domingo, 6 de junho de 2010

Sobre amor e libélulas

Um dia desses estava escorado na janela de um hotel qualquer quando uma libélula pousou a poucos centímetros do meu braço. Na hora, eu não sabia ao certo se aquilo era uma libélula, ou uma cigarra, ou um inseto gigante qualquer. Nunca soube, e os poucos segundos que perdi tentando classificar o bicho foram suficientes para que ele sumisse. Bateu asas e escafedeu-se entre as árvores.
Eu tenho uma ligação especial com libélulas. Foi correndo atrás de uma que eu me estabaquei no chão, fraturando uma costela, perfurando o baço e sofrendo uma hemorragia interna que por pouco não me matou. Tinha cinco anos e, desde então, convivo com uma cicatriz que me atravessa o abdome, lado a lado. Tudo que eu queria era vê-la de perto, justamente para me certificar se o bicho em questão era cigarra, libélula ou “seja-lá-o-que-fosse”.
Se a necessidade de classificar uma libélula me rendeu duas semanas de internação, imagino o que me aconteceria se eu ficasse tentando classificar meus sentimentos. Inclusive, me cansa ver por todo lado gente tentando diferenciar um sentimento do outro. Se é amor, amizade, namoro, rolo, beijo, ficada, passatempo… Não tenho a mínima idéia, e nem quero ter! São inúmeras as espécies de relacionamento e a tentativa de classificar a todo minuto algo que, ás vezes, é simplesmente inclassificável pode resultar em muito mais do que um baço perfurado.
Ás vezes, perdemos a noção de que cada minuto da nossa vida pode ser o derradeiro, de que cada ligação telefônica pode ser a última, bem como aquela pessoa, de quem você ainda não sabe se gosta, pode ser o seu último romance.

[Lucas Silveira]

boa noite

e eu sabia que naquele momento eu estava sendo cruel. eu estava sendo alguém tão cruel tanto - ou talvez até pior - quando aquela que estava em sua cama. eu sabia que estava despertando outra vez os desejos de quem eu não deveria; de alguém que naquele momento eu desejava. era tudo tão provocante. o sexo estava no ar. estampado em sua face como a tatuagem recém feita. ardente, avermelhada e sudorípara de emoção. tudo o que eu não planejava, era estar ali, nas escadas, em seu colo. enquanto sua parceira daquela noite banhava-se em seu apartamento. porém, não era o fato de ela estar lá que incomodava-me. era o fato disto ser tão não planejado. o que apenas tratava-se de despertar um desejo tão provocante e raivoso, agora era questão até que balançava o coração. meu pulso branquelo tinha as marcas de suas mãos que antes haviam me segurado. e agora, estava ali, abrigada em seu colo, protegendo-me do frio das escadas encimentadas ao mesmo tempo em que beijava e mordiscava seu pescoço. ele recusava-se a voltar ao seu apartamento. e para mim estava confortável ali. fisicamente.
-por que me queres agora?
-porque tu não me quer agora.
essas palavras não saiam da minha cabeça. e isso tornava tudo tão desconcertante e desconfortável. eu sabia que ele teria de subir e eu teria de descer. ele estava excitado e ela ainda estaria lá. isso me desconcertava. em seu ombro, meus olhos enchiam-se de lágrimas. ele me queria, ele me desejava. mas aquela noite ele não me teria. mas ele a teve. e ele a teria o quanto fosse preciso. eu o desejava ardente e intensamente. eu desejava sua força, eu desejava seu carinho e brutalidade; eu desejava sua boca, língua, dentes; eu desejava suas mãos apertando-me contra seu corpo e suas pernas enroscando-se nas minhas. foi a noite em que mais o desejei, a noite em que mais o tive. a noite que mais o neguei.
-não encoste em mim. - eu disse. e assim o fez. seus lábios permaneceram a distância de mim, enquanto eu os desejava tanto. mas eu não cederia aquela noite. não cederia para ele. não cederia para mim.
e minhas razões eram misturadas. prazer, orgulho, sentimento, razão, ódio, nojo, valorização, vontade, desejo, tentação, perigo, proibido, tesão, libido, excitação, tristeza, desapontamento, sadomasoquismo, masoquismo puro.
saí de seu colo e tive outra vez a frieza da escadaria. que contrariava qualquer outra coisa ali presente. nossos corpos, a tensão. era fogo puro. como se eu tivesse atirado um toco de cigarro em uma casa de madeira. nós éramos o fogo penetrando aquela madeira toda. estávamos lado a lado. talvez uma metáfora de como as coisas de fato deveriam ser. apenas lado a lado e nada mais. mãos inquietas por entre os joelhos. olhos que revezavam-se entre fitar-se uns aos outros e os próprios pés. mas o tempo não pára. para ninguém.
-tu precisa ir.
-é... preciso.
-olha pra mim.
deslizo meus lábios sobre os dele, subindo ao encontro da testa. inevitavelmente pela vontade descontrolada. e então, sim... o beijo na testa. claro que, isto significaria respeito, em condições normais... mas o que há entre nós?...
-boa noite.
-boa noite.
ele subiu, eu desci. sentei no sofá, agarrei-me a uma almofada e fiquei olhando para fora através da sacada, cuidando para vê-lo saindo com ela, levando-a para casa. o que eu esperava anciosamente que acontecesse.
"cheguei. eu gosto de ti e estou te desejando."
"te gosto, mas não esta noite."
ele sabe exatamente que só deixo ambiguidade no ar quando ela é verdadeiramente necessária. como era naquele momento. eu não o gostava naquele momento. pois ele me gostava. eu o desejava, mas o negava. pois ele fazia o contrário. e eu já havia falado sobre "te gosto" para ele. ele sabe que é diferente de "eu gosto de ti". coloquei o celular no silencioso e adormeci.

terça-feira, 11 de maio de 2010

por amizade.

nós, pessoas, somos de fato, realmente muito engraçadas. temos pessoas em nossas vidas, que andam ao nosso lado (ou não), mas, inevitavelmente, fazem parte da nossa vida, nós querendo ou não. mas dessa vez, falarei dos amigos.
em geral, é muito normal criarmos grandes espectativas em relação às pessoas. sempre esperamos o melhor dos outros. é normal. é instinto. assim como esperamos ser melhores sempre, consequentemente, é o mesmo que esperamos do próximo. porém, ninguém se dá cem por cento. quanto mais querer exigir cem por cento do outro. cadê nossa noção, oras?!... e então, é difícil reconhecer que amigos são os que nos enfrentam e brigam com nós, para querer nos mostrar a verdade. mas ora essa. por que temos tanta dificuldade em enxergar isto? é difícil, mas nos cegamos de certa forma que vendamo-nos com orgulho, e falamos coisas sem noção. como aquela velha frase em discussões: "pra ver quem são nossos amigos!". quem nunca disse isto que atire a primeira pedra. mas já digo. que coisa mais ridícula! já reparou como isto não faz sentido algum? você perdeu o chão pois decepcionou-se com alguém por quem tem tanta consideração. mas por acaso parou pra pensar realmente em quem são os amigos? se você se decepcionou com a pessoa, é porque há sim consideração. é porque sim, você é amigo dessa pessoa. 
amigo não é só quem te faz feliz. o amigo vai te fazer infeliz também. vai te encher o saco com os problemas dele, vai encher o saco para saber dos seus. o amigo vai te fazer chorar de emoção com palavras bonitas. e vai fazer com que corram lágrimas amargas, profundas de seu coração, por ter sido sincero e ter dito tudo o que tu esperava não ouvir. o amigo vai te levar nas melhores festas da sua vida, vai te fazer gargalhar até a barriga doer, vai te fazer companhia nas aulas e em tardes vazias. mas também vai te deixar só quando for preciso, vai te repreender por algo que saiu do consenso, vai te xingar por uma atitude. o amigo vai estar lá para te abraçar sorrindo quando você obteve sua conquista. e também vai te esperar com uma cara desolada e braços abertos quando você tiver triste. vai chorar contigo e ajudar a secar suas lágrimas quando você não enxergar mais a tal da luz no fim do túnel. ele vai fazer qualquer coisa para arrancar-lhe um sorriso quando estiver chorando. vai ser sincero. vai tentar soltar uma piada, vai fazer uma palhaçada. o amigo de verdade, já arriscou sua própria pele para te tirar daquela enrascada que você entrou por alguma besteira. esse cara sim, é seu amigo. ele te enfrentou, ele arriscou a amizade para que vocês mantessem um consenso. e aí, na hora da raiva, o quanta besteira que pode magoar profundamente é dita?... "nessa hora a gente vê quem são os amigos!"?! reflita.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

a verdade,

é que eu sou louca por você.

segui em frente depois de algum tempo. segui em frente, pois apesar de tudo, era necessário. encontrei forças no amor que tu teve por mim. e minha gratidão por isto não tem preço que pague. fazem meses. eu sei o número exato de meses. e depois desse tempo todo, cá estou. eles passaram. elas passaram. eu passei. cá estou. cá estou, novamente contigo em mim. como pude me enganar dessa forma? como pude pensar que... é possível deixar assim, o amor da sua vida para trás? besteira. uma grande besteira. agora sei que, não importa se tu está aqui comigo ou não. se ainda lembra de mim, ou o que sentes (ou deixas de sentir). eu não me importo! a única coisa que me basta, é te amar. talvez tu saiba, talvez não. mas, oras! que mediocredade estou falando? te chamo de amor da minha vida e não importo-me em te ter aqui? poisé. eu te amo com tal intensidade que, talvez meu sofrimento por te amar e não te ter aqui, todas as impossibilidades dificuldades... faz com que eu não me importe. minha certeza agora é que o tempo... o tempo não faz esquecer, o tempo não deixa as coisas para trás! então para que relutar por algo que eu gosto? talvez teu amor seja meu ponto de sustentação, minha inspiração, minhas melhores lembranças. o amor em que mais me doei. em que esgotei tudo que havia em mim. o amor do qual não arrependo-me de nada. óbvio que desejo-te. desejo-te a todo momento. a cada instante. mas apenas te amar me faz feliz. 
eu sabia que o inverno chegaria e isto aconteceria. eu sabia que eu não estava brincando quando eu falava que te amava e que era para sempre. agora pago o preço pelas minhas palavras. o inverno está aqui. o cheiro do inverno me invade a cada manhã. assim como você. porém que se precede em sonhos. porém você não está aqui. as nossas músicas estão aqui. fazendo-me lembrar-nos e nos sentir. arrepiando cada célula do meu corpo, que grita por ti, por teu amor.
não espero que tu leia isto. não espero que tu me ame novamente. não espero nada de ti (mas que mentira depravada, oras!). mas espero o tempo que for preciso para que as coisas possam acontecer (por que estou envolvendo o tempo aqui? deixa comigo). passe o tempo que passar, a única certeza que tenho é que te amarei. te amarei com cada célula minha, como sempre. há coisas que não mudam. esta é uma delas. e pode escrever: ainda seremos nós dois outra vez.
PS: eu te amo.

domingo, 2 de maio de 2010

your girl

agora diga-me: quem você ve quando olha para ela? é a pessoa que ela realmente é, ou é apenas uma tentativa de refletir e espelhar-me nela?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

estranhos.

somos em torno de sete bilhões, espalhados por este mundão, que por vezes parece tão pequeno. juro que posso metaforizá-lo a um ovo. relativamente, todo mundo se conhece. na verdade não sei se é complexo de cidade pequena, mas tenho reparado que não é só por aqui que isto acontece. é em todo lugar, em todos os cantos. então, faço desta metáfora uma teoria. mas de qualquer forma, não é disto que quero falar.
quero falar sobre os estranhos a que somos destinados todos os dias. acredito muito em destino. não devemos passar tudo que passamos e tudo mais, sem algum objetivo. acho que tudo o que acontece tem razão, está acontecendo por alguma coisa que já passou, para ser usado futuramente para alguma coisa. é sempre assim. coisas são assim, atos são assim. pessoas são assim.
reparo muito em cada rosto que passa por mim todas as manhãs a caminho da escola. essas pessoas me interessam. são desconhecidos. mas sei quando alguma delas falta ali pela calçada. são estranhos, que ao mesmo tempo não são tão estranhos. mas estranhos é uma palavra tão bonita de ser usada. são estranhos que conhecem suas faces de quem acordou de bom humor, ou não; sabem quando você está com muito sono, ou saiu de casa às pressas; sabem também quando você não aparece ali; sabem para onde vai e tem uma noção de onde vem. são pessoas que possivelmente estarão ali em caso de algum acidente. são pessoas que podem ser no mínimo interessantes.
digo isto porque já interessei-me com vigor à um estranho destes. levou em média um ano para de fato conhecê-lo. um dia assisti a closer, e então foi possível ver o que estava acontecendo. quando nos conhecemos, de fato ele era muito interessante. o final desta história não preciso contar, não é?!
depois de closer, não vejo mais pessoas comuns ao meu redor. faço-as personagens. talvez estas sejam as tais expectativas que nunca devemos criar sobre as pessoas. mas não consigo evitar. - não é difícil saber que vivo em um mundo paralelo. pode ser coisa de autista ou psicopata. mas eu sou assim. sonhadora ao extremo. e sim, sei o limite entre sonho e realidade. embora o limite dos meus sonhos talvez eu nunca aprenda. por falta de vontade mesmo. ô preguicinha de deixar os sonhos para trás. pra quê? -.
e entre esses sete bilhões de pessoas, entre sete bilhões de olhares e sorrisos, como é possível parar em um olhar, um sorriso, e simplesmente dizer: "é ele (a)!"? apenas sei que para mim isto é tão inevitável quanto respirar. é involuntário, é o tempo todo. é aquele amor platônico e besta. por um estranho. por alguém que simplesmente passou por você. que lhe voltou o olhar, ou dirigiu um sorriso a alguém. e então você começa a fantasiar aqueles olhos nos seus. aqueles olhos olhando para sua boca e te desejando; aquele sorriso abrindo-se por uma razão que você causou. e é apenas um estranho. que sequer é capaz de imaginar o que você está pensando. sendo que o mesmo vale para você. inusitado é se pegar pensando: "será que ele(a) lembra de mim?". desta forma, cada esquina é um novo desafio, são novas vidas, oportunidades e amores. quem se apaixona a primeira vista, nunca deixa de olhar. e trai a cada olhar.
e então você pensa: "como será o nome desse estranho?", "o que mais ele faz da vida?", "o que costuma fazer nos fins de semana?", "como é a vida dele?". e então você cria a vida desse estranho dentro de si.
esse estranho pode morar no fim da rua, na quadra de cima ou de baixo. pode morar no andar de cima ou do outro lado do corredor. pode estudar na sala ao lado ou fazer noturno. esse estranho pode frequentar o elevador do seu prédio ou do seu trabalho. pode trabalhar no outro setor, ou ser cliente do seu colega. estranhos estão por todas as partes. é inevitável possuí-los. talvez tu sejas o estranho de alguém.
"eu sou seu estranho. arrisque." (closer)

terça-feira, 27 de abril de 2010

lindo pretérito.

aqui da frente, vejo o passado correndo atrás de mim, querendo puxar o meu pé. ele vem de várias direções. atravessei uma ponte sobre esse rio. a queimei. atrás, não, eu não posso voltar. apenas olho você, passado, ali, do outro lado deste alto penhasco onde há o rio. sei e posso voar, mas apenas em frente. não há ponte para que você chegue até mim. talvez possa haver outras rotas. não sei qual delas você pode tomar, e se chegará até mim. apenas sei que o que passou, do outro lado ficou. se é para voltar, é para trilhar somente com este lado. a partir do nada. porém, não insisto em procurar rotas para você. tu é que tens que me mostrar o que queres, se queres.
o que aconteceu do lado de lá, está em mim. como tantas coisas em caixinhas de lembranças. assim como de fato há. guardei com carinho. joguei fora o ressentimento e libertei o perdão. não importa como as coisas aconteceram. não importa o que aconteceu. culpa de quem? ninguém tem culpa. não há arrependimentos. não por mim. posso olhar para trás e apenas sorrir. porém, está ali, intacto. o que pode vir daqui para frente... pode ser tanto, pode ser pouco. pode ser nada. sem expectativas. esperarei para ver se corro ou apenas continuo andando em ritmo normal.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

c


eu fiz escolhas, eu achei uma oportunidade de ser feliz. o fato de eu saber que vocês eram contra, não significa que eu estava contra vocês, ou que os deixaria de lado e iria contra vocês para ser feliz. de fato, se precisasse eu iria. mas em momento algum isso foi preciso. eu nunca  os abdiquei em favor da minha própria felicidade. apenas fiz minha escolha e segui com ela. eu sei que isso influenciou muito em sobre o que vocês pensam sobre mim e todos os outros conceitos. claro, concordo plenamente no quanto eu mudei depois disso. mas a "culpa" não é somente de uma pessoa. a culpa é minha que quis mudar. busquei essa mudança em tantas outras pessoas. e apesar disso, eu sempre soube as coisas que aconteciam e ainda acontecem aí. talvez seja uma das coisas mais difíceis que há para enfrentar. e vocês bem sabem que a minha vida também não é doce assim. e o quão amarga ela já foi. eu tenho certeza que vocês sabem. afinal, segredos entre nós de fato não existem, né? pra quê esconder? manter aparências apenas piora as coisas. as transparece de modo que aí sim deveriam ter vergonha disto. e é justamente por isso. por ter passado e ainda passar por parte do que vocês passam... é que eu gostaria que vocês contassem comigo. eu tou aqui. de fato. de verdade. eu estou aqui. longe ou perto, tanto faz nessas horas. como se quem tivesse perto pudesse fazer alguma coisa. não, não pode não. eu sei que não pode. eu jamais negaria ajuda a vocês, ou deixaria de estar junto. eu nunca deixei, vocês é que deixaram. talvez vocês sintam falta. talvez não. já nem sei. afinal, que vida corrida, não? sobra tempo pra pensar nas pessoas que um dia amou e fizeram parte da sua vida? ou que ainda fazem e sempre farão. ao menos em sangue e lembranças não? é uma bagagem, a gente carrega junto onde quer que vá. e eu gostaria de contar com vocês também. eu gostaria de deixar as coisas a como uns dois ou três anos atrás. estavam bem, não estavam? minha essência não mudou. tenho certeza que a de vocês também. porque essência é uma coisa que a gente é incapaz de mudar. eu tenho tanta saudade de quando a gente ficava conversando até alguém dormir, dos filmes que a gente assistia, um pouco de carta que a gente jogava, das voltas que a gente dava. não tem explicação é de tudo. porque com vocês sempre foi mais especial. e foram justamente vocês que deram o fora. e que fique claro, que nunca troquei vocês, que nunca deixei vocês de lado. minha escolha era minha escolha. e eu só tinha essa escolha graças a vocês. porque vocês confiaram em mim, porque eu confiei em vocês. porque vocês foram meus amigos. e eu não queria desapontar vocês. eu juro. imagino que isso deve ter acontecido. mas não era minha intenção. há coisas nas quais a gente não manda. eu tive oportunidade de resistir, tive. mas eu queria ficar. se eu não tivesse tido essa escolha, eu jamais teria voado tão alto, eu jamais teria me arriscado como nunca. jamais teria feito coisas das quais eu precisava fazer. ir tão alto, tão longe... e cair sendo arrastada no asfalto. não me arrependo disso. tive que aprender a fazer as feridas fecharem-se. e o quanto eu cresci, não dá para dizer, não dá para medir. todo esse tempo foi o tempo em que eu dei tudo de mim a todos. e nossa, cada coisa que eu dei não tem medida. eu não voltaria atrás para tê-los de volta, não mesmo. mas agora eu estou disposta a lutar por vocês devolta. eu os amo incondicionalmente. isso não mudou. eu pensei em vocês todos os dias. eu pensei sim. porque era ligado, sabe. e eu não vou desistir agora. não vou deixá-los ficar longe de mim. eu os quero. eu os amo e não vou deixá-los ir. se quiserem fugir disso, é bom estarem preparados. mais que eu para trazê-los de volta. todos a postos?

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Wanna

e então agora eu penso no que eu sinto por ti. talvez seja algo relacionado a nada, sabe. ou talvez esse nada seja o que eu desejo sentir por ti. você me deu um pouco de atenção, e o que aconteceu? eu simplesmente parei na sua, me apaixonei. achei que de repente, poderia ser um pouco feliz tendo alguém assim, como você ao meu lado. não sei daonde eu tirei a ideia de sermos parecidos. alou, filha, ele é talvez o seu oposto, isso sim. mentira, uma coisa vocês têm em comum, e sabem exatamente o que é. mas fora isso, o que sobra? sobra toda essa solidão que você deixa em mim. sobram todas as palavras que eu espero que tu me diga, e que acaba por ser apenas um vácuo em mim. e quando eu tomo a decisão de seguir em frente sem você, tu dá um jeito de não deixar isso acontecer, mesmo nem sabendo da minha decisão. e então, eu ajoelho-me devolta aos seus pés. enquanto tu te vira e vai embora. ah, esse seu joguinho barato comigo. eu já não quero mais te ver, ou mesmo cair no teu abraço. eu já não te quero mais. e vou acreditar que isto é verdade. uma hora há de ser, então que seja agora. todos estes sonhos e ilusões estão fazendo-me cair diariamente. são tropeços e caídas. minhas mãos e joelhos estão ralados. e as pernas fraquejando. porque você nunca está ali para me segurar. não posso mais cair por você, e nem imaginar caindo em você. seus braços esqueceram de mim, e perderam-se em outras carnes. outra vez, acabo amando sozinha. e outra vez, pergunto-me: por que diabos isto sempre acontece mas nunca anestesia? cadê os anticorpos nessa hora, para reconhecer que isto já aconteceu e impedir que isto me ataque novamente? já troquei as perguntas. pois pedir o por quê que você não está aqui para amparar minha queda, já não é a resposta que preciso.
com amor um nada tão profundo,
tamy.

quarta-feira, 31 de março de 2010

olá,

olá olhos angelicais de pura malícia. não vou perguntar-lhe como estás hoje. pelo simples fato de que sei que ao meu lado estás bem. com meu abraço, faço-te cápsula. e assim, nada abala-te. nada te derruba, ou mesmo toca em ti. a não ser meus braços a fazer-te meu por estes instantes. pois então, o que nos importa apenas, é ficarmos bem. nada mais nos é preciso. nosso abraço quente, conforto e confiança. naufragamos em diferentes lugares deste gigante oceano. e nos encontramos atirados na areia. ah, o desamor. e quando tu, olhar para o lado e enxergar em mim todas aquelas coisas que te digo, ficará mais fácil compreender-me. agora sinto-me tão vulnerável quanto um soldado em campo de batalha. atirei-me na guerra. posso ser descoberta, mas hei de ser habilidosa. te levo comigo. vem no meu cometa. cometa, sim. é, cometa. pois cometa é desbravante, raro e único. cometa é ambiguidade. por cometer viveremos.

domingo, 28 de março de 2010

pra mim.

o mundo dá tantas voltas que de repente quando você resolve parar, estonteia-se ao perceber a velocidade com que ele gira. são coisas que vão, são coisas que vem. como mágica tanta coisa muda, o que parecia que não ia sair dali, você já não acha mais, e adquire tantas coisas novas. mas dentre tantas indas, vindas, chegadas, partidas, aquisições e perdas, há apenas uma coisa que nunca me deixa: a minha solidão. esta sim, não há um só dia que não esteja presente. no meio de tanta gente, entre tantas companhias, ela está aqui, dentro de mim. ela está ali, pois sabe que eu preciso dela. e quando então enfim termino outra vez sozinha, esta não foge. continua ali, abraça-me e me conforta da maneira como nenhuma outra pessoa que esteve perto de mim foi capaz. a minha Solidão é a única com quem eu posso contar. não é como as pessoas que "estão" ao meu redor. estão entre aspas, pois, adianta estar não estando de coração? adianta estar, e não dar valor? adianta estar e não confiar ou mesmo oferecer confiança? adianta estar e não se importar? ou mesmo... adianta estar e não sentir falta? talvez isto seja o que mais machuca. a indiferença. o tempo passa, os anos corre, e por mais que eu mude e dê o melhor de mim, as pessoas não mudam. simplesmente estaguinam enquanto eu vou para frente. eu quero que elas venham comigo... mas cadê? eu tenho dado o melhor de mim em todas as partes da minha vida. quando eu digo em todas, é todas mesmo. eu tenho sido uma pessoa melhor, e eu realmente, tenho dado tudo de mim. mas dessa vez não é questão de insuficiência. talvez esteja sobrando para os outros. mas para mim ainda não. o verdadeiro problema é que o meu melhor fica ali, atirado ao mundo. ninguém sequer esforça-se para levantar as pálpebras e querer enxergar alguma coisa que venha de mim. então o mundo continua girando, e eu e o meu melhor estamos aí, no meio. apenas ali. ninguém nos enxerga, e também parecem não sentir falta. do meu melhor e de mim. então, eu volto ao meu egocentrismo, ao meu egoísmo, à minha solidão. minha, minha, só minha. essas coisas são extremamente minhas. eu sou extremamente minha, e volto a não me dividir com ninguém. eu não me divido mais com amigos, eu não me divido mais com ninguém. se é que eu ainda tenha amigos, né. eu não vou dar, nem emprestar mais, sequer um pedacinho de mim. vocês não merecem. vocês não dão valor para mim. se pelo menos enxergassem-me! se pelo menos vissem: ah, olha ela aí. ou então: é, ela faz falta; ai que vontade de conversar com ela, como queria ter ela aqui. mas alguém pensa nisso, ou se pensa me diz? não! então como é que eu fico? eu não existo pra ninguém! tenho sorte de me amar demais e saber que eu existo pra mim. então agora, tudo em mim é só meu. meu amor é só meu, minhas palavras são só pra mim. tudo o que eu fizer, não farei mais por ninguém. no meu mundo só existe eu. só eu posso me amar, só eu posso me odiar. e eu só tenho eu para amar, odiar, rir, conversar, sentir falta, abraçar. eu posso ser só minha, e eu não preciso me dividir com ninguém. assim como ninguém se divide comigo. nem um pedacinho. mas não é porque vocês são egoístas. discordo disso. mas claro, essa garota... quem é mesmo? por isso eu digo, não desisto porque quero. mas eu não aguento mais sofrer nos olhos cegos de vocês. e com meus punhos transbordando de egoísmo, agora eu fico só comigo e ninguém mais. não precisam fazer esforço para lembrarem de mim, para pensarem se lembram de algum momento bom comigo, ou se querem passar um dia comigo, ou uma madrugada. não percam tempo tentando se lembrar qual foi a última vez que falaram comigo, daonde eu sou, como eu estava me sentindo naquele dia, ou tentando insignificantemente e sem sucesso, sentir uma pontinha de saudade de mim. se tudo isso não fez diferença até agora, por que começar quando eu desisto? foi tão fácil deixar-me cair no esquecimento, deixar-me de lado. então, tipo... deixa pra lá sabe? eu sinto falta de todas essas coisas, mas não quero que nada mude porque eu as falei. agora eu sou somente eu, somente de mim para mim.
afinal, "perder, sumir, desaparecer, morrer... uma hora, tudo pareceu a mesma coisa." [willian magaieski] e pra mim, essa hora é agora.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

então eu não teria que me sentir sozinha

faltam palavras para expressar o quanto eu gostaria que você estivesse aqui, do meu lado, agora. nem um minuto a mais. eu quero você aqui, agora. eu preciso de ti. tanto que tu não imagina. além do fato de que você não está aqui, há tanta coisa desmoronando lá fora. e desmoronando ao meu redor. não, eu não quero compartilhar essas coisas contigo, tu não as merece. quero apenas estar contigo e esquecer que existe qualquer outra coisa. esquecer do mundo, esquecer da vida. esquecer todas as outras pessoas. quero teu abraço fofo, quero teu corpo quente, tua boca suave. eu preciso de você.
apenas... fique bem. e tente perceber o quanto cada coisa que eu escrevo encaixa-se contigo. e mais, com nós. tentarei ficar bem. não estou sem ti. tu está dentro de mim. está na minha memória, no meu coração. porém queria eu estar no teu abraço. e tudo acabaria bem. mas não é hora de dizer que te amo. ainda.


eu estou caindo toda sobre mim
tentando ser alguém
eu gostaria que você estivesse lá e me levasse em casa
então eu não teria que me sentir sozinha
eu estou caindo toda sobre mim
morrendo para ser alguém
eu gostaria que você estivesse lá e me levasse em casa
eu não quero lutar contra o mundo sozinha
[the pretty reckless - heart]

ps: post feito aqui porque não vou aguentar até as 3h para postar no fotolog.