quarta-feira, 28 de abril de 2010

estranhos.

somos em torno de sete bilhões, espalhados por este mundão, que por vezes parece tão pequeno. juro que posso metaforizá-lo a um ovo. relativamente, todo mundo se conhece. na verdade não sei se é complexo de cidade pequena, mas tenho reparado que não é só por aqui que isto acontece. é em todo lugar, em todos os cantos. então, faço desta metáfora uma teoria. mas de qualquer forma, não é disto que quero falar.
quero falar sobre os estranhos a que somos destinados todos os dias. acredito muito em destino. não devemos passar tudo que passamos e tudo mais, sem algum objetivo. acho que tudo o que acontece tem razão, está acontecendo por alguma coisa que já passou, para ser usado futuramente para alguma coisa. é sempre assim. coisas são assim, atos são assim. pessoas são assim.
reparo muito em cada rosto que passa por mim todas as manhãs a caminho da escola. essas pessoas me interessam. são desconhecidos. mas sei quando alguma delas falta ali pela calçada. são estranhos, que ao mesmo tempo não são tão estranhos. mas estranhos é uma palavra tão bonita de ser usada. são estranhos que conhecem suas faces de quem acordou de bom humor, ou não; sabem quando você está com muito sono, ou saiu de casa às pressas; sabem também quando você não aparece ali; sabem para onde vai e tem uma noção de onde vem. são pessoas que possivelmente estarão ali em caso de algum acidente. são pessoas que podem ser no mínimo interessantes.
digo isto porque já interessei-me com vigor à um estranho destes. levou em média um ano para de fato conhecê-lo. um dia assisti a closer, e então foi possível ver o que estava acontecendo. quando nos conhecemos, de fato ele era muito interessante. o final desta história não preciso contar, não é?!
depois de closer, não vejo mais pessoas comuns ao meu redor. faço-as personagens. talvez estas sejam as tais expectativas que nunca devemos criar sobre as pessoas. mas não consigo evitar. - não é difícil saber que vivo em um mundo paralelo. pode ser coisa de autista ou psicopata. mas eu sou assim. sonhadora ao extremo. e sim, sei o limite entre sonho e realidade. embora o limite dos meus sonhos talvez eu nunca aprenda. por falta de vontade mesmo. ô preguicinha de deixar os sonhos para trás. pra quê? -.
e entre esses sete bilhões de pessoas, entre sete bilhões de olhares e sorrisos, como é possível parar em um olhar, um sorriso, e simplesmente dizer: "é ele (a)!"? apenas sei que para mim isto é tão inevitável quanto respirar. é involuntário, é o tempo todo. é aquele amor platônico e besta. por um estranho. por alguém que simplesmente passou por você. que lhe voltou o olhar, ou dirigiu um sorriso a alguém. e então você começa a fantasiar aqueles olhos nos seus. aqueles olhos olhando para sua boca e te desejando; aquele sorriso abrindo-se por uma razão que você causou. e é apenas um estranho. que sequer é capaz de imaginar o que você está pensando. sendo que o mesmo vale para você. inusitado é se pegar pensando: "será que ele(a) lembra de mim?". desta forma, cada esquina é um novo desafio, são novas vidas, oportunidades e amores. quem se apaixona a primeira vista, nunca deixa de olhar. e trai a cada olhar.
e então você pensa: "como será o nome desse estranho?", "o que mais ele faz da vida?", "o que costuma fazer nos fins de semana?", "como é a vida dele?". e então você cria a vida desse estranho dentro de si.
esse estranho pode morar no fim da rua, na quadra de cima ou de baixo. pode morar no andar de cima ou do outro lado do corredor. pode estudar na sala ao lado ou fazer noturno. esse estranho pode frequentar o elevador do seu prédio ou do seu trabalho. pode trabalhar no outro setor, ou ser cliente do seu colega. estranhos estão por todas as partes. é inevitável possuí-los. talvez tu sejas o estranho de alguém.
"eu sou seu estranho. arrisque." (closer)

terça-feira, 27 de abril de 2010

lindo pretérito.

aqui da frente, vejo o passado correndo atrás de mim, querendo puxar o meu pé. ele vem de várias direções. atravessei uma ponte sobre esse rio. a queimei. atrás, não, eu não posso voltar. apenas olho você, passado, ali, do outro lado deste alto penhasco onde há o rio. sei e posso voar, mas apenas em frente. não há ponte para que você chegue até mim. talvez possa haver outras rotas. não sei qual delas você pode tomar, e se chegará até mim. apenas sei que o que passou, do outro lado ficou. se é para voltar, é para trilhar somente com este lado. a partir do nada. porém, não insisto em procurar rotas para você. tu é que tens que me mostrar o que queres, se queres.
o que aconteceu do lado de lá, está em mim. como tantas coisas em caixinhas de lembranças. assim como de fato há. guardei com carinho. joguei fora o ressentimento e libertei o perdão. não importa como as coisas aconteceram. não importa o que aconteceu. culpa de quem? ninguém tem culpa. não há arrependimentos. não por mim. posso olhar para trás e apenas sorrir. porém, está ali, intacto. o que pode vir daqui para frente... pode ser tanto, pode ser pouco. pode ser nada. sem expectativas. esperarei para ver se corro ou apenas continuo andando em ritmo normal.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

c


eu fiz escolhas, eu achei uma oportunidade de ser feliz. o fato de eu saber que vocês eram contra, não significa que eu estava contra vocês, ou que os deixaria de lado e iria contra vocês para ser feliz. de fato, se precisasse eu iria. mas em momento algum isso foi preciso. eu nunca  os abdiquei em favor da minha própria felicidade. apenas fiz minha escolha e segui com ela. eu sei que isso influenciou muito em sobre o que vocês pensam sobre mim e todos os outros conceitos. claro, concordo plenamente no quanto eu mudei depois disso. mas a "culpa" não é somente de uma pessoa. a culpa é minha que quis mudar. busquei essa mudança em tantas outras pessoas. e apesar disso, eu sempre soube as coisas que aconteciam e ainda acontecem aí. talvez seja uma das coisas mais difíceis que há para enfrentar. e vocês bem sabem que a minha vida também não é doce assim. e o quão amarga ela já foi. eu tenho certeza que vocês sabem. afinal, segredos entre nós de fato não existem, né? pra quê esconder? manter aparências apenas piora as coisas. as transparece de modo que aí sim deveriam ter vergonha disto. e é justamente por isso. por ter passado e ainda passar por parte do que vocês passam... é que eu gostaria que vocês contassem comigo. eu tou aqui. de fato. de verdade. eu estou aqui. longe ou perto, tanto faz nessas horas. como se quem tivesse perto pudesse fazer alguma coisa. não, não pode não. eu sei que não pode. eu jamais negaria ajuda a vocês, ou deixaria de estar junto. eu nunca deixei, vocês é que deixaram. talvez vocês sintam falta. talvez não. já nem sei. afinal, que vida corrida, não? sobra tempo pra pensar nas pessoas que um dia amou e fizeram parte da sua vida? ou que ainda fazem e sempre farão. ao menos em sangue e lembranças não? é uma bagagem, a gente carrega junto onde quer que vá. e eu gostaria de contar com vocês também. eu gostaria de deixar as coisas a como uns dois ou três anos atrás. estavam bem, não estavam? minha essência não mudou. tenho certeza que a de vocês também. porque essência é uma coisa que a gente é incapaz de mudar. eu tenho tanta saudade de quando a gente ficava conversando até alguém dormir, dos filmes que a gente assistia, um pouco de carta que a gente jogava, das voltas que a gente dava. não tem explicação é de tudo. porque com vocês sempre foi mais especial. e foram justamente vocês que deram o fora. e que fique claro, que nunca troquei vocês, que nunca deixei vocês de lado. minha escolha era minha escolha. e eu só tinha essa escolha graças a vocês. porque vocês confiaram em mim, porque eu confiei em vocês. porque vocês foram meus amigos. e eu não queria desapontar vocês. eu juro. imagino que isso deve ter acontecido. mas não era minha intenção. há coisas nas quais a gente não manda. eu tive oportunidade de resistir, tive. mas eu queria ficar. se eu não tivesse tido essa escolha, eu jamais teria voado tão alto, eu jamais teria me arriscado como nunca. jamais teria feito coisas das quais eu precisava fazer. ir tão alto, tão longe... e cair sendo arrastada no asfalto. não me arrependo disso. tive que aprender a fazer as feridas fecharem-se. e o quanto eu cresci, não dá para dizer, não dá para medir. todo esse tempo foi o tempo em que eu dei tudo de mim a todos. e nossa, cada coisa que eu dei não tem medida. eu não voltaria atrás para tê-los de volta, não mesmo. mas agora eu estou disposta a lutar por vocês devolta. eu os amo incondicionalmente. isso não mudou. eu pensei em vocês todos os dias. eu pensei sim. porque era ligado, sabe. e eu não vou desistir agora. não vou deixá-los ficar longe de mim. eu os quero. eu os amo e não vou deixá-los ir. se quiserem fugir disso, é bom estarem preparados. mais que eu para trazê-los de volta. todos a postos?

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Wanna

e então agora eu penso no que eu sinto por ti. talvez seja algo relacionado a nada, sabe. ou talvez esse nada seja o que eu desejo sentir por ti. você me deu um pouco de atenção, e o que aconteceu? eu simplesmente parei na sua, me apaixonei. achei que de repente, poderia ser um pouco feliz tendo alguém assim, como você ao meu lado. não sei daonde eu tirei a ideia de sermos parecidos. alou, filha, ele é talvez o seu oposto, isso sim. mentira, uma coisa vocês têm em comum, e sabem exatamente o que é. mas fora isso, o que sobra? sobra toda essa solidão que você deixa em mim. sobram todas as palavras que eu espero que tu me diga, e que acaba por ser apenas um vácuo em mim. e quando eu tomo a decisão de seguir em frente sem você, tu dá um jeito de não deixar isso acontecer, mesmo nem sabendo da minha decisão. e então, eu ajoelho-me devolta aos seus pés. enquanto tu te vira e vai embora. ah, esse seu joguinho barato comigo. eu já não quero mais te ver, ou mesmo cair no teu abraço. eu já não te quero mais. e vou acreditar que isto é verdade. uma hora há de ser, então que seja agora. todos estes sonhos e ilusões estão fazendo-me cair diariamente. são tropeços e caídas. minhas mãos e joelhos estão ralados. e as pernas fraquejando. porque você nunca está ali para me segurar. não posso mais cair por você, e nem imaginar caindo em você. seus braços esqueceram de mim, e perderam-se em outras carnes. outra vez, acabo amando sozinha. e outra vez, pergunto-me: por que diabos isto sempre acontece mas nunca anestesia? cadê os anticorpos nessa hora, para reconhecer que isto já aconteceu e impedir que isto me ataque novamente? já troquei as perguntas. pois pedir o por quê que você não está aqui para amparar minha queda, já não é a resposta que preciso.
com amor um nada tão profundo,
tamy.