sábado, 12 de julho de 2008

Disparidade



É tão desinteressante querer enxergar de fato o que acontece ao nosso redor. Digo, ao menos com o tempo isso se torna tão desgastante.

Segunda-feira, passada, depois do almoço lá na minha avó, enquanto esperava os rápidos minutos pós-almoço pré-aula, sentei no sofá de sua sala, e sem querer derrubo uma folha de jornal que no braço do sofá se encontrava. Juntei-o, e fui ver sobre o que se tratava aquela folha. Lista de Obituário era o que dizia.

Agora, alguém me responde. De que serve-nos uma Lista de Obituário? Qual o interesse que alguém pode ter nisso? Já não basta ligarmos a televisão e termos de agüentar uma vida real em tudo o que ela nos oferece? As coisas não poderiam ser diferentes na televisão? Por que somos obrigados à saber que uma criança de seis anos é atirada de um prédio pelo próprio pai? (É, foi a notícia mais recente da qual tive notícias. Desisti da televisão).

E aliás, por que temos que ter opiniões iguais para obtermos um mínimo de dignidade vindo da sociedade? Eu não quero ser igual à vocês. Eu não quero pensar igual à vocês. E pouco me importa se isso não está me trazendo uma vida muito feliz. Eu sou diferente. Aliás, ser diferente não era normal? Não era isso que a televisão nos transmitia, até a época de Páginas da Vida, pelo menos? (Última novela que eu acompanhei, tirando América).

Por que eu não posso mostrar minha sinceridade pela minha vida, pelas coisas que eu não me interesso. Por mim, que o mundo se exploda. Tou nem aí se a UE ou o G7 ou G8, SEI LÁ, expulsar a Rússia do grupo, ou resolver falar algumas verdades, e a Rússia com seu poderoso poder bélico resolver explodir tudo. Eu tou nem aí pra política ou mesmo para geografia. Não quero nem saber de quem morreu, suicidou-se, roubou, foi roubado ou qualquer coisa. TÔ NEM AÍ, tá legal? E é isso. Eu não quero nem saber o que tá acontecendo no mundo. E qual o problema nisso? Qual o problema em não ter interesses no que todo mundo tem?

Qual é o problema em ser diferente de você? Se eu fosse igual, ou tentasse ser, você obviamente reclamaria: ''Igual a mim? Nem tirando xerox, rs".

Não vejo problema em não ter um bolinho na escola ou no trabalho. Em não ser o preferido dos pais, professores ou chefes. E nem mesmo em não ter parâmetros esculturais de modelos. Não vejo problema em não querer ser o melhor em alguma coisa, ou mesmo o predileto. Não vejo problema também em não ter preconceito. Então, por que o preconceito é aplicado nessas condições?

Não quero ficar com o cara mais bonito da minha escola ou trabalho, e também não quero passar uma noite com meu chefe ou professor. Não vejo problema em gostar de quem você realmente gosta. Aquela pessoa alternativa. Qual o problema de sermos alternativos?

De não sairmos com o cara ou a garota mais bonita, de tomarmos Tio Sam em vez de Coca Cola, de empinar uma pandorga (e usar algumas gírias idosas, por que não?) em vez de passar horas na Internet. Ou mesmo de deixarmos o preconceito de lado, ou deixarmos de nos importar com o que vão pensar, e assumirmos quem realmente somos?

Quem está aqui hoje, com esses velhos preconceitos... Vinte anos no máximo. Se a nossa geração não fosse diferente, por que teriam 3,4 milhões de gays, na Parada Gay em São Paulo?

Talvez ainda haja uma saída. Não tenho muita certeza de que cem ou duzentas pessoas possam se rebelar contra o resto do mundo e conseguir alguma coisa. Mas talvez valha a pena tentar. Se a diferença for capaz de fazer mesmo diferença.

1 comentários:

Marcos Coelho disse...

Padrões, padrões... A vida se resume a isso se tu tiver fora do que pensam ser o certo então tu já não serve pra nada, e ser diferente agora é moda mas continuam a ser as mesmas pessoas podres por dentro e talvez piores por assumir uma outra personalidade só pra se tornar um pouco mais popular e descarregar suas frustrações em mais e mais futilidade, o mundo ta muito banal e as pessoas cada vez mais param de pensar parece que não sabem mais usar o cerebro e preferem se conformar e engolir as verdades prontas. mas o mundo, infelizmente a gnt só vai se dar conta quando for tarde de mais.