sábado, 29 de novembro de 2008

Vale [Parte III]


O convite deveria estar estocado ali naquela caixa de correspondência há algumas semanas, assim como eu no apartamento. É engraçado quando você pára pra pensar em como a vida é gozada. E como ela parece simplesmente seguir em frente para algumas pessoas, da maneira mais simples possível, enquanto a única coisa que tu quer é ir levando tua vida, e nem isso tu não é capaz, sabe lá o por quê.
Conhecemos o cara na última viagem pra serra. Sim, conhecemos, no plural. Foi uma viagem que fizemos, eu e o pai daquela minha amiga lembra-te? Resolvemos passar um fim de semana na serra, e nos instalamos em umas cabanas. Uma das melhores viagens que já fiz. Aquele frio todo, de arrepiar o couro, e se bobear, rachar a pele. Na verdade, o frio me sustenta, e faz com que eu me sinta bem. Na verdade, o frio até torna tudo mais excitante para mim. Foi a viagem mais romântica e alternativa ao mesmo tempo. A cabana era rústica, toda feita em madeira. Não muito grande, mas essencial, e completamente aconchegante. Com uma lareira na sala, em baixo da televisão de plasma fixada na parede, toda construída de pedra, dando o toque mais rústico e campestre por lá. E nada mais gostoso do que chegar da rua, toda branquinha, coberta pela geada, e pela serração, e deitar-se no pelego frente à lareira. Nada melhor do que fazer isso com ele. Mas como tudo tem um fim, pus um fim em toda essa relação também.
Mas, voltando ao assunto, conhecemos o noivo lá, em um barzinho, numa sexta à noite. Como de costume, estava muito frio, e em vez de um bom vinho, ou um caloroso café, estávamos tomando chopp. Chopp. Ao que chega um casal de namorados querendo companhia para jogar conversa fora e se divertirem um pouco, aproveitando a ocasião para que tirássemos algumas fotos. A começo, era tudo muito recente para eles também, conheciam-se há seis meses e estavam juntos há dois. Óbvio que ninguém imaginou que após um ano e nove meses eles iriam estar casando-se.
Havia algum tempo que não tínhamos mais contato, muito além do tempo em que criei uma base de concentração em 'meu mundo'. Como fazia algum tempo que nada fazia, tomei por decisão de confirmar minha presença no evento.
Pra ser sincera, festas não são o meu forte, não é algo que realmente me excita, me anima ou me deixa feliz. Especialmente eventos como casamentos, festas de aniversário, etc. Mas, achei que poderia ser um bom atrativo para mim, sendo que veria velhos amigos, conheceria novas pessoas, talvez até rolasse algo com alguém, afinal, não tive contato (além de não ter contato visual, vocal, também não tive contato físico) com nenhum outro ser humano nas últimas seis semanas.
O que eu realmente não lembrei, é que isso poderia ser usado contra mim, como um bom pretexto para um reencontro com o único homem do mundo que eu não precisava rever. E eu não tive como evitar de ir ao encontro daquele homem com quem eu havia tido as minhas melhores experiências, o homem que sabia os momentos certos para tudo.
Resolvi que a hora era, de mandar tudo pro espaço. Desde as preocupações, o preconceito, colocar em jogo uma das melhores amizades que eu tinha. Agir com "egoísmo", e matar meus desejos.
E, como ele sabia os momentos certos para tudo, sabia mais do que isso, sabia também a maneira certa de fazer as coisas ficarem bem.
E quando ele me abraça, formalmente, com aquele abraço de reencontro, de saudade, de amor e de desejo, é como se tudo o que não estava certo antes, tudo o que não estava bem, e faltava, se acertasse, ficasse bem e se completasse. E discretamente - em vez de um beijo na bochecha, faz uso do artifício da provocação, com seu perfume de presente de aniversário, por mim, dado, já que sabe que enlouqueço com aquele cheiro - ataca-me pelo pescoço, através de uma mordida - daquelas inesperadas, que te arrepia até a alma -, feito um vampiresco.
Assistimos à cerimônia, cada um para seu lado, por méritos de educação e consideração ao casal, desviando olhares, evitando qualquer tipo de contato. Em uma dança, é pela cintura que me leva ao seu embalo, em um beijo terno, cessando nossa presença naquele local.
O resto, foi o resto, naquela noite.
Mas, é inevitável meu bem, não sentir tua presença, não sentir teu toque, tua pele, teu sexo. Inevitável meu bem, não sentir tuas palavras sussurando aos meus ouvidos, teus esbaforidos, e mesmo tua irritação. Inevitável não sentir tua presença, teu amor. E não fazer parte de todo o intenso calor. Inevitável não te deixar nunca, não te querer. Aos teus braços, no sufoco, na necessidade, não correr.
Ah, é inevitável.

3 comentários:

Sr. Stievano disse...

Oi.

Obrigado por ter visitado meu blog.
Gostei muito do teu jeito de escrever, suas narrativas são leves, não "engordam os olhos"...

ahuahuahuahuahauhahu

espero que volte a ler qualquer dia o meu blog.

=]

PS: Seu jeito de escrever me lembrou uma ex-namorada minha.

Bejo

Sr. Stievano disse...

ah.

Obrigado.

Eu já favoritei teu blog na primeira olhada que dei.

E de maneira alguma, seu jeito de escrever é ótimo, não irei lembrar coisas ruins por causa disso.

=]

Jota disse...

cara q blog massa e q texto bom de se ler