(...) Enrolo-me na toalha e atendo aquela porcaria. É apenas aquela "velha amiga" que lembrou de sua existência após muito tempo, devido à necessidade. Largou o namorado, voltou a passar por crises e dificuldades. Mas há anos ela já não lembra de você, se você está bem ou precisa de algo. Não te cumprimenta na rua, mas te agradece por você ter sido uma amiga tão boa por tanto tempo. Como de costume, ouviria teu desabafo, Fulana, mas dessa vez, não. Não, porque não dá mais. A propósito, nem nos conhecemos [mais]. Não tenho a obrigação de fazer com que tu te sintas bem mais uma vez, mas ainda sou capaz de também agradecer-te por tudo o que fizestes por mim, quando de ti eu precisei. Ou mesmo de muitas vezes fazeres todas as coisas ao teu favor. Mas agradeço também por ter usado-me à sua própria maneira e condições, com todas as soluções pra ti, enquanto se minha vida estivesse desmoronando, ou morrendo, você, nem ligava. Obrigada por ter sido a "parte mais importante da amizade" - ou pelo menos, ter considerado-se de tal forma -, a parte mais suja, pois sabia que eu sempre iria jogar limpo. Você me fez crescer, mas não é por isso que dessa vez não vou te ouvir, nem mesmo dar-te um conselho também. Não espero que você ententa. É problema seu. Se vira.Aliás, tu é o tipo de pessoa que nunca vai aprender a se virar, sempre haverá alguém ali, não pra você, porque você nunca vai aceitar essa pessoa. Seja ela quem for. Mas ela vai estar ali. Vai estar ali sempre esperando mais, ou pelo menos, alguma coisa de você. Mas você não vai retribuir, você não tá nem aí. Pra ti, a obrigação da pessoa é estar aí pra ti. Mas ela vai resolver teu problema. Esse único que tu vê, sim. O resto, o mais essencial, é invisível aos teus olhos, e tu nunca vai perceber. Mas essa pessoa não sou mais eu. Nunca será alguém assim pra sempre pra você. É perceptível pra quem quer ver. Apenas veja quantas pessoas já fizeram isso por ti. Mas teus problemas não irão findar-se, enquanto isso não acontecer e enquanto tu for assim, insistente em não ver.
Claro que não falei isso, também não vou falar, não cabe à mim isso.
Apenas desligo o telefone. Inclusive o tiro da tomada. Volto para um banho demorado, e dessa vez relaxante. Me jogo ao chão da sacada, recostada na parede. Dessa vez, o sol realmente se põe, com classe digna de um pôr-do-sol. Acendo um cigarro, e um incenso para dar um clima diferente na casa, trocando os ares. Ligo na vitrola o velho blues e me agarro na garrafa de vinho. E sem essa de ressaca moral.
Claro que não falei isso, também não vou falar, não cabe à mim isso.
Apenas desligo o telefone. Inclusive o tiro da tomada. Volto para um banho demorado, e dessa vez relaxante. Me jogo ao chão da sacada, recostada na parede. Dessa vez, o sol realmente se põe, com classe digna de um pôr-do-sol. Acendo um cigarro, e um incenso para dar um clima diferente na casa, trocando os ares. Ligo na vitrola o velho blues e me agarro na garrafa de vinho. E sem essa de ressaca moral.

3 comentários:
porra, que irado! fora a boa escrita, muito 'nas oreia' esse desabafo, bem forte.
parabéns pelo blog, gostei. a trilha sonora também é ótima hahaha. mesmo!
beijos
passarei mais por aqui (:
Rosto bonitinho
texto horrível
fazendo jus àquela velha opinião formada...
Gostei da forma pela qual você escreve, da sua imaginação, das palavras. :)
:*
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