terça-feira, 25 de novembro de 2008

And so it is.

Só o velho blues rolando na vitrola. Dessa vez, sentada no degrau para a sacada, vendo o que eu quero, não o que há. O sol tá se pondo, sim. Mas tá se pondo à minha maneira. Na real de qualquer um, apenas um céu nublado, sem graça. Um engarrafamento infernal e louco, de quem só quer chegar em casa logo, depois de um dia desgastante [ou não] no trabalho. Buzinas e sons entorpecedores. Para mim, o trânsito já não é caótico, pois ele não existe. As pessoas atravessam a pé esse cruzamento. Lá no fundo há colinas, um sol se pondo, deixando o céu rosa-alaranjado. Hpa dois helicópteros sobrevoando a área. E aqui, alguns cigarros no chão, meu chão se esfregando no meu violão, e a taça de vinho não terminada.
No fim das contas, a noite fica gostosa. Acabo por ir caminhas na praia, por horas. A areia entre meus dedos, e pinicando nas minhas pernas, devido à ventania, traz-me memórias de coisas que eu nem sei se um dia vivi. É mais fácil atirar-se na areia, tratando-a como tempo e deixar tudo de lado. Mas amanhece, talvez o nascer do sol por lá faça-me relaxar. Não sei se tenho muitas sensações. Amechece e eu ainda estou na praia. Chego em casa, rumo a um banho. E mais um dia. Telefone tocando, celular na mesma. É terça-feira, você tem que trabalhar.
Chegando na hora do almoço, com cara de quem tá com sarampo, o cheve até preocupado. Estou bem. Tanto faz. É mais um dia - que te causa um surto interno - naquela repartição. Ninguém tá lá realmente para trabalhar, a menos que, aquela seja a repartição da vida alheia, e eu não tenha percebido ao me candidatar à vaga.
A propósito, quando chego em casa, o telefone tocava. Tocava loucamente, convidando-me a atendê-lo. Deixo tocar. Só quero tomar um banho e relaxar. O mundo hoje pode explodir.
À menos que o telefone continue tocando desesperadamente nos próximos vinte minutos, enquanto você tenta relaxar no seu momento mas íntimo, te estressando mais um pouco, com a resistência de quem chama, te aclamando para que atenda.
Enrolo-me na toalha e atendo aquela porcaria.

[E por aqui, findo a primeira parte. Não quero que tenha muita ligação com a segunda. É outra história.]

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