear. Na sombra de uma árvore próxima à nossa, havia alguns caras. Todos com pelo menos uns dez anos a mais que nós. Fixaram-nos os olhos desde que lá chegamos. Minhas amigas, com muita maturidade dentro de corpinhos bonitos, começaram a provocar e zoar aqueles caras, afinal, não queriam nada mesmo.

Recostei-me no tronco da árvore, abraçando os joelhos com os braços, ouvindo aquele bom e velho folk blues no mp4. Fiquei na minha, afinal, caras mais velhos me interessam muito.

Fingi não estar nem aí, afinal, sei que não posso confidenciar isso às gurias com quem ando. Não são tão ingênuas assim, não, mas são imaturas. Enfim. Havia lá, na rodinha daqueles caras, um que me interessou muito. Encontro-me com ele algumas vezes pela cidade, e garanto, seu olhar é fulminante.

Eu apenas balançava a cabeça de acordo com a música, e fazia os movimentos vocais com a boca, olhando atentamente tudo o que acontecia ao meu redor, e ao mesmo tempo, eu era capaz de nem estar ali, pra variar um pouco. Pelo menos não com os pensamentos.

De tanto que as garotas provocavam, os caras vieram até nós.


(...)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Not alone. (and could die)

Mais um dia chega ao fim. Não sei se de fato pra mim também. Enfim. A vida é gozada. Uma hora você tem tudo, e dali a dois minutos tudo pode chegar ao fim. Simples como a areia nas mãos de uma criança, ou mesmo uma bala em um vidro.
Mas pra mim resta só o desapego e o desapontamento. E não é somente pelo fato de tudo poder acabar em um segundo. É pelo fato de que eu sei que eu não vivo de acordo com o que eu quero. O que me assusta é a vida não vivida. A falta de vida que eu tenho. Cada segundo que passa, e que não me satisfaz.
Me encontro em um momento raro. O momento do abalo, o abalo que trás o sentimento. Não gosto de muito sentimentalismo, tal como o sensasionalismo, mas não suporto parar e analisar minha própria vida, e ver que nada está de acordo. Não sou também de despertar o amor, mas eu enxergo que cada parte do que disto eu chamo, está longe. E não sabe-se se haverá tempo para alcançá-lo. Seria mais fácil simplesmente decidir e pronto. Escolher e poder.
Nesse momento, um calor infernal, tudo o que eu desejaria, era frio, aquele frio que só quem é do sul sabe do que eu falo - daqueles que racha o couro do gaudério, vaporiza a cada expirada que tu dá -, uma xícara de café preto, fervendo, e por um instante, só um instante na minha vida, eu não desejo estar só. Só por este instante eu queria ter a companhia. E mais nada. Não precisa de cenário.
Depois disso, eu trocaria qualquer outro proveito, qualquer eternidade, ou mesmo, qualquer oportunidade de saber o quão real o momento foi, eu poderia morrer. E só, por essa noite. Eu não tenho mais nenhum desejo.
Posts melhores virão, quando o emocional for destruído. Enquanto isso, tenham uma boa semana. Sem mais, por agora.
A propósito, me desculpem que eu nem tenho comentado nos blogs de vocês. Mal tenho postado aqui, mas prometo que voltarei a ativa. Agirei como gente.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Post manipulado. (?)

[Off] Então, tanto tempo. Tanto tempo sem postar, tanto tempo livre. Tanto tempo e nada pra fazer. Enfim. Não é pra isso que quero usar esse blog.
E além de tanto tempo, tanta coisa. Tanta coisa na cabeça. Tanta coisa pra colocar em papéis, ou mesmo por aqui. Tanta coisa pra desentulhar da gaveta, enfim.
Tem muita coisa também sobre o que falar, mas agora quero começar por uma das que mais me indignam: a manipulação.
Esses dias estava girando os canais na televisão, quando uma vinheta da MTV me chamou a atenção. Não me recordo direito com detalhes dela, afinal fazem alguns dias que não ligo a tv. Mas quem tem ligado a televisão nesses últimos dias provavelmente vai saber de qual estou falando. Mostra diretamente a manipulação que a emissora (tá, na verdade não quero generalizar, com palavra como emissora, afinal, não é mesmo pra manipular que a televisão está aí? Mas uso emissora, pois foi na mesma que vi a vinheta) quer causar, com todo impacto. É aquela vinheta em que uma velhinha e um velhinho estão sentados numa mesa, cada um de um lado, e vem uma coisa branca e tipo engole a cabeça do velhinho, e vai influenciando ele a dançar no ritmo e tal, e leva ele pra um lugar onde todos tão dançando também. Procurei no YouTube, mas não achei. Postaria um vídeo com a mesma. No final, mostra o logo da MTV, com vários desses "tentáculos", em vários lugares da cidade e tal.
Tudo bem, quer influenciar. Mas já acho o extremo querer mostrar um lado "cool" para isso. Já não basta toda a influência que exerce sobre nós?
Não tou criticando a MTV, apenas usando-a como um exemplo para o que eu quero dizer. Então, por favor, quem é ligado em MTV não venha me encher de lixo.
(Lixo tá ficando esse post, beleza.)
Esses dias parei também para ver um pedaço do MTV na rua, ao que o assunto era o sucesso que e-books pretendem fazer. Então, quem tá no computador, é porque provavelmente não está afim de pegar um bom livro e ler. Na minha opinião, livro, livro mesmo é aquele feito de papel, capa dura ou mole, folhas brancas ou amarelas, grande ou pequeno, tanto faz. Mas é aquele objeto pessoal íntimo, que você pode pegar, pode senti-lo sempre que quiser. Mas, pra não fugir do assunto, no que a Penélope perguntava quem lê, quem leu algum livro nos últimos tempos, poucos se manifestavam, ou mesmo alguém que gostava de ler. Três ou quatro gatos pingados. Então, eu me pergunto. Que tipo de geração seremos? Que valores passaremos adiante? Ou mesmo, o que é a cabeça dessas pessoas? (Sim, dessas, refiro-me assim, porque cultuo livros.) Que tipo de jovens há hoje em dia nesse país? Enfim, dá pra tirar conclusões pela respostas dos mesmos: "A única coisa que eu leio é Scrapbook no Orkut."
Perguntaria-lhes que tipo de gente é essa que participa com prazer desses programas, ou que passa o dia inteiro ligado nesse tipo de canais, ou mesmo, ligado na televisão. Mas acho que eu iria muito a fundo, e já começaria críticas às emissoras. E como não é esse meu pretexto... fica aqui, somente a minha indignação...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Out.

Então, fiquei um tempo sem postar, sim. Parece que minha cabeça anda muito vazia, apesar de tanta coisa ocorrendo, sei lá.
Bom, mas eu percebi que quando as coisas mudam, o jogo vira, e isso te afeta, muda teus conceitos. E o que não parecia bom antes, agora torna-se o que tu quer. Principalmente quando tu enxerga uma vida se esvairando à tua frente.
Correr atrás, tentar. Talvez não seja tarde ainda.
Não, não vou começar a postar sobre minha vida aqui. Tou indo atrás de alguma coisa pra falar e desentubir a cabeça um pouco.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Fim de semana

eu posto alguma coisa. Sem condições por enquanto. Muito trabalho e pouca merecida gandaia. Enquanto isso, boa semana pra vocês.
Posts antigos são ótimos no quesito nostalgia, vale à pena.