quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Whatever [parte III]

Acordei cedo, após uma tremenda e gostosa noite. A moça ainda estava deitada, deixei. Levantei, fiz um café bem forte e bebi. Um pouco de cafeína é o melhor jeito de manter-se em pé. Enquanto bebia, compenetrado, apenas olhava para a fora através da janela da cozinha. Vejo o reflexo, apenas o reflexo da mulher - enrolada em um lençol - com quem eu havia passado a noite. Cabelos negros até o pescoço, pele branca, muito branca, o que em sã consciência, achei muito atraente. Ela havia pego um de meus cigarros e estava ali, escorada sensualmente na porta. Sua maquiagem estava borrada, seus cabelos despenteados. Apenas uma mão segurava o lençol em seu corpo, pelos seus seios. Estava chovendo, mas estava quente, muito quente. Ela disse que não iria embora com chuva e iria esperar o horário de seu compromisso.
-Tudo bem para você?
-Tudo... claro. - respondi.
Agora estou aqui, com uma mulher sexy em meu banheiro, cheio de tesão, terminando minha terceira xícara de café, e apesar de todo o tesão, sem vontade nenhuma de transar. Óbvio que o problema não é ela. Ela é gostosa. Pernas roliças, curvas bem feitas, seios proporcionais, e cheia de tesão também.
Me jogo na cama, enquanto ela se ajeita no banheiro. Ela é fantástica na cama, ainda lembro dessa noite.
Detalho tanto as mulheres, pois esta é a parte de relacionamentos da minha vida. Desde que deixei minha noiva, não tive mais nenhum relacionamento sério ou duradouro. Não tenho muita certeza, mas acho que é por opção. Mas eu não abro-me a ninguém. Ninguém pode dizer que me conhece. E mesmo que eu me abrisse, falasse o que passa por minha cabeça, cada profundidade de meu ser, duvido muito que teria alguma coisa mais séria com alguém. Não sei exatamente se preciso disso. Sinto-me bem com a vida incondicional que eu tenho tido.
Acabei por dormir meio a tantos pensamentos. A noite já caiu, a mulher já foi embora há algum tempo. De certa forma, não sinto muita falta desse tal sexo. Deixou um bilhete sobre a mesa da czinha, com seu telefone e um "me ligue". Lá, mais um telefone, para ser substituto. Asfixio o sexo meio a tudo o que acontece dentro de mim.
Vou tomar um café.

0 comentários: