sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Vale

Chego na casa de minha amiga para depois sairmos. Ela ainda não está pronta, vai tomar banho. Fiquei na sala, assistindo tv, apesar de sua insistência para que eu entrasse no banheiro junto para ficarmos conversando. Não vejo problema nisso, conversamos muitas vezes no banheiro, enquanto a outra toma banho. Apenas, dessa vez, preferi ficar na sala, assistindo à alguns clipes musicais na televisão.
Seu pai chega na sala, e senta-se ao meu lado. Damos algumas risadas, como de costume. Admito que sempre tive atração por ele, mas sempre foi só atração. Hoje seu perfume dominava cada célula de mim e minha noção. O silêncio soou alto, e quando viro a cabeça, ele está olhando. Olhando com o desejo. Seus olhos castanhos delirantes sobre mim. Não sei muito bem como devo reagir. Retribuo o olhar e volto o olhar somente à televisão. Atrevo-me olhar de canto e um beijo vem ao meu entrontro. O risco que eu estou correndo é imperdoável. Sim, ele é divorciado. Mas essa não é a diferença.
Levamos adiante durante algum tempo. Quanto mais nos temos, mais avançamos, mais nos queremos, sem escondermos tais desejos.
Quando perco o controle é preciso revidar. Estou aqui, em sua casa, em sua cama, noite após noite, a cada noite. Minha amiga, a quem posso talvez dizer que estou traindo, está em seu primeiro mês de intercâmbio, na Holanda.
Tudo tá tão intenso, a libido incontrolável. E não dá mais pra esconder tal relação, não há mais saídas. Falo, cesso. Visto-me, pego a bolsa e saio.
Estou revidando o desejo e o prazer.

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