domingo, 16 de novembro de 2008

Whatever

Na conformidade de cada segundo "wasted", sem noção do que se considera tempo -da demora de tal- o ócio corrói-me em minhas veias. Toda a circulação sangüínea não é mais a mesma, e intensa. Resolvo finalmente, jogar este violão de lado, levantar-me deste velho sofá e desligar a droga da televisão. Antigamente as coisas eram melhores. Pago mensalmente minha televisão por assinatura, com direito a mais de duzentos canais. Nenhum sequer que faça-me sentir algum apreço por isso. Tanto faz também, se quer saber. Pego meu sobre tudo, enrolo o cachecol sobre o pescoço e vou à procura de uma noite um pouco menos depreciante.
Enfim, mízera quarta-feira. Logo em frente ao prédio, somente algumas putas profissionais marcando seus pontos, mortas de frio, sob minissaias e minishorts, blusinhas decotadas. Belos seios, aliás. Não preciso disto agora. Quem sabe outra hora.
Já há filas em algumas danceterias, muita canabis e algumas pastilhas coloridas. São apenas crianças. Divirtam-se.
Olho para essa cidade iluminada. Outdoors, todos os tipos de propaganda, de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. Em edifícios. Edífícios esses, cada vez maiores, pelos arranha-céus. Isso tudo já foi apenas um mízero monte de natureza. Matos, plantas, folhas.
Tanto faz também, não vou mudar. Não tou aqui pra isso. Entro na loja de conveniência - até hoje nunca descobri o motivo, mas essas pequenas lojinhas sempre me interessaram, me pareceram legais, muito mais convidativas e interessantes que qualquer outro hiper mega supermercado. - compro outra carteira de cigarro, enquanto fumo o último que tinha. Tá frio, tá realmente muito frio, mas devo admitir que isso relaxa, acalma e excita-me. Sigo andando, em cada beco há gente apanhando, agiotas, ou mesmo alguns caras fazendo putas trabalharem. E acredite, há becos por aqui.
Faz tanto frio, que já não sinto meus dedos ou lábios, é difícil controlar o cigarro. Todo movimento é intenso. Não quero voltar para casa esta noite, simplesmente quero amanhecer. Amanhecer mais uma noite, jogado à noite na rua. Sinto-me bem. E confortado. No meu lugar, fazendo o que pertence-me. Ou, ao menos, o que eu quero.
Entro naquela cafeteria 70's vazia, escolho algo do meu agrado na jukebox e sento-me na mesa ao lado da mesma. Dizem que café faz bem à saúde. Dane-se a saúde. Já bebeu café fumando cigarros? É aquele momento.
A garçonete é realmente muito atraente. Loura, cabelos ondulados aos ombros, seios naturais e firmes. A pele tem aquela textura de um pêssego. Não a toquei, mas esta é daquelas que você nota de longe. A cinturinha fina e delicada. Nem magra, nem gorda, sensual. A sua delicadeza e sutileza ao servir, e seu rebolado ao retornar deixam qualquer homem, por mais que hostil, maluco.
E deixo a noite esvairar-se por entre xícaras e alguns cigarros - ok, estou na terceira carteira - tal qual minha vontade. Horas surtando em pensamentos, horas somente com a música entrando e saindo de meus ouvidos. Já não sei quantas xícaras de café foram, mas sinto-me intenso. Intenso por completo. Minhas mãos tremem, mas eu não sinto vontade de parar. O sol daqui a pouco nascerá, mas é a indiferença que torna-me assim. Não preciso de nada para fazer, não há nada para ser feito. E assim, termino mais uma noite. Os olhos da garçonete, seu belo corpo e curvas, já me atraíram, e já se foram há algumas horas, com o fim de seu expediente.
Entre tanta intensidade, tremedeira, e confesso, devem estar pelo menos uns dez graus negativos, mas está escorrendo suor de minha face e pescoço. Estou realmente intenso, tomando rumo para casa. A cidade também está intensa. Todo o movimento de carros e pessoas. Pessoas rotinadas. Pessoas que levam a vida que nunca quis mas já levei.
Dois quarteirões antes de casa, num daqueles becos, gemidos. Gemidos femininos, naturais por lá. Apenas bato o olho. Uma das duas louras naquele beco, a bela garçonete.
Chego em casa, atiro-me no velho sofá novamente. Ligo a televisão, e mais um dia finda-se. Adormeço com a luz solar insistente em ratear em meus olhos, e com algum canal musical na televisão. Tanto faz também.

0 comentários: