sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Tri

Acho que só quem já se encontrou entre a razão o sentimento e o desejo, sabe como realmente é sentir-se assim.
É ter um dia, duas opções, duas possibilidades, dois desejos, um sentimento, duas pessoas, nenhum pecado [não acredito em pecado, ou ao menos que desejo seja um]. Nada tão inocente, mas duas escolhas, e não há somente uma a ser feita; porque você quer as duas.
Não é fácil. O desejo domina, mas a racionalidade o sentimento desperta tanto quanto o desejo na pele, no olhar, no sentir, no tocar. Não que o sentimento realmente seja a coisa mais racional, mas ao menos aparenta. Você sabe que é aquela pessoa, você reconhece o sentimento, sabe que o entendimento é completo, que todas as peças se encaixam, e que você é feliz a partir daí. Mas você quer também o desejo, cair na tentação, desfrutar do 'proibido', do 'errado', como preferir denominá-lo. Afinal, é uma das mais gostosas experiências, não? Afinal, como diz o velho ditado adotado atualmente "proibido é bem melhor, perigoso é divertido". Era assim com nossos tataravós, bisavós, avós, com nossos pais, e será assim com nós, nossos filhos, bisnetos, tataranetos e por aí vai. E vai ser sempre a opção que deixará dúvidas, e a mais gostosa.
Não que de fato esteja 'proibido' isto, mas são as condições em que a situação se encontra. Não posso optar pelo desejo, sabendo que a parte racional emocional de mim sabe o que quer, enquanto o desejo despreza qualquer certeza. E não posso optar pelo sentimento, por essa 'razão', se ainda quero desfrutar do desejo.
Triângulos não funcionam na vida real, definitivamente. Mas, se alguém tiver uma dica, será bem vinda. =]

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

À ti


Isso, vai, pode me criticar o quanto você puder, siga em frente, pois sabe, eu sou capaz de suportar.
Pode criticar, pode falar, pode abusar de um ser humano apenas com palavras, ou em um mortal silêncio. Sabe por quê que eu não me importo? Porque eu sei que você não tem a mínima noção do que é o sentimento de não ter crescido de acordo com os planos de alguém. Porque eu sei que você não sabe o quanto isso dói, e te corrói terminantemente por dentro. Então, pode falar e humilhar o quanto quiser sabe. Eu já nem ligo, porque isso nem se compara com qualquer outra coisa que eu sinto, e não vai ser isso que vai me colocar debaixo de seus sapatos. Talvez por algumas horas, enquanto as lágrimas já não escorrem mais [porque depois de um bom tempo elas se escassam, e precisa de muita coisa para fazê-las brotá-las novamente]. E pode humilhar, porque ontem deu pra ver em suas lágrimas a consciência da solidão que você carrega dentro de si, e que o perseguirá vida a dentro. São só três anos, e tu tem consciência disso. Por um lado, senti que algo me apertou lá dentro ao ter a confirmação do que eu previa que tu sente. Por outro, ocorreu aquele sentimento de libertação, sabe? Aquela coisa boa. Aquele prazer, por mais que estar certa, mas por ver que a vida é totalmente justa. Quem planta amargura simplesmente colhe solidão, e a prova mais concreta disso, é você. É o seu presente, que a cada dia torna-se o seu futuro.
Tenho certeza que o dia que tu descobrir esse blog, talvez terá certeza que essas coisas que está lendo são para você, e eu não nego. Você tem consciência de tudo o que está fazendo.
Ah, outra coisa. Me desculpa por não ter crescido de acordo com todos os seus planos, por muitas vezes não compreender as tuas insanidades, por não ser a pessoa perfeita, menos ainda aquela aluna dez na escola, aquela garotinha amável que todos adoram, aquela garota totalmente bonita, dentro dos padrões, e que não confronta ninguém, que não tem mentalidade e vive em um mundo cor-de-rosa. Desculpa mesmo por ter consciência, maturidade, e por não querer ser hipócrita como o resto de toda essa sociedade odiosa.
Mas saiba que toda essa sua desaprovação, a tua perda de controle, só me faz crescer cada dia mais, me faz ver que a vida é realmente perfeita. Ela é planejada em cada mínimo detalhe, e que é isso que vale à pena. A cada desafio, a cada vitória, a cada derrota, cada sentimento, um pensamento, e mais um pouco de conhecimento e maturidade para a coleção.
E o bom de tudo isso, é que quando começa-se a compreender essas coisas, pode levar tempo, mas um dia você compreende, é que quanto mais você cresce ali dentro, mais você quer crescer. É como cada capítulo de um livro, cada cena de um filme, cada disco de uma coleção. Você devora, você coleciona, e cada vez quer mais. E você aprende que por mais cansativo e insuportável que isso seja, isso é necessário, e muito gratificante.
Portanto, obrigada por um lado, por ser alguém tão rude, amargurado, fora de si e desnaturado por tantas vezes. Obrigada por muitas vezes eu sequer poder confiar em você. Isso me fez crescer de uma forma incrível. De forma que tipo assim, apesar de tudo, tu é um herói pra mim sim. Não vou negar. Queria tanto poder te dar um abraço agora, se tu não fosse o rejeitar, ou se eu pelo menos não tivesse esse medo.
Mas obrigada por fazer com que eu amadureça e abra os olhos para a vida ali fora. Isso é mais importante pra mim do que tu pode imaginar. Agora eu sei que a minha independência só depende de mim mesma.
Mais uma vez, desculpa por não ter crescido da maneira que tu planejou, por ser tão imperfeita, e por te desapontar diariamente.
Mas apesar de qualquer ódio ou dor que eu sinta lá dentro, o meu sentimento mais profundo por ti sempre será o de orgulho, por estar na tua vida, ou por tu ter estado na minha, e de amor, aquele amor mais especial de todos, aquele amor que nunca tem fim. Aquele amor no qual você pode matar a cidade inteira, mas tu vai ser sempre aquela pessoa pela qual eu vou ter admiração e o mais puro e sincero amor. Porque esse é pra sempre, e pra mim é incondicional, por mais que o seu pareça tão incondicional, diariamente, em relação à mim.
E desculpa pelas lágrimas que te fiz derramar ontem, mas aquele é o futuro que eu quero pra mim. Não posso ficar presa à isso pra sempre. Mas sempre estarei do seu lado, sendo o seu bem maior, querendo o seu próprio bem. Por favor, dê valor à quem ainda está com você, e ao que essas pessoas dizem. Elas não estão tão erradas assim.
Eu te amo, desculpa por tantas decepções, por tantos silêncios. Mas é pra sempre.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Isso [more crap]

Eu não quero mais reclamar da forma como eu farei agora. Não quero mais estar todos os dias atordoada com tudo o que me acontece, esses pensamentos abominam, e nos fazem rastejar até um muro mais próximo para ver se temos força ao menos para nos arrastarmos nele agarrados.
Não quero mais que ninguém tente ao menos pensar por mim, eu digo tentar, pois já faz tempo que aprendi a pesar por mim mesma, e depois disso, nunca mais fui ou pensei igual aos outros. Cansei também de todo mundo tentar agir por mim, e eu ficar reclamando disso. Não quero mais ver minha vida assim, desejando tanto que ela fosse mais um daqueles filmes em que se quer viver. Não importa o tipo de filme, desde que lhe agrade. Quero ser protagonista, roteirista, diretora do meu próprio filme, e sabe, isso significa planejar as coisas do meu próprio jeito, e não do jeito dos outros. Não quero mais que ninguém me diga o que fazer. Parece que aquela história de independência às vezes demora tanto pra chegar.
Cansei de acreditar em frases de efeito, como 'sem bad trip', 'tudo passa', 'é só uma fase', 'vai melhorar', 'só mais alguns anos', 'esquece, isso passa'. As coisas não são bem assim pra quem não vivencia um dia-a-dia feliz todos os dias. Digo, em que felicidade é um prato caro, e raro, para quem vive numa mizerabilidade que só Deus entende.
Eu não quero mais ter perspectivas nem expectativas. Afinal, para quê, algo que só vai te decepcionar? Não quero mais esperar aquele 'bom dia', um sorriso, um aperto de mão ou uma conversa. Não quero mais esperar nada. Nada de bom, nada de ruim. Expectativas não nos fazem alcançar nada. Apenas se você não alcançar, vem a decepção. Se você alcançar, você vai pouco se lichar pra droga da expectativa.
Sim, to sei lá, pessimista, ou realista, sei lá. Quem sabe.
Chega aquela hora em que as férias são as coisas mais esperadas do ano, todos os dias, todas as horas. -Não sei exatamente porque eu tou desabafando por aqui, mas dane-se. Afinal, ninguém lê isso mesmo.- Chega aquela hora em que você começa a entrar naquelas depressões idiotas escolares, que quando você entra nela já não é tão idiota assim, com medo de não passar de ano, e com aquele desânimo tão esperado de ficar em recuperação em mais ou menos umas cinco matérias, e que se você não passar em três, você rodou, e não tem mais oportunidade nenhuma.
Chega aquela hora em que você enxerga a vida como ela realmente é. Você enxerga que amizades só vão ser concretas depois de muitos e muitos anos, que por enquanto tudo é tão condicional. Alguma coisa só torna-se concreta quando você realmente faria mais por essa coisa, por essa pessoa, por essa amizade, do que por você mesmo. Afinal, quando você abre mão de si mesmo, para entregar à essa coisa/pessoa/amizade o que ela precisa.
E se um dia eu desistir, podem me reprimir, me recriminar, afinal, não precisam fazer diferente nesse dia. Pouco importa se eu vou tar ali morta sabe. Tipo assim, agora não precisa mais fingir aquele sorriso, aquelas palavras tolas.
Opa, digo, você não vai ter a oportunidade de falar isso na minha cara. Doação de órgãos + cremação.
E que saber? Dane-se.
Mas esse dia ainda não chegou, e tipo assim, não vai chegar tão logo, não pra mim pelo menos. Quanto à você, eu ja não garanto. E sabe por que pra mim não vai chegar? Porque lá no fundo, eu não tou sozinha e eu sei disso. Sei disso porque eu conheço a minha vida, eu conheço à mim mesma. Coisa que ninguém aí fora conhece.
Ah, outra coisa. Eu preciso da minha viagem no primeiro fim de semana de outubro. Espero que alguém nessa face da Terra compreenda isso.
Bom, é isso. Mais um post inútil, porque eu não tenho nada melhor pra fazer [falei nada melhor, porque afinal tenho teorema de pitágoras pra aplicar em triângulos retângulos até a²=b²+c² deixar de ser isso mesmo. -.-]. E desculpa professoras, não sou autista, só me interesso mais em escrever posts pra esse blog que ninguém lê do que prestar atenção em vocês.
Bom, agora sim. É isso.

More crap


Não é questão de não ter
É a indiferença
São as marcas
As marcas de não ser

Sentir apenas sentir
No vento brando
Na brisa suave
O que há para ressentir?

Deixar levar
Tentar respirar
Até sustentar
Ah, brecha

Cai observando
Não pensa
Não age
Corre

Corre desse toque
Corre
Não estar
Não ser

Assim é
Assim é para ser
Tão indiferente
Assim é

Crap


Espinhos cravados
Jorram sangue nessas paredes
Pálidas, imundas
Fluídos. Odiosos

Sangue podre
Desvalido
Inválido
Escurecido

Há fronteiras
Desejos
Prazeres
Por baixo da poeira

Ainda existe a opção
Há a fuga
Corra corra
Agonia

Agonia
Sangue nessas paredes
Pálidas, imundas
Fluídos. Odiosos

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Mútuo


O vento leva
O que é capaz de sentir
Perde teu sentido
Deixe-se sorrir


Tão cruel quanto o desejo
A proibição
É tudo tão mortal
Perdendo-se nesse abismo transcedental


As paredes não são mais as mesmas
O ódio é mais odioso
O sangue lateja sobre a derme
Não há mais nada sobre a mesa


Derrame o fluído
Tire a máscara
Nada mais é tão feio
Quanto o que tu és por dentro


Não há mais nada em jogo
Não há mais o que perder
Menos o que ganhar
Não há mais nada sobre a mesa


Cala esse infortúnio
Pelo amor de Deus
Ou seria do Diabo?
Agora confronte-os


Mas lembre-se
Não há mais nada sobre a mesa
Apenas cala esse infortúnio
E conceba dignidade

Invisível & mutável



Você já parou pra pensar em tudo o que você é? Em tudo que te torna você mesmo?
Você é tudo o que ocorreu durante a gravidez de sua mãe, você é o relacionamento do seus pais em relação à você, você é os brinquedos que brincou, as conversas com seus pais, as gírias que usou, os conselhos que seguiu, as decepções de não ter dado certo, as alegrias das conquistas, as derrotas, as vitórias, os conselhos que deu, o amor gostoso que viveu, o pior relacionamento que já teve, o renascido após escapar do acidente, o ferido após a briga, o ferido com palavras após a briga, ou mesmo aquele que feriu. Você é aquela encrenca em que se meteu, ou mesmo o problema que resolveu, você é aquela conversa séria com seu pai, ou aquela briga com a sua mãe, você é o que você lembra. Você é aquela saudade que não vai embora, aquela cidade distânte, os seus amigos de infância, seus amores perdidos, seus amores nunca tidos, você é a infância que recorda, aquele banho de chuva, aqueles amigos, aquela solidão. Aquela velha música, aquele perfume, aquela flor, aquele cheiro, aquele lugar, aquele pôr-do-sol, você é a saudade dos seus pais, da sua família, daquele abraço, ou mesmo daquele abraço que nunca teve, da família que nunca te confortou, você é toda a falta que sente, todo o vazio que há, todo o amor de mãe, toda a parceria de pai, você é aquele arrependimento de não ter falado na hora, você é todas as músicas que já ouviu, todos os filmes que já assistiu, todos os livros que já leu, assim como você é aquela sua música favorita, aquela parte da música que você chora, aquele filme que te emociona, aquele livro que te arrepia, aquele acontecimento que te abala, aquela rua que você gosta, as casas em que você morou, aquele velho sótão, aquele confortante porão. Você é o seu quarto, o que você sente lá, a sua casa, o que você sente e passa nela, você é aquela rua que lhe arrancou lágrimas um dia, você é a lágrima que lhe foi arrancada, a agonia que passou, o choro que chorou. Você é o que você chora, o que você pensa, mas não necessariamente o que você faz. Você é a ajuda que dá, a compreensão que tem, aquele abraço inesperado, o abraço dado, o abraço recebido, aquela lágrima causada, aquele beijo, aquele beijo roubado, aquele beijo que você queria nunca ter dado, ou mesmo o beijo que ainda nunca deu, você é aquele alguém que quer beijar, aqueles que já beijou, você é o toque dado, a flor recebida, o corpo acariciado, o desejo despertado, a bebida que foi tomada, a que está para ser tomada, você é tudo o que já passou, e ainda o que está por vir. Você é o amigo que é, o amigo que tenta ser, você é o amigo que precisa, o amigo que você tem, você é a sensibilidade que grita, a agonia que desperta, o orgulho que despreza. Você é a gargalhada que dá, a gargalhada que causa, a palavra que fala e a que recebe, você é o orgasmo, você é o sexo, a excitação, você é o ser, você é o que desnuda, você é o que precisa e o que causa. Você é o preconceito, você é a discriminação, você é a paz que causa, você é o que prospera, você é toda a raiva da hora, o desprezo de agora, a mágoa de todo o sempre, você é o sorriso dado, o sorriso causado, você também a mudança, ou a impotência de não conseguir mudar, você é o poder, você é o que não pode, é a liberdade que tem, é a liberdade que oferece, é a liberdade que deseja, você é o desejo, o ardor, você é o ódio daquele professor, a raiva do governo, o desapontamento, a vergonha que causa, a vergonha alheia, a vergonha que passou. Você é a vítima, você é o assassino, você é todo aquele problema, você é o ódio que tudo isso dá. Você é a vida que tenta levar, você é tudo o que você queria. Você é o que você tem, o que você queria ter, o que você terá. Você é seus avós desconhecidos, os parentes distantes, os carinhos de vós, os avôs inexistentes, os avôs inegualáveis. Você é aquela praia, aquele dia de sol, aquela piscina. Você é toda a vida, toda a injustiça, todo o justo. Você é a sua vida inteira, ou o que você considera que apenas chamem de vida. Você vai muito além do que simplismente ''você'', você vai além do que se pode ver, além de uma simples conversa, além de algumas piadas, umas cartas, umas palavras, você vai além daquele vento que arrepia, além daquele temporal. Você é o que ninguém vê.

Expectativa


Com o tempo você aprende que se você já não se importa mais, não tem mais expectativas, já não se decepciona. É mais fácil não ligar, não esperar mais nada.
Expectativas, te decepcionam. Te derrubam no chão com uma só rasteira, pra você sair rastejando e implorando pra que ainda haja uma alma viva que te ensine o que decepção não significa.
É menos doloroso, menos preocupante, menos trabalhoso. Você apenas deixa de lado o que já está de lado espírito e emocionalmente. As coisas já estão distantes há muito tempo mesmo, que diferença faz? Apenas menos decepções, menos dor. Nenhum calor.
Decepção ensina a viver.
Só isso.
Só há o dia em que você cansa da mesma decepção diária. Se não espera que alguém ligue, não se decepciona, se não espera um abraço, não se decepciona, se não espera uma conversa amigável, uma relação saudável, um aperto de mão, uma vinda, uma ida, uma VIDA, não se decepciona, se nada disso ocorrer.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Pré-Conceitos

Pre.con.cei.to - Postura ou idéia pré-concebida, uma atitude de alienação a tudo aquilo que foge dos “padrões” de uma sociedade. As principais formas são: preconceito racial, social e sexual.

Punks e skinheads, heavy metal, heavy darks, moicanos, bichos grilos, gangues de pichadores apareceram. Se na vida tanta idéia e seitas, crenças, gangues e filosofias,religiões de povo doido, oposições anarquistas, loucossábios, débios e sonhadores.
Ventania - Símbolo da Paz

Não sei bem ao certo se alguém falou alguma coisa sobre algum dia todos termos de ser iguais, mas sem dúvidas, isso nunca vai rolar.

Baseamos o preconceito em procurar algo que 'falta' nos outros, que é fora do 'padrão' imposto pela sociedade. Mas no mundo em que estamos hoje, há tanta diversidade social e cultural, que é ridículo querer impor algum 'padrão' para vivermos e seguirmos.

Julgamos tudo com base em um conceito que sequer conhecemos. Geramos um próprio conceito, baseado no que simplismente achamos, e o colocamos em prática, contra qualquer outro ponto de vista, ou contra o que as coisas realmente são.

Não precisamos, e nem devemos viver padronizados. Diferenças é o que nos fazem únicos. Diferença é o que nos marca, o que nos faz feliz, o que nos faz viver.

É justo cada povo ter a sua cultura, é justo cada um ouvir o que bem quiser, se vestir da maneira que bem quiser, e por que não, sentir o que bem quiser? Por quem quiser?

Por sermos seres preconceituosos, deixamos de tomar conhecimento sobre coisas infindáveis.

Somos capazes de criticar uma mulher que realiza um aborto, sem analisarmos todos os fatos, e mais do que isso, sem sabermos os motivos porque isso foi realizado. Não é melhor, do que a criança nascer, passar necessidades, fome, ou, de repente, ser maltradata, ou sabe lá Deus o que poderia acontecer com a criança? Criticamos com muita facilidade um casal gay, seja de homens ou mulheres, mas não somos capazes de sentir essa capacidade afetiva, ou mais, não somos capazes, de nos submetermos a isso, e ainda mais, e se nos submetermos, seremos capazes de assumir? Criticamos também alguém por sua forma de vestir, pois não está de acordo com a moda, com sua forma física, pois não está nos padrões de beleza, por suas condições financeiras, pois não é das melhores, por seu modo de agir, que é diferente dos outros, por sua forma de pensar, que não é semelhante ao do resto da sociedade.

E, mais do que criticar, a gente cria conceitos sem motivos reais e concretos, sem motivos com nexos, e por fim, evitamos tudo o que pré-conceituamos.

domingo, 31 de agosto de 2008

[...]


E eu odeio a forma como tu me desconhece, não sabes quem eu sou, o que penso, e menos o que sinto. Não sei ao certo o que realmente era para ser o certo. Talvez o certo para nós, ou para mim, seja realmente esse.
Não acredito que consigo encarar-te ainda, e tentar manter essa relação doentia, com uma pessoa tão doende e obssessiva quanto você. A cada dia tento reconstruir isso, e tentar montar um novo futuro para nós. Mas a sua obsessão, o seu egoísmo, ciúmes incontrolável não permite relação alguma com ninguém. Não suporto te ver mentindo dessa maneira, incontrolável a tal ponto.
Dá para ver e sentir nos seus olhos, que você sabe que está jogando toda a sua vida fora, descartando cada pessoa que tenta se aproximar, cada momento, e cada sentimento real. Tua obssessão tá te matando, faz tempo, e tu sabes disso. Não siga em frente assim.
O mundo todo não pode estar errado assim, e voltado contra você a tal ponto.
Eu não queria que as coisas fossem assim, não queria mesmo. Queria uma relação sadia, mas é impossível isso com você.
Às vezes a raiva de tudo isso também me consome sabe? E funde-se com a dor de te ver e te ter assim. Ao mesmo tempo que eu penso "por que então não vai lá, e consome todos aqueles faixas pretas até suicidar-se com suas obsessões e mentiras?" algo realmente me esfaqueia e pergunta-me o que eu estou pensando, o que eu estou fazendo...
Não queria que houvesse relação mais bonita que a nossa, mas a nossa é uma das mais frias que pode haver. Você sabe que não me tem, e nunca me terá. O que tínhamos, foi perdido no espaço, no tempo, e isso, não volta mais, você sabe. Assim como todos aqueles caras...
Eu também não queria considerar ninguém mais do que você, mas infelizmente, você não está no topo das minhas considerações. Chega de querer ser quem você não é, e nunca vai ser, e chega também dessa inveja cruel de todo o mundo ao seu redor. Essa inveja só tá te consumindo por dentro, e por fora. Você não é uma pessoa melhor porque inveja alguém.
Você sabe muito bem de tudo o que está acontecendo com você. Não queira enganar-se. Isso tá te matando, procure ajuda, ajude-se. Você é uma pessoa sozinha, sob todas essas mentiras.
E não venha querer me dar razões para dizer que me conhece, eu não sou quem você quer que eu seja, e por sinal me orgulho muito disso. Vergonhoso agora, está sendo te conhecer, e fazer parte da sua vida, da sua história. E você fazer parte da minha.
Acorde para a vida.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Do you wanna play a game?

... Desafiou a pessoa errada para você, Cara.
Poisé, como se uma vez não fosse suficiente para Deus saber que jogos de azar, são de azar, Deus resolveu tentar mais uma vez. E adivinha? Deus perdeu de novo, e com a cara de quem que ele tira um caô bonitasso? Com a minha, é claro. E como talvez duas vezes não bastam, eu fico no aguardo da terceira vez. Sabe, a vida é realmente muito irônica com você. Eu realmente não queria agir assim com essas pessoas, mas, oh Deus, o que você está fazendo?
E quer saber? Todas essas dúvidas, eu não quero mais tê-las. Eu sei muito bem o que está acontecendo, e acho que quem tem de parar de se enganar, realmente sou eu. É incrível sentir o poder de ter você comendo na minha mão (tremendo vacilão, rs ¬¬), mas com certeza não é nada comparado com o que o Todo Poderoso faz em relação a isso.
Fim de dia. Sol se pondo, céu. Azul. Rosa. Lilás. A vida não perde só ganha você. Você ganha, só perde. Senta, pega o copo, o cigarro. Acomode-se nesta parede e nada mais. Sem bad trip? Escolha. Se bem que a essa altura não faz diferença. Não precisa de sentido, não precisa sentir.
Escurece com os pés nesta piscina, num beijo tudo faz-se entregar e perder. A moderação não existe.

domingo, 17 de agosto de 2008

Amor sem Amar

Os amantes arrependem-se do bem que fizeram, quando o seu desejo já se exinguiu, ao passo que aqueles que não têm amor nunca tiveram a oportunidade de se arrepender; pois não é sob o jugo da paixão, mas voluntariamente, e conduzindo bem os seus interesses, sem ultrapassar os limites dos seus próprios recursos, que eles fazem bem ao amigo. Além disso, os amantes repassam na mente os danos que o amor lhes causou nos negócios e as liberalidades que eles fizeram, e, acrescentando a isso a dor que sentiram, julgam que há muito tempo que têm vindo a pagar o preço dos favores obtidos. Já aqueles que não estão apaixonados não podem nem usar como pretexto os seus negócios negligenciados por causa do amor, nem alegar as intrigas dos familiares, de modo que, isentos de todos esses aborrecimentos, eles só têm que se empenhar em fazer tudo o que acham que deve agradar ao seu bem-amado.

Platão em 'Fedro'.

Julgamentos


Por que temos sempre uma capacidade enorme para julgarmos, criticando, colocando nossos defeitos, muitas vezes sem ao menos termos noção do que estamos julgando?
É tão fácil julgarmos alguém por ser e agir de tal maneira que não nos agrade, sem sabermos os seus motivos para ser assim. Por que então, em vez de julgarmos, nos parece tão mais complicado conhecermos a fundo essas razões? E enquanto fazemos isso, conhecermos melhor alguém...
Vivemos sobre julgamentos, o tempo todo. Tornamos nosso mundo assim, e estamos aperfeiçoando-o de tal forma, a cada dia que passa. E não estamos fazendo isso como uma forma de bem, não estamos criticando tudo ao nosso redor de uma maneira construtiva. Vivemos cada vez mais sob padrões de beleza, moda, e financeiros, que nos consome cada dia mais.
Ainda acredito que o tempo é generoso, e que ainda está disponível para revertermos essa situação.
Ninguém gosta de ser julgado. Não somos soberanos à todos que covivem conosco. Não deveríamos ter o poder de julgarmos tudo a esse ponto. Temos o poder, porém não o direito.
Até que ponto devemos podemos levar isso?

sábado, 16 de agosto de 2008

Tal qual como sua vida


Não é assim que você vai jogar tudo fora
Agarrando-se ao passado
Agindo dessa forma
Chega de jogar as coisas fora
Como se tudo fosse um jogo tolo
E tudo valesse nada

Não quero estar aqui lhe dizendo como agir
E acredite, dói muito em mim também
Mas você é dono de si
Querendo ou não
Apenas não atire-se para a vida dessa forma

Para falar a verdade
Tenho medo de sair
Voltar a ver-te assim após anos
Ou, simplismente
Não mais ver-te

Essa solidão que te atormenta
E abomina todo esse egoísmo de sobrevivência
Um dia ela termina
Porém não vai só

Não deixe a vida tomar a decisão que tu não quer
A volta será recíproca
Tal qual como a vida

M, T.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Perdão


Perdoar e esquecer equivale a jogar pela janela experiências adquiridas com muito custo. Se uma pessoa com quem temos ligação ou convívio nos faz algo de desagradável ou irritante, temos apenas de nos perguntar se ela nos é ou não valiosa o suficiente para aceitarmos que repita segunda vez e com frequência semelhante tratamento, e até de maneira mais grave. Em caso afirmativo, não há muito a dizer, porque falar ajuda pouco. Temos, portanto, de deixar passar essa ofensa, com ou sem reprimenda; todavia, devemos saber que agindo assim estaremos a expor-nos à sua repetição. Em caso negativo, temos de romper de modo imediato e definitivo com o valioso amigo ou, se for um servente, dispensá-lo. Pois, quando a situação se repetir, será inevitável que ele faça exactamente a mesma coisa, ou algo inteiramente análogo, apesar de, nesse momento, nos assegurar o contrário de modo profundo e sincero. Pode-se esquecer tudo, tudo, menos a si mesmo, menos o próprio ser, pois o carácter é absolutamente incorrigível e todas as acções humanas brotam de um princípio íntimo, em virtude do qual, o homem, em circunstâncias iguais, tem sempre de fazer o mesmo, e não o que é diferente. (...) Por conseguinte, reconciliarmo-nos com o amigo com quem rompemos relações é uma fraqueza pela qual se expiará quando, na primeira oportunidade, ele fizer exactamente a mesma coisa que produziu a ruptura, até com mais ousadia, munido da consciência secreta da sua imprescindibilidade.
Arthur Schopenhauer, em 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

Acaso


O acaso é um poder maligno, no qual se deve confiar o menos possível. De todos os doadores, ele é o único que, ao dar, mostra ao mesmo tempo e com clareza que não temos direito nenhum aos seus bens, os quais devemos agradecer não ao nosso mérito, mas tão-só à sua bondade e graça, que nos permitem até nutrir a esperança alegre de receber, no futuro e com humildade, muitos outros bens imerecidos. Eis o acaso: mestre da arte régia de tornar claro o quanto, em oposição ao seu favor e à sua graça, todo o mérito é impotente e sem valor.
Arthur Schopenhauer, em 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Confiança II

Nenhum homem acredita piamente em nenhum outro homem. Pode-se acreditar piamente numa ideia, mas não num homem. No mais alto grau de confiança que ele pode despertar, haverá sempre o aroma da dúvida – uma sensação meio instintiva e meio lógica de que, no fim das contas, o vigarista deve ter um ás escondido na manga. Esta dúvida, como parece óbvio, é sempre mais do que justificada, porque ainda não nasceu o homem merecedor de confiança ilimitada – a sua traição, no máximo, espera apenas por uma tentação suficiente. O problema do mundo não é o de que os homens sejam muito suspeitos neste sentido, mas o de que tendem a ser confiantes demais – e de que ainda confiam demais em outros homens, mesmo depois de amargas experiências. Acredito que as mulheres sejam sabiamente menos sentimentais, tanto nisto como em outras coisas. Nenhuma mulher casada põe a mão no fogo por seu marido, nem age com se confiasse nele. A sua principal certeza assemelha-se à de um batedor de carteiras: a de que o guarda que o apanhou poderá ser subornado.

Henry Mencken, em 'O Livro dos Insultos (1920)'

Confiança I

Ainda que a sinceridade e a confiança estejam relacionadas, são, no entanto, diferentes: a sinceridade consiste em abrir o coração e em mostrarmo-nos tal como somos por amor da verdade. Odeia o disfarce e quer reparar as suas faltas, mesmo que para isso seja preciso diminui-las pelo valor da confissão. Quanto à confiança, esta não nos concede o mesmo grau de liberdade, as suas regras são mais rigorosas, requer mais prudência e moderação. Ora, nem sempre estamos livres para obedecer a estes requisitos. Não somos só nós, no que a ela diz respeito, que estamos envolvidos, porque os nossos interesses misturam-se quase sempre com os dos outros. Requer uma enorme justeza para não levar os nossos amigos a entregarem-se, pelo facto de nós nos termos entregado, como para lhes oferecer um presente, com a única intenção de aumentar o preço do que nós damos.
Fica-se sempre satisfeito com o facto de os outros depositarem confiança em nós porque é um tributo que oferecemos ao nosso mérito, é um depósito que fazemos à nossa confiança, são, enfim, fianças que lhes dão algum direito sobre nós, isto é, aceitamos uma certa dependência à qual nos sujeitamos voluntariamente. Não, não é minha intenção destruir com as minhas palavras a confiança, que é tão importante entre os homens, uma vez que é o elo entre a sociedade e a amizade. (...) Damos a nossa confiança, a maior parte das vezes, por uma questão de vaidade, porque queremos falar, porque queremos conquistar a confiança dos outros, mas também para podermos trocar segredos. Há pessoas que terão razão em acreditar em nós e com as quais não teríamos boa razão de corresponder, mas ficamos quites quando guardamos os seus segredos e quando correspondemos com confidências superficiais. Há outras cuja sinceridade conhecemos, que não têm nada a ver connosco, mas em quem podemos confiar, seja por escolha ou por estima. A estas pessoas não devemos esconder nada do que nos é íntimo, devendo mostrar-lhes verdadeiramente as nossas boas e mesmo as nossas más qualidades, sem exagerarmos nas primeiras e sem diminuirmos as segundas.
La Rochefoucauld, em 'Reflexões'

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Solidão I


Sexta-feira. Um longo dia. Que finda-se agora. Cai a noite, é hora de voltar para casa. Um dia exaustivo, com muito trabalho. E uma noite inteira entregue à curtição.
Mas em casa está tudo escuro, não há ninguém à espera. Você está só. Nenhuma luz acesa, nem o barulho da televisão. Não há ninguém para lhe abrir a porta. Apenas o barulho daquela velha samambaia, esfregando-se na parede, com o balançar do vento.
E por fim, a última coisa que você gostaria de sentir, naquele momento, é a inevitável solidão.
E a parte mais irônica da solidão: é o estado em que você cria e encontra as suas mais absolutas fantasias. E é a partir dessas fantasias fluidas por esse estado, que surge a tristeza.
E, para mim, não é muito difícil imaginar alguém em absoluto estado de solidão, em plena sexta-feira.
Recordo-me vagamente, de um jovem garoto. Vinte e dois anos. Solitário, em um loft no centro de NY. Um garoto, que por ventura, teve a façanha de acometer a solidão à sua vida. Não havia mundo melhor que o seu quarto. Sozinho, sentado em metade da sua cama de casal, com seus livros, e IPhone.
Era suficiente que o fim de semana chegasse, para que pudesse programar um fim de semana solitário e feliz. Porém bastava assentar-se disto, que seus desejos e fantasias entravam em ação. Surgiam cenas, de dois lados. De um lado, aquele barzinho com os amigos, divertindo-se, com uma cervejinha, e com a mulher que amava, do lado. De outro lado, via-se, novamente, sozinho naquela sala. Sentado no sofá, olhando o ritmo da cidade lá fora. Desejando, ao mesmo tempo, não estar ali.
Veste-se. Um jeans, uma camiseta branca e tênis. Encontra-se com seus amigos na balada. E aí percebe, que as festas reais não são iguais às festas imaginadas.
Encontrava-se em um total desencontro. Era o que queria, e não era ao mesmo tempo. Seus desejos eram incapazes de possibilitar o compartilhamento das coisas da sua solidão.
Volta para casa, direciona-se à cozinha, abre a geladeira, pega uma garrafa de cerveja. Olha, para cima do balcão, aquele vinho francês, lá, há alguns meses. Esperando por algum momento feliz com uma mulher. Ao lado, as taças de cristais, decoradas com delicados desenhos em volta.
Segue com a cerveja, pega seu violão, e segue madrugada a fora naquele sofá, olhando pela janela, o movimento da cidade. Até adormecer.
Sábado. outro dia...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A beleza é mesmo tão fugaz



O que tanto buscamos na beleza? O que há entre beleza a personalidade?
São horas tratando de nossas aparências estéticas, frente a frente com o próprio reflexo no espelho.
Você já parou para pensar como, e em função do que, a estética hoje é um dos fatores que mais movimenta o mercado comercial?
Está em todo o lugar, você não tem como escapar. Nos meios de comunicação e publicidade; em estabelecimentos comerciais; na pessoa que acabou de passar por você. Está na sua cabeça. Para que você seja capaz de sentir-se atraente o suficiente para si mesmo, para ter auto estima. Está na sua preocupação, no fato de perguntar-se se você está bem vestido o suficiente para a ocasião, se seu cabelo está arrumado, sua barba aparada, seu corpo em forma, para o agrado do outro. Isso não é para você.
Você vive em constante busca por beleza, em você, no seu parceiro, no seu amigo. E isso dominou o mundo. Somos forçados a nos mantermos dentro dos padrões universais de beleza e moda. A pressão vem de todos os lados.
Mas... quanto vale isso para você? Quanto vale uma anorexia causada por bulimia? Quanto vale cada risco que você corre com plásticas intermináveis à procura de uma face sem marcas de expressão, um corpo magro, sem uma estria? Uma prótese de silicone para os seios; uma lipoaspiração? Claro, o dinheiro compra. Mas, quanto vale a sua vida, considerando cada possível risco que você corre a cada procedimento? Quanto vale a sua sanidade mental, sua saúde e consciencia?
Rugas: marcas de expressão que o tempo lhe concede, caracterizando-te como um ser humano real. Perfeito.
Mas o que está acontecendo com a nossa geração? São garotas jogando suas vidas no vão da rua, em busca do corpo perfeito, uma capa de revista, um contrato de 500 mil reais para desfiles de moda. Garotas que unem-se para ficarem anorexas. Se dão apoios para não comerem nada, durante o maior tempo que puderem. Se conseguirem uma semana, talvez tomem uma garrafa de água. Você pode imaginar o quão triste isso é? E doloroso? Tanto para as garotas, quanto amigos, e familiares? Já imaginou a pessoa que você mais ama, lutando dessa forma?
Tudo o que somos agora, essa juventude doentia por uma beleza efêmera, é fugaz demais para realmente valer à pena.
O fato de sempre acharmos 'imperfeições' à beça em nós mesmos, nos leva à procurarmos em quem nos rodeia, essas 'perfeições' que 'nos faltam', querendo assim, sentirmo-nos completos, nos quesitos emocional e estético.
Mas quanto vale toda essa estética? Até onde você iria?

domingo, 13 de julho de 2008

Consideração




Por que temos consideração por alguma coisa somente quando nos é conveniente? Por que somos serer incapazes de termos consideração em tempo integral?
Quando algo nos agrada, torna-se importante para nós, aí surge a consideração, pela palavra falada, pelo ato cometido. Mas e quando as palavras já não agradam e os atos já não nos surpreendem? Para onde vai a consideração por tudo o que é perdido no espaço, no tempo?
Não é justo usarmos a consideração como bolas de gude. Um simples jogo, onde palavras chocam-se, acometendo a possibilidade de escolha entre consideração e um buraco negro.
A consideração estrutura-se em momentos, que subitamente deram-nos prazer, ou conseqüentemente ainda nos dão, influenciando o valor que atribuimos à esses acontecimentos.
Através da consideração, é possível avaliar o grau de confiança e reciprocidade que vamos conquistando na proporção em que a vida nos acontece.
Consideração: sf. 1. Ação ou efeito de considerar. 2. Atenção e importância dada a algo ou alguém. 3. Estima, respeito. 4. Observação (sobre algo); reflexão.

sábado, 12 de julho de 2008

Superfluidade




Estava pensando, em como é tão mais fácil escondermo-nos sob coisas supérfluas na tentativa de ocultar algo e nos refugiarmos. Refugiamo-nos do medo enquanto podemos, ocultamos algumas verdades, e está tudo bem.
Temos medo de viver, viver intensamente. De perder tempo olhando o pôr ou o nascer do sol. Não temos tempo para um fim de semana no campo. Somos sucedidos demais na cidade para isto.
Também não precisamos dos outros, pois somos melhores. Possuímos mais capacidade, nossas idéias e pensamentos são melhores. Negamos e renegamos crescer, cada vez mais, a cada dia que passa.
Você já parou para pensar que homens, hoje considerados grandes homens por suas filosofias não são considerados assim à toa? Eles realmente sabiam o que estavam dizendo. E se falaram que você precisa das pessoas ao seu redor, não renegue esse antigo conselho.
Se não precisas dizer, jogue na valeta as coisas supérfulas e dolorosas que irias dizer, se não precisas fazer, não disperdiçe a lealdade que lhe foi confiada, se recebes um conselho, use-o. Quem lhe deu teve o trabalho de revirar o seu passado, procurando o erro cometido, e reciclando-o para que você não precise fazê-lo mais tarde e tentar vendê-lo para alguém. Você não irá querer vender essa nostalgia à alto custo.
Superfluidade: adj. 1.Relativo à superfície. 2. Pouco profundo. 3.Sem seriedade. 4.Pouco sólido (argumento).

Want your life?

Some diferences

Sala de Fumar



(...) Exceto por mim, é claro, baba moldou o mundo à sua volta do jeito que quis. O único problema é que o mundo, para ele, era pão, queijo, queijo. E precisava decidir o que era pão e o que era queijo. Não se pode amar algém assim sem ter medo dele também. E talvez até um pouco de ódio.
(...)
-Estou tentando falar com você de homem para homem. Será que ao meno uma vez na vida consegue dar conta disso?
-Consigo, baba jan - murmurei espantado, e não pela primeira vez, ao ver como ele podia me atingir com tão poucas palavras. Por um instante, tínhamos tido um momento maravilhoso. Não era sempre que meu pai conversava comigo, e menos ainda me sentava em seu colo. E fui um idiota em estragar tudo.
-Ótimo- disse baba, mas os seus olhos não demonstravam lá muita convicção. - Pouco importa o que diga esse mulá; existe apenas um pecado, um só. E esse pecado é roubar. Qualquer outro é simplesmente uma variação do roubo. Entende o que eu estou dizendo?
-Não, baba jan - respondi querendo desesperadamente entender. Não gostaria de desapont-alo de novo.
Baba soltou um suspiro de impaciência. O que também me atingiu, pois ele não era um homem impaciente. Lembrei de todas as noites em que chegou bem tarde, todas aquelas noites em que tive de jantar sozinho. Perguntava a ali onde baba estava, a que horas ia voltar para casa, embora soubesse que ele estava na obra, inspecionando isso, supervisionando aquilo. Não era algo que exigia paciência? Cheguei a odiar todas as crianças para quem ele estava construindo o orfanato; por vezes desejei que todas elas tivessem morrido junto com seus pais.
-Quando você mata um homem, está roubando uma vida - disse baba. - Está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça, entende?
(...)
The Kite Runner
Khaled Hosseini

Falhas e Virtudes

Segundo Shakespeare, nossas falhas eternizam-se no bronze e nossas virtudes escrevemos na água.
Agora, o que encontra-se entre falhas e virtudes?
Ao termos uma virtudes e pôrmos-as em prática, falhamos. Isso sempre acontece. Se queremos ser leais, sempre haverá um erro, se queremos ser confiantes, estaremos sendo tolos, pois não há no que ou em quem realmente confiar. Se queremos continuar, as barreiras nos dizem que é impossível, se queremos desistir, estamos deixando de lado nossas virtudes. Se somos esperançosos, não temos consciência da realidade. Se somos realistas, somos pessimistas.
Já parou para pensar em que consistem suas virtudes?
Já se perguntou, se as falhas, somos nós? De testes e experiências de outros? De fato, não acredito que realmente estejamos sozinhos nesse universo, distintos entre seres humanos e animais. Acredito sim em extraterrestes.
Pouco me importa se é um pouco (digo, de fato realmente é bastante) alienado o que tá passando pela minha cabeça.
Mas você já pensou se não passamos de experiências de extraterrestres? Se somos essas experiências, somos falhas, sim.
Por que mais, estaríamos isolados no universo?
"Entre sol e mil estrelas, existe um planeta, que chamamos de Terra."
Por isso torça para que exista algo la fora, porque aqui nao tem nada que presta.
Não duvido de experiências já tidas com extraterrestres (tá legal, dependendo de QUEM teve essa experiência, eu duvido sim).
Não somos sozinhos, apenas isolados do resto do universo. Não temos condições para vivermos sozinhos, sem tecnologia fora daqui. Fomos muito bem planejados, para não destruir outros lugares. Seja quem for que está nos observando, com certeza é muito sábio por não chegar perto de nós. Destruímos tudo.
Destruímos nossos lares, nosso planeta. Pra que termos o resto do universo em nossas mãos? Se quer conseguimos nos relacionar em harmonia.

I'd made my choice



Revide e questione, pois, todas as possíveis escolhas na vida. A mutação está presente a cada fase, a cada esolha.
Seja errante e não acredite no desacertado. O errado não te convém, e não há de convir. Pode ser a escolha certa, você nunca saberá.
Me encontro entre o lado da desistência e o da persistência. Realmente? Não sei para qual vou. Tanta permanência nessa relação, se você quer saber, está me desgastando, mais e mais a cada dia que passa.
Não quero deixar-te só pelo caminho. Mas se tu nunca me quisestes contigo, agora, abandonar-te-ei, para seguires teu caminho. Talvez seja melhor, cada vida para um lado.
Já revidei essa escolha, agora não há mais tentativas. Não é que eu não goste mais de você, ou que, relativamente gostemos de alguém. O "sentimento" irá persistir enquanto as ações agradarem você.
Desculpa, suportei demais este tempo todo, com esperanças de que alguma coisa mudaria. Estou pegando de volta a vida que eu te entreguei. Ela acontece independentemente de você, ou seja, antes, durante e depois de você.
Apenas tenho de lhe agradecer por fazer-me crescer, e em alguns piores momentos, você ter estado ao meu lado. Não da maneira como eu sempre tentei estar ao seu, mas você fez sua parte, não vou renegar isto.
Mas não consigo suportar mais tantas palavras jogadas na valeta, e a corriqueira necessidade de uma amizade momentânea. Não há mais nada.
Vá com Deus.

Dançou

Uma alternativa que encontrei para fugir um pouco da mesmisse e da tristeza desses posts, foi procurar uma notícia suuper feliz para postar aqui. Pena que a gente se deprime cada vez mais com o que se vê:


























Só pra saber mesmo, o que leva alguém a
convidar eles para uma festa, ou para qualquer outra coisa? E mais. O que leva alguém a comparecer numa festa onde MC Serginho e Lacraia estariam presentes?
Se vai, é porque merece mesmo descer até o chão com a Lacraia.


Fonte: EGO

O preço que se paga



Já estava ficando preocupado com a idéia de que anoitecesse antes de eu encontrar Hassan quando ouvi vozes um pouco mais adiante. Cheguei a uma rua deserta e lamacenta, perpendicular ao fim da avenida que passava bem no meio do bazaar. Dobrei a esquina da ruela esburacada e fui seguindo o som das vozes. As minhas botas chapinhavam na lama a cada passo, e a minha respiração ia se transformando em nuvens brancas à minha frente.(...)
No final do beco sem saída, vi Hassan em uma pose desafiadora: punhos cerrados, pernas ligeiramente afastadas. Atrás dele, em cima de pilhas de entulho e lixo, estava a pipa azul. A minha chave para o coração de baba.
Impedindo Hassan de sair do beco, estavam três garotos, os mesmos daquela manhã lá na colina, no dia seguinte ao golpe de Estado de Daoud Khan, quando Hassan nos salvou com o estilingue. Wali estava parado de um lado, Kamal, do outro, e, no meio, Assef. Senti o corpo todo se contrair e alguma coisa gelada escorreu pelas minhas costas. Assef parecia relaxado, confiante. Estava girando o solo-inglês metálico nas mãos. Os dois outros, nervosos, trocavam constantemente o pé de apoio, olhando ora para Assef, ora para Hassan, como se houvessem acuado algum tipo de animal selvagem que só Assef fosse capaz de domar.
-Cadê o estulingue, hazara? - perguntou Assef sem parar de brincar com o soco-inglês. - O que foi mesmo que você disse? "Vão ter de chamar você de Assef, o caolho." É, foi isso sim. Assef o Caolho. Brilhante. Realmente brilhante. Mas, por outro lado, é fácil ser tão esperto quando se ter nas mãos uma arma carregada.
Percebi que ainda não tinha soltado o ar. Exalei bem devagarinho, sem fazer barulho. Estava me sentindo paralisado. Fiquei olhando enquanto eles se aproximavam do menino com quem eu tinha crescido, aquele menino cujo rosto com o lábio leporino era a minha lembrança mais remota.-Mas hoje é o seu dia de sorte, hazara - prosseguiu Assef. Estava de costas para mim, mas eu podia apostar que estava rindo. - Estou a fim de perdoar. O que acham disso rapazes?
-É muita generosidade sua - exclamou Kamal. - Principalmente depois de toda a grosseria que ele fez conosco daquela vez.Tentou falar no mesmo tom de deboche, mas a sua voz saiu um tanto trêmula. Foi entao que entendi tudo: na verdade não era Hassan que metia medo nele. Estava com medo porque não tinha a menor idéia do que Assef pretendia fazer.
Assef fez um gesto com a mão, como que encerrando a questão.
-Bakhshida. Está perdoado. Pronto. - E acrescendou, baixando a voz: - É claro que nada nesse mundo é assim, de graça. Pos isso meu perdão tem um preço bem razoável.
-É justo - disse Kamal.
-Nada e de graça - acrescentou Wali.
-Você é um hazara de sorte - disse Assef, dando um passo na direção de Hassan. - Porque, hoje, isso só vai lhe custar essa pipa azul. Um negócio bem justo, não é, rapazes?
-Mais que justo - respondeu Kamal.
Mesmo do lugar em que estava, pude ver o medo se instalando nos olhos de Hassan, mas ele abanou a cabeça.
-Amir agha ganhou o campeonato e corri atrás dessa pipa para ele. E consegui apanhá-la jogando limpo. Essa pipa é dele.
-Que hazara mais leal... Leal como um cachorro - disse Assef.
O riso de Kamal soou estridente, nervoso.
-Mas, antes de se sacrificar por Amir, pense nisso: será que ele faria a mesma coisa por você? Já se perguntou por que ele nunca inclui você nas brincadeiras quando tem visita? Por que só brincam juntos quando não tem ninguém mais por lá? Eu lhe digo o por quê, hazara. Porque, para ele, você não passa de um bichinho de estimação feioso. Alguma coisa para brincar quando ele está aorrecido; alguma coisa que pode chutar quando está zangado. Não tente se enganar, e lembre que você é mais que isso.
(...)
Havia um monte de lixo e sucata espalhado pelo beco. Pneus de bicicleta velhos, garrafas com os rótulos arrancados, revistas rasgadas, jornais amarelados, tudo jogado em meio a uma pilha de tijolos e placas de cimento. Um fogareiro de ferro enferrujado, com um enorme furo em um dos lados, estada apoiado no muro. Mas, no meio de todo aquele lixo, havia duas coisas de que eu não conseguia tirar os olhos. Uma delas era a pipa azul encostada no muro, perto do tal fogareiro enferrujado; a outra era a calça de veludo cotelê marrom de Hassan jogada sobre uma pilha de tijolos danificados.
(...)
Assef se ajoelhou por trás de Hassan, agarrou-o pelos quadris e erguei um pouco o seu traseiro. Continuou segurando com uma das mãos e, com a outra, abriu a fivela do próprio cinto. Baixou o fecho ecler da calça jeans. Fez o mesmo com a cueca. Se ajeitou atrás de Hassan. Este não lutou. Nem mesmo se lamentou. Virou a cabeça lentamente e pude ver seu rosto de relance. O que vi, ali, foi resignação. Era um olhar que eu já tinha visto antes. O olhar de um cordeiro.
(...)
Parei de olhar e me afastei do beco. Alguma coisa quente escorria pelo meu pulso. Olhei e me dei conta que ainda estava mordendo a mão. E com tanta força, que cheguei a tirar sangue das juntas. Percebi outra coisa também. Estava chorando. Lá da esquina, podia ouvir os grunhidos rápidos e ritmados de Assef.
Era a minha úiltima chance de tomar uma decisão. Uma última oportunidade para decidir quem eu ia ser. Poderia entrat no beco, ir defender Hassan - do mesmo jeito que ele me defendeu todas aquelas vezes no passado - e aceitar o que quer que viesse a acontecer comigo. Ou podia sair correndo.
E, afinal, saí correndo.
The Kite Runner
Khaled Hosseini

Insetos

-Estamos perdendo tempo. Não viu que a pipa está indo para o outro lado?
Hassan trincou uma amora.
-Está vindo para cá - respondeu. Eu mal podia respirar, e ele nem parecia cansado.
-Como pode saber? - perguntei.
-Eu sei.
-Como?
Ele se virou para mim. Algumas gotinhas de suor escorriam de sua cabeça raspada.
-Já menti para você, Amir agha?
De repente, resolvi implicar com ele.
-Sei lá - resopndi. - Já?
-Mil vezes comer cocô! - exclamou ele com ar indignado.
-De verdade? Você faria isso?
Ele me lançou um olhar desconcertado.
-Faria o quê?
-Comer cocô, se eu mandasse - respondi. Sabia que estava sendo cruel, como naquelas vezes em que debochava dele quando não conhecia uma palavra qualquer. Mas havia algo de fascinante, embora um jeito doentio, em implicar com Hassan. Era um pouco como brincar de torturar insetos. Só que, agora, ele era a formiga e eu é que estava segundando a lupa.
(...)
-Se você mandasse, faria, sim - disse ele afinal, olhando bem para o meu rosto. Baixei os olhos.
Foi aí que descobri como é difícil olhar diretamente nos olhos das pessoas como Hassan, essas pessoas que dizem sinceramente o que pensam.
-Mas fico imaginando... - acrescentou ele. - Será que algum dia você me mandaria fazer uma coisa dessas, Amir agha?
E, com isso, Hassan me propôs um pequeno teste. Se eu ia provocá-lo, desafiando sua lealdade, ele ia fazer o mesmo, pondo à prova a minha integridade.
Adoraria não ter começado aquela conversa. Dei um sorriso forçado.

The Kite Runner
Khaled Hosseini

Disparidade



É tão desinteressante querer enxergar de fato o que acontece ao nosso redor. Digo, ao menos com o tempo isso se torna tão desgastante.

Segunda-feira, passada, depois do almoço lá na minha avó, enquanto esperava os rápidos minutos pós-almoço pré-aula, sentei no sofá de sua sala, e sem querer derrubo uma folha de jornal que no braço do sofá se encontrava. Juntei-o, e fui ver sobre o que se tratava aquela folha. Lista de Obituário era o que dizia.

Agora, alguém me responde. De que serve-nos uma Lista de Obituário? Qual o interesse que alguém pode ter nisso? Já não basta ligarmos a televisão e termos de agüentar uma vida real em tudo o que ela nos oferece? As coisas não poderiam ser diferentes na televisão? Por que somos obrigados à saber que uma criança de seis anos é atirada de um prédio pelo próprio pai? (É, foi a notícia mais recente da qual tive notícias. Desisti da televisão).

E aliás, por que temos que ter opiniões iguais para obtermos um mínimo de dignidade vindo da sociedade? Eu não quero ser igual à vocês. Eu não quero pensar igual à vocês. E pouco me importa se isso não está me trazendo uma vida muito feliz. Eu sou diferente. Aliás, ser diferente não era normal? Não era isso que a televisão nos transmitia, até a época de Páginas da Vida, pelo menos? (Última novela que eu acompanhei, tirando América).

Por que eu não posso mostrar minha sinceridade pela minha vida, pelas coisas que eu não me interesso. Por mim, que o mundo se exploda. Tou nem aí se a UE ou o G7 ou G8, SEI LÁ, expulsar a Rússia do grupo, ou resolver falar algumas verdades, e a Rússia com seu poderoso poder bélico resolver explodir tudo. Eu tou nem aí pra política ou mesmo para geografia. Não quero nem saber de quem morreu, suicidou-se, roubou, foi roubado ou qualquer coisa. TÔ NEM AÍ, tá legal? E é isso. Eu não quero nem saber o que tá acontecendo no mundo. E qual o problema nisso? Qual o problema em não ter interesses no que todo mundo tem?

Qual é o problema em ser diferente de você? Se eu fosse igual, ou tentasse ser, você obviamente reclamaria: ''Igual a mim? Nem tirando xerox, rs".

Não vejo problema em não ter um bolinho na escola ou no trabalho. Em não ser o preferido dos pais, professores ou chefes. E nem mesmo em não ter parâmetros esculturais de modelos. Não vejo problema em não querer ser o melhor em alguma coisa, ou mesmo o predileto. Não vejo problema também em não ter preconceito. Então, por que o preconceito é aplicado nessas condições?

Não quero ficar com o cara mais bonito da minha escola ou trabalho, e também não quero passar uma noite com meu chefe ou professor. Não vejo problema em gostar de quem você realmente gosta. Aquela pessoa alternativa. Qual o problema de sermos alternativos?

De não sairmos com o cara ou a garota mais bonita, de tomarmos Tio Sam em vez de Coca Cola, de empinar uma pandorga (e usar algumas gírias idosas, por que não?) em vez de passar horas na Internet. Ou mesmo de deixarmos o preconceito de lado, ou deixarmos de nos importar com o que vão pensar, e assumirmos quem realmente somos?

Quem está aqui hoje, com esses velhos preconceitos... Vinte anos no máximo. Se a nossa geração não fosse diferente, por que teriam 3,4 milhões de gays, na Parada Gay em São Paulo?

Talvez ainda haja uma saída. Não tenho muita certeza de que cem ou duzentas pessoas possam se rebelar contra o resto do mundo e conseguir alguma coisa. Mas talvez valha a pena tentar. Se a diferença for capaz de fazer mesmo diferença.