quinta-feira, 17 de julho de 2008

Solidão I


Sexta-feira. Um longo dia. Que finda-se agora. Cai a noite, é hora de voltar para casa. Um dia exaustivo, com muito trabalho. E uma noite inteira entregue à curtição.
Mas em casa está tudo escuro, não há ninguém à espera. Você está só. Nenhuma luz acesa, nem o barulho da televisão. Não há ninguém para lhe abrir a porta. Apenas o barulho daquela velha samambaia, esfregando-se na parede, com o balançar do vento.
E por fim, a última coisa que você gostaria de sentir, naquele momento, é a inevitável solidão.
E a parte mais irônica da solidão: é o estado em que você cria e encontra as suas mais absolutas fantasias. E é a partir dessas fantasias fluidas por esse estado, que surge a tristeza.
E, para mim, não é muito difícil imaginar alguém em absoluto estado de solidão, em plena sexta-feira.
Recordo-me vagamente, de um jovem garoto. Vinte e dois anos. Solitário, em um loft no centro de NY. Um garoto, que por ventura, teve a façanha de acometer a solidão à sua vida. Não havia mundo melhor que o seu quarto. Sozinho, sentado em metade da sua cama de casal, com seus livros, e IPhone.
Era suficiente que o fim de semana chegasse, para que pudesse programar um fim de semana solitário e feliz. Porém bastava assentar-se disto, que seus desejos e fantasias entravam em ação. Surgiam cenas, de dois lados. De um lado, aquele barzinho com os amigos, divertindo-se, com uma cervejinha, e com a mulher que amava, do lado. De outro lado, via-se, novamente, sozinho naquela sala. Sentado no sofá, olhando o ritmo da cidade lá fora. Desejando, ao mesmo tempo, não estar ali.
Veste-se. Um jeans, uma camiseta branca e tênis. Encontra-se com seus amigos na balada. E aí percebe, que as festas reais não são iguais às festas imaginadas.
Encontrava-se em um total desencontro. Era o que queria, e não era ao mesmo tempo. Seus desejos eram incapazes de possibilitar o compartilhamento das coisas da sua solidão.
Volta para casa, direciona-se à cozinha, abre a geladeira, pega uma garrafa de cerveja. Olha, para cima do balcão, aquele vinho francês, lá, há alguns meses. Esperando por algum momento feliz com uma mulher. Ao lado, as taças de cristais, decoradas com delicados desenhos em volta.
Segue com a cerveja, pega seu violão, e segue madrugada a fora naquele sofá, olhando pela janela, o movimento da cidade. Até adormecer.
Sábado. outro dia...

0 comentários: