somos em torno de sete bilhões, espalhados por este mundão, que por vezes parece tão pequeno. juro que posso metaforizá-lo a um ovo. relativamente, todo mundo se conhece. na verdade não sei se é complexo de cidade pequena, mas tenho reparado que não é só por aqui que isto acontece. é em todo lugar, em todos os cantos. então, faço desta metáfora uma teoria. mas de qualquer forma, não é disto que quero falar.
quero falar sobre os estranhos a que somos destinados todos os dias. acredito muito em destino. não devemos passar tudo que passamos e tudo mais, sem algum objetivo. acho que tudo o que acontece tem razão, está acontecendo por alguma coisa que já passou, para ser usado futuramente para alguma coisa. é sempre assim. coisas são assim, atos são assim. pessoas são assim.
reparo muito em cada rosto que passa por mim todas as manhãs a caminho da escola. essas pessoas me interessam. são desconhecidos. mas sei quando alguma delas falta ali pela calçada. são estranhos, que ao mesmo tempo não são tão estranhos. mas estranhos é uma palavra tão bonita de ser usada. são estranhos que conhecem suas faces de quem acordou de bom humor, ou não; sabem quando você está com muito sono, ou saiu de casa às pressas; sabem também quando você não aparece ali; sabem para onde vai e tem uma noção de onde vem. são pessoas que possivelmente estarão ali em caso de algum acidente. são pessoas que podem ser no mínimo interessantes.
digo isto porque já interessei-me com vigor à um estranho destes. levou em média um ano para de fato conhecê-lo. um dia assisti a closer, e então foi possível ver o que estava acontecendo. quando nos conhecemos, de fato ele era muito interessante. o final desta história não preciso contar, não é?!
depois de closer, não vejo mais pessoas comuns ao meu redor. faço-as personagens. talvez estas sejam as tais expectativas que nunca devemos criar sobre as pessoas. mas não consigo evitar. - não é difícil saber que vivo em um mundo paralelo. pode ser coisa de autista ou psicopata. mas eu sou assim. sonhadora ao extremo. e sim, sei o limite entre sonho e realidade. embora o limite dos meus sonhos talvez eu nunca aprenda. por falta de vontade mesmo. ô preguicinha de deixar os sonhos para trás. pra quê? -.
e entre esses sete bilhões de pessoas, entre sete bilhões de olhares e sorrisos, como é possível parar em um olhar, um sorriso, e simplesmente dizer: "é ele (a)!"? apenas sei que para mim isto é tão inevitável quanto respirar. é involuntário, é o tempo todo. é aquele amor platônico e besta. por um estranho. por alguém que simplesmente passou por você. que lhe voltou o olhar, ou dirigiu um sorriso a alguém. e então você começa a fantasiar aqueles olhos nos seus. aqueles olhos olhando para sua boca e te desejando; aquele sorriso abrindo-se por uma razão que você causou. e é apenas um estranho. que sequer é capaz de imaginar o que você está pensando. sendo que o mesmo vale para você. inusitado é se pegar pensando: "será que ele(a) lembra de mim?". desta forma, cada esquina é um novo desafio, são novas vidas, oportunidades e amores. quem se apaixona a primeira vista, nunca deixa de olhar. e trai a cada olhar.
e então você pensa: "como será o nome desse estranho?", "o que mais ele faz da vida?", "o que costuma fazer nos fins de semana?", "como é a vida dele?". e então você cria a vida desse estranho dentro de si.
esse estranho pode morar no fim da rua, na quadra de cima ou de baixo. pode morar no andar de cima ou do outro lado do corredor. pode estudar na sala ao lado ou fazer noturno. esse estranho pode frequentar o elevador do seu prédio ou do seu trabalho. pode trabalhar no outro setor, ou ser cliente do seu colega. estranhos estão por todas as partes. é inevitável possuí-los. talvez tu sejas o estranho de alguém.
"eu sou seu estranho. arrisque." (closer)




