segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Out.

Então, fiquei um tempo sem postar, sim. Parece que minha cabeça anda muito vazia, apesar de tanta coisa ocorrendo, sei lá.
Bom, mas eu percebi que quando as coisas mudam, o jogo vira, e isso te afeta, muda teus conceitos. E o que não parecia bom antes, agora torna-se o que tu quer. Principalmente quando tu enxerga uma vida se esvairando à tua frente.
Correr atrás, tentar. Talvez não seja tarde ainda.
Não, não vou começar a postar sobre minha vida aqui. Tou indo atrás de alguma coisa pra falar e desentubir a cabeça um pouco.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Fim de semana

eu posto alguma coisa. Sem condições por enquanto. Muito trabalho e pouca merecida gandaia. Enquanto isso, boa semana pra vocês.
Posts antigos são ótimos no quesito nostalgia, vale à pena.

domingo, 30 de novembro de 2008

...Feliz ano novo!

Tá, mas peraí. À que exatamente brindamos? Brindamos mais um ano que se foi, mais um ano que chegará, sem ao menos saber se estaremos vivos, ou mesmo, se estamos vivos. Eu não digo vivos fisicamente, da maneira que podemos morrer a qualquer instante de um ataque do coração ou mesmo atropelados por um caminhão. Eu digo mortos mentalmente. Durante muitos dias agimos como vegetais. Tudo bem que cada um viva como quiser, de acordo. Mas de que adianta vegetarmos durante o ano e depois brindarmos vida, saúde, felicidade? E, digo mais. Não aproveitamos nossas vidas, e não desfrutamos às pessoas. Aliás, muitas vezes sim, desfrutamos-as. Mas desfrutar a próprio benefício realmente é desfrutar alguém? Com tudo o que uma pessoa pode lhe oferecer, queremos apenas as partes que são visíveis aos olhos, e que de certa forma nos beneficiam.
Brindamos, brindamos. Brindamos dia após dia em que desfrutamos de tal forma as pessoas, cada detalhe da vida que perdemos. Cada insulto que oferecemos, cada briga, cada discussão. Cada falta de paciência, cada saída de si. Cada enlouquecida que demos com quem vive com a gente. Brindamos as vezes que ofendemos, que deixamos de falar algo bom, que em vez de um sorriso, causamos uma amarga lágrima, que em vez de um abraço, derrubamos as pessoas no chão, que em vez que uma profunda gargalhada, humilhamos as pessoas. Brindamos cada dia que agimos assim durante o ano.
Brindamos a pessoa que deixamos de ser, brindamos o que nos tornamos. E brindamos a máscara que usamos para ficarmos frente a frente com os outros. Brindamos as brigas, as mentiras, as impulsões. Brindamos o desconforto causado, o silêncio instalado. Brindamos a mágoa, e não a reconsiliação. Brindamos os fracassos, as recaídas. Os desamores, o ódio, a loucura. Brindamos tudo o que corre por nossas veias, o fluído que o coração faz bombar.
Brindamos com nobres palavras, mascarando a real vida, as dificuldades, os problemas. Brindamos fingindo. Construindo em meras horas, um castelo de bolha de sabão, destrutível em pouquíssimo tempo, estourado apenas com o vento, ou o olhar para o ponteiro do relógio.
Até acredito que pra muitos, essas celebrações realmente sejam fantásticas. Onde todos se reúnem, e realmente celebram todo o amor. Por que aí, ele simplesmente existe. Não quero generalizar todos os casos. Mas assim como o amor existe nessas situações, a hipocrisia não deixa de estar presente também.
Se você parar alguns minutos, e nem que seja para olha fixo para algum lugar, e com a mente, ir desmascarando tudo o que há por trás de tudo isso, sobra apenas mais um dia.
Bolhas de sabão estão longe de serem eternas (POC, estouram).

Adeus ano velho...

Bom, e mais um ano chegando ao fim, encaminhando-se à reta final. Dessa vez, em off. Sem nenhuma história em mente, e nem menos alguma coisa realmente legal pra falar. Apenas precisava escrever alguma coisa. Não importa o quê, apenas escrever.
Mais uma vez nos reunimos no que chamamos de ''família'' (sim, entre aspas, porque, nem pra todo mundo, o que temos e convivemos, ou o que se junta nas festividades é família). Aliás, nem sei se considero que tenho uma família. Enfim, isso não convém.
Então, quando essa época do ano chega, tenho que participar dessas festas. Na real, de verdade mesmo, festas não me interessam muito. Menos ainda essas festividades de fim de ano. Maior chatisse ficar seguindo tradições de família ou mesmo religiosas. Se é por que é feriado, uma data especial, e pra fazer algo fora do comum, pra quê tornar as coisas em coisas comuns, que serão repetidas todo dito ano? Por quê então, não resolvemos sair do comum a cada ano, fazendo alguma coisa que nunca fizemos? Acumularíamos experiências, novas. Boas, ou mesmo ruins. Me sentiria bem fazendo isso. Saindo da rotina e saindo do padrão. A cada ano. Me sentiria feliz. Uma espécie de realização.
Mas não, em vez de realizar-me, tenho que seguir esses padrões, essas instruções. - Então, pra deixar claro, as coisas aqui em casa são diferentes no quesito família. Digamos que ela é desmantelada. Com pessoas hum, como se diz hoje em dia? Ah sim, quadradas. Enfim. - Reunimo-nos e comemoramos. Comemoramos o nascimento de alguém que muitas vezes, pouco conhecemos, ou mesmo sequer acreditamos; comemoramos mais um ano que se foi, e que sequer foi um ano bom, ou mesmo um ano por nós valorizado. Mas no fim, levantamos as taças, cheias de champagne, e brindamos. Brindamos como se aquele tivesse sido o baita ano de conquistas, de sucesso, de amor e união. E desejando muito mais desses valores ao próximo ano, mesmo esses valores não sendo nem um pouco concretos à nós, pois não os praticamos, não fizemos eles existirem. E tudo isso, desejando ter um mínimo de paciência pra suportar essas memas pessoas, que estão aí contigo, taça à taça, fazendo desejos, com aquele enorme sorriso na cara, fazendo jus à hipocrisia social.

Continua (...)

sábado, 29 de novembro de 2008

Solidão II

A solidão concede ao homem intelectualmente superior uma vantagem dupla: primeiro, a de estar só consigo mesmo; segundo, a de não estar com os outros. Esta última será altamente apreciada se pensarmos em quanta coerção, quantos estragos e até mesmo quanto perigo toda a convivência social traz consigo. -Todo o nosso mal provém de não podermos estar a sós-, diz La Bruyère. A sociabilidade é uma das inclinações mais perigosas e perversas, pois põe-nos em contacto com seres cuja maioria é moralmente ruim e intelectualmente obtusa ou invertida. O insociável é alguém que não precisa deles. Desse modo, ter em si mesmo o bastante para não precisar da sociedade já é uma grande felicidade, porque quase todo o sofrimento provém justamente da sociedade, e a tranquilidade espiritual, que, depois da saúde, constitui o elemento mais essencial da nossa felicidade, é ameaçada por ela e, portanto, não pode subsistir sem uma dose significativa de solidão. Os filósofos cínicos renunciavam a toda a posse para usufruir a felicidade conferida pela tranquilidade intelectual. Quem renunciar à sociedade com a mesma intenção terá escolhido o mais sábio dos caminhos.

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

Vale [Parte III]


O convite deveria estar estocado ali naquela caixa de correspondência há algumas semanas, assim como eu no apartamento. É engraçado quando você pára pra pensar em como a vida é gozada. E como ela parece simplesmente seguir em frente para algumas pessoas, da maneira mais simples possível, enquanto a única coisa que tu quer é ir levando tua vida, e nem isso tu não é capaz, sabe lá o por quê.
Conhecemos o cara na última viagem pra serra. Sim, conhecemos, no plural. Foi uma viagem que fizemos, eu e o pai daquela minha amiga lembra-te? Resolvemos passar um fim de semana na serra, e nos instalamos em umas cabanas. Uma das melhores viagens que já fiz. Aquele frio todo, de arrepiar o couro, e se bobear, rachar a pele. Na verdade, o frio me sustenta, e faz com que eu me sinta bem. Na verdade, o frio até torna tudo mais excitante para mim. Foi a viagem mais romântica e alternativa ao mesmo tempo. A cabana era rústica, toda feita em madeira. Não muito grande, mas essencial, e completamente aconchegante. Com uma lareira na sala, em baixo da televisão de plasma fixada na parede, toda construída de pedra, dando o toque mais rústico e campestre por lá. E nada mais gostoso do que chegar da rua, toda branquinha, coberta pela geada, e pela serração, e deitar-se no pelego frente à lareira. Nada melhor do que fazer isso com ele. Mas como tudo tem um fim, pus um fim em toda essa relação também.
Mas, voltando ao assunto, conhecemos o noivo lá, em um barzinho, numa sexta à noite. Como de costume, estava muito frio, e em vez de um bom vinho, ou um caloroso café, estávamos tomando chopp. Chopp. Ao que chega um casal de namorados querendo companhia para jogar conversa fora e se divertirem um pouco, aproveitando a ocasião para que tirássemos algumas fotos. A começo, era tudo muito recente para eles também, conheciam-se há seis meses e estavam juntos há dois. Óbvio que ninguém imaginou que após um ano e nove meses eles iriam estar casando-se.
Havia algum tempo que não tínhamos mais contato, muito além do tempo em que criei uma base de concentração em 'meu mundo'. Como fazia algum tempo que nada fazia, tomei por decisão de confirmar minha presença no evento.
Pra ser sincera, festas não são o meu forte, não é algo que realmente me excita, me anima ou me deixa feliz. Especialmente eventos como casamentos, festas de aniversário, etc. Mas, achei que poderia ser um bom atrativo para mim, sendo que veria velhos amigos, conheceria novas pessoas, talvez até rolasse algo com alguém, afinal, não tive contato (além de não ter contato visual, vocal, também não tive contato físico) com nenhum outro ser humano nas últimas seis semanas.
O que eu realmente não lembrei, é que isso poderia ser usado contra mim, como um bom pretexto para um reencontro com o único homem do mundo que eu não precisava rever. E eu não tive como evitar de ir ao encontro daquele homem com quem eu havia tido as minhas melhores experiências, o homem que sabia os momentos certos para tudo.
Resolvi que a hora era, de mandar tudo pro espaço. Desde as preocupações, o preconceito, colocar em jogo uma das melhores amizades que eu tinha. Agir com "egoísmo", e matar meus desejos.
E, como ele sabia os momentos certos para tudo, sabia mais do que isso, sabia também a maneira certa de fazer as coisas ficarem bem.
E quando ele me abraça, formalmente, com aquele abraço de reencontro, de saudade, de amor e de desejo, é como se tudo o que não estava certo antes, tudo o que não estava bem, e faltava, se acertasse, ficasse bem e se completasse. E discretamente - em vez de um beijo na bochecha, faz uso do artifício da provocação, com seu perfume de presente de aniversário, por mim, dado, já que sabe que enlouqueço com aquele cheiro - ataca-me pelo pescoço, através de uma mordida - daquelas inesperadas, que te arrepia até a alma -, feito um vampiresco.
Assistimos à cerimônia, cada um para seu lado, por méritos de educação e consideração ao casal, desviando olhares, evitando qualquer tipo de contato. Em uma dança, é pela cintura que me leva ao seu embalo, em um beijo terno, cessando nossa presença naquele local.
O resto, foi o resto, naquela noite.
Mas, é inevitável meu bem, não sentir tua presença, não sentir teu toque, tua pele, teu sexo. Inevitável meu bem, não sentir tuas palavras sussurando aos meus ouvidos, teus esbaforidos, e mesmo tua irritação. Inevitável não sentir tua presença, teu amor. E não fazer parte de todo o intenso calor. Inevitável não te deixar nunca, não te querer. Aos teus braços, no sufoco, na necessidade, não correr.
Ah, é inevitável.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Vale [Parte II]

Já fazem seis semanas desde que tudo terminou. E que deste apartamento eu não saio e não tenho contato algum com o mundo lá fora. O chip do meu celular dei para o gato. Deve ter comido. O telefone, como de costume de quando não quero atendê-lo, tiro da tomada. Pode tocar a vontade, eu deixo. A secretária eletrônica - esquece, eu nem tenho uma - ...
Não há mais comida aqui em casa. os armários e a geladeira estão vazios. Ainda há cigarros. Apenas cigarros. Não há mais bebidas. Não há mais sentimentos. Qualquer falta ou desejo, é um cigarro. Não como nada há uns três dias. Mas estou bem. Só tenho um pouco de sono. Na verdade acho que perdi alguns quilos. Aquela barriguinha não existe mais. Preciso pintar meu cabelo. Na verdade, preciso de uma vida novamente.
Junto todo o lixo jogado no apartamento, guardo as roupas jogadas pelo apartamento todo. Abro as janelas, tomo um banho e coloco uma roupa nova. Ligo para o salão de beleza, escovo os dentes e coloco em algumas caixas de sapatos os maços de WS que sobraram.
Comprei um chip de celular novo, e liguei para a companhia telefônica pedindo uma nova linha fixa. Saí de casa. As coisas continuam as mesmas, Compro comida para o gato, e alimento-o. Afinal, as coisas lá por casa estavam na igualdade. Se eu não comia, o pobre bixo também não. Enfim, aquele gato só não fumou também porque o aquela merda devia dar-lhe enjôos.
Após umas compras, chego em casa e abro a caixa de correspondências. No meio de jornais, revistas, contas e propagandas, há um grande e belo envelope dourado e branco. O convite de casamento de um conhecido.

Vale

Chego na casa de minha amiga para depois sairmos. Ela ainda não está pronta, vai tomar banho. Fiquei na sala, assistindo tv, apesar de sua insistência para que eu entrasse no banheiro junto para ficarmos conversando. Não vejo problema nisso, conversamos muitas vezes no banheiro, enquanto a outra toma banho. Apenas, dessa vez, preferi ficar na sala, assistindo à alguns clipes musicais na televisão.
Seu pai chega na sala, e senta-se ao meu lado. Damos algumas risadas, como de costume. Admito que sempre tive atração por ele, mas sempre foi só atração. Hoje seu perfume dominava cada célula de mim e minha noção. O silêncio soou alto, e quando viro a cabeça, ele está olhando. Olhando com o desejo. Seus olhos castanhos delirantes sobre mim. Não sei muito bem como devo reagir. Retribuo o olhar e volto o olhar somente à televisão. Atrevo-me olhar de canto e um beijo vem ao meu entrontro. O risco que eu estou correndo é imperdoável. Sim, ele é divorciado. Mas essa não é a diferença.
Levamos adiante durante algum tempo. Quanto mais nos temos, mais avançamos, mais nos queremos, sem escondermos tais desejos.
Quando perco o controle é preciso revidar. Estou aqui, em sua casa, em sua cama, noite após noite, a cada noite. Minha amiga, a quem posso talvez dizer que estou traindo, está em seu primeiro mês de intercâmbio, na Holanda.
Tudo tá tão intenso, a libido incontrolável. E não dá mais pra esconder tal relação, não há mais saídas. Falo, cesso. Visto-me, pego a bolsa e saio.
Estou revidando o desejo e o prazer.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Interrompida

Há aqueles dias em que a cabeça parece tão cheia, tanta coisa para liberar, tanta coisa pra falar, e aquela vontade de relaxar. Apenas isso. E quanto mais quer libertar tudo que há em tua cabeça, mais tudo refugia-se de ti.
Talvez este momento já tenha passado. Então, peço-te que entre, e sente-te no sofá como antigamente.
Muito tempo passou, muita coisa aconteceu. Mas nada mudou, entre nós, desde que tu te fostes. Sim, pode ficar à vontade, se quiser, deite, te estique. Sabe que pode sentir-se em casa. Espero que não te incomode se eu acender um cigarro.
Agora que tudo se acalmou, acho que pode ser hora de uma reconciliação e reorganização dos sentimentos. Tudo está voltando ao seu devido lugar. A rotina findou-se, e talvez agora eu seja capaz de conciliar alguma coisa entre nós. Ai, Deus, como eu era uma pessoa incapaz. Por que eu me tornei alguém tão incapaz de amar-te como tu me amavas? Eu joguei todo teu amor ali às margens de um bueiro. Desculpa, eu não estava pronta pra ti, para sentir o que tu sentias, e retribuir-te toda aquela sensação que tu me causava. Foi a melhor que eu já senti em toda a minha vida.
Mas hoje eu compreendo quanto sentimento tu guardou, e incrivelmente tu reservou-o pra mais tarde. Como sabias que seria útil mais tarde? Não vou apelar para a modéstia agora, não preciso dela. Sei que se tu tá aqui, à minha frente, nesse sofá, tu não veio em vão. Sei que tu tá aqui por que me quer, por que ainda há o desejo fulminante por trás desses teus olhos castanhos e por baixo da tua pele branquinha, arrepiada pelo frio. O velho moletom já atirou sobre o braço do sofá.
Eu gostava de sentir o que eu sentia. Resolvi parar de querer sentir porque ainda não era tão intenso, como eu gostaria que fosse. E eu não podia agir assim com você. Eu sabia que o tempo tornaria as coisas intensas, como elas eram no início. Todo aquele desejo, a libido no ar. A vontade e a saudade. Era amor, e não era confusão de amizade.
O que eu mais gostava, era poder olhar dentro dos teus profundos olhos castanhos-mel, e não precisar falar nada, por que tu arrancava as palavras dos meus olhos. Eu sentia todo o conforto e segurança do mundo ao teu lado, no teu abraço mais acalentoso. E todas as nossas pequenas brincadeiras, nossos carinhos, nossos amores. No início era tudo tão intenso, as despedidas, os reencontros. Ou mesmo nas vezes em que a gente acampava. Aliás amor, lembra do nosso primeiro acampamento? Nossa primeira experiência em solo natural, em contato com a natureza, discutindo pra armar a barrcaca, as confusões no meio da noite.
Adorava também o seu jeito de dormir, e o jeito como tu me acordava pelas manhãs em que dormíamos juntos, e depois ainda ia pra cozinha fazer um café.
Pouca coisa mudou, mas creio que hoje consigo ter um pouco mais de amargura dentro de mim. Mas ao certo, sei que estou pronta para capacitar todo o amor por ti. Tenho vivido um pouco mais ultimamente, em todos os sentidos.
E agora, o jeito em que tu me olha enquanto me abraças, e eu sinto tuas lágrimas chegando aos meus dedos, estendidos ao teu rosto.
Enfim, novamente, na cama, os velhos amantes de sempre.
Mas meu bem, meus olhos vermelhos não negam o que foi passado. O conforto e o calor do teu corpo é o que me agrada, o que me intensifica. E é corpo a corpo que estaremos de hoje em diante, como éramos antes.
A velha história clichê de tudo o que acontece no passado que não se esquece. Mas tu, velho amigo, sempre será o que és pra mim. Velho amigo, velhos amantes.
A cada segundo mais confortante e delirante, um segundo a menos contigo. Apenas vista tua roupa, junte teu moletom lá na sala. Me olha uma última vez, pega tuas chaves, e te vá.
A perdição e o delírio tomarão conta de nós. Até a próxima.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

And so it is. [Parte II: Desabafo]

(...) Enrolo-me na toalha e atendo aquela porcaria. É apenas aquela "velha amiga" que lembrou de sua existência após muito tempo, devido à necessidade. Largou o namorado, voltou a passar por crises e dificuldades. Mas há anos ela já não lembra de você, se você está bem ou precisa de algo. Não te cumprimenta na rua, mas te agradece por você ter sido uma amiga tão boa por tanto tempo. Como de costume, ouviria teu desabafo, Fulana, mas dessa vez, não. Não, porque não dá mais. A propósito, nem nos conhecemos [mais]. Não tenho a obrigação de fazer com que tu te sintas bem mais uma vez, mas ainda sou capaz de também agradecer-te por tudo o que fizestes por mim, quando de ti eu precisei. Ou mesmo de muitas vezes fazeres todas as coisas ao teu favor. Mas agradeço também por ter usado-me à sua própria maneira e condições, com todas as soluções pra ti, enquanto se minha vida estivesse desmoronando, ou morrendo, você, nem ligava. Obrigada por ter sido a "parte mais importante da amizade" - ou pelo menos, ter considerado-se de tal forma -, a parte mais suja, pois sabia que eu sempre iria jogar limpo. Você me fez crescer, mas não é por isso que dessa vez não vou te ouvir, nem mesmo dar-te um conselho também. Não espero que você ententa. É problema seu. Se vira.
Aliás, tu é o tipo de pessoa que nunca vai aprender a se virar, sempre haverá alguém ali, não pra você, porque você nunca vai aceitar essa pessoa. Seja ela quem for. Mas ela vai estar ali. Vai estar ali sempre esperando mais, ou pelo menos, alguma coisa de você. Mas você não vai retribuir, você não tá nem aí. Pra ti, a obrigação da pessoa é estar aí pra ti. Mas ela vai resolver teu problema. Esse único que tu vê, sim. O resto, o mais essencial, é invisível aos teus olhos, e tu nunca vai perceber. Mas essa pessoa não sou mais eu. Nunca será alguém assim pra sempre pra você. É perceptível pra quem quer ver. Apenas veja quantas pessoas já fizeram isso por ti. Mas teus problemas não irão findar-se, enquanto isso não acontecer e enquanto tu for assim, insistente em não ver.
Claro que não falei isso, também não vou falar, não cabe à mim isso.
Apenas desligo o telefone. Inclusive o tiro da tomada. Volto para um banho demorado, e dessa vez relaxante. Me jogo ao chão da sacada, recostada na parede. Dessa vez, o sol realmente se põe, com classe digna de um pôr-do-sol. Acendo um cigarro, e um incenso para dar um clima diferente na casa, trocando os ares. Ligo na vitrola o velho blues e me agarro na garrafa de vinho. E sem essa de ressaca moral.

And so it is.

Só o velho blues rolando na vitrola. Dessa vez, sentada no degrau para a sacada, vendo o que eu quero, não o que há. O sol tá se pondo, sim. Mas tá se pondo à minha maneira. Na real de qualquer um, apenas um céu nublado, sem graça. Um engarrafamento infernal e louco, de quem só quer chegar em casa logo, depois de um dia desgastante [ou não] no trabalho. Buzinas e sons entorpecedores. Para mim, o trânsito já não é caótico, pois ele não existe. As pessoas atravessam a pé esse cruzamento. Lá no fundo há colinas, um sol se pondo, deixando o céu rosa-alaranjado. Hpa dois helicópteros sobrevoando a área. E aqui, alguns cigarros no chão, meu chão se esfregando no meu violão, e a taça de vinho não terminada.
No fim das contas, a noite fica gostosa. Acabo por ir caminhas na praia, por horas. A areia entre meus dedos, e pinicando nas minhas pernas, devido à ventania, traz-me memórias de coisas que eu nem sei se um dia vivi. É mais fácil atirar-se na areia, tratando-a como tempo e deixar tudo de lado. Mas amanhece, talvez o nascer do sol por lá faça-me relaxar. Não sei se tenho muitas sensações. Amechece e eu ainda estou na praia. Chego em casa, rumo a um banho. E mais um dia. Telefone tocando, celular na mesma. É terça-feira, você tem que trabalhar.
Chegando na hora do almoço, com cara de quem tá com sarampo, o cheve até preocupado. Estou bem. Tanto faz. É mais um dia - que te causa um surto interno - naquela repartição. Ninguém tá lá realmente para trabalhar, a menos que, aquela seja a repartição da vida alheia, e eu não tenha percebido ao me candidatar à vaga.
A propósito, quando chego em casa, o telefone tocava. Tocava loucamente, convidando-me a atendê-lo. Deixo tocar. Só quero tomar um banho e relaxar. O mundo hoje pode explodir.
À menos que o telefone continue tocando desesperadamente nos próximos vinte minutos, enquanto você tenta relaxar no seu momento mas íntimo, te estressando mais um pouco, com a resistência de quem chama, te aclamando para que atenda.
Enrolo-me na toalha e atendo aquela porcaria.

[E por aqui, findo a primeira parte. Não quero que tenha muita ligação com a segunda. É outra história.]

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Só.

"Estar só vai além do movimento externo a nós, com este "só" é mais fácil de lidar. Mas quando o só é estar com a própria solidão escolhida, aí sim, é necessário responsabilidade e talento para ser dois ou mais, pois a solidão é um outro corpo dentro de nós."

Clarice Lispector.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Whatever [parte III]

Acordei cedo, após uma tremenda e gostosa noite. A moça ainda estava deitada, deixei. Levantei, fiz um café bem forte e bebi. Um pouco de cafeína é o melhor jeito de manter-se em pé. Enquanto bebia, compenetrado, apenas olhava para a fora através da janela da cozinha. Vejo o reflexo, apenas o reflexo da mulher - enrolada em um lençol - com quem eu havia passado a noite. Cabelos negros até o pescoço, pele branca, muito branca, o que em sã consciência, achei muito atraente. Ela havia pego um de meus cigarros e estava ali, escorada sensualmente na porta. Sua maquiagem estava borrada, seus cabelos despenteados. Apenas uma mão segurava o lençol em seu corpo, pelos seus seios. Estava chovendo, mas estava quente, muito quente. Ela disse que não iria embora com chuva e iria esperar o horário de seu compromisso.
-Tudo bem para você?
-Tudo... claro. - respondi.
Agora estou aqui, com uma mulher sexy em meu banheiro, cheio de tesão, terminando minha terceira xícara de café, e apesar de todo o tesão, sem vontade nenhuma de transar. Óbvio que o problema não é ela. Ela é gostosa. Pernas roliças, curvas bem feitas, seios proporcionais, e cheia de tesão também.
Me jogo na cama, enquanto ela se ajeita no banheiro. Ela é fantástica na cama, ainda lembro dessa noite.
Detalho tanto as mulheres, pois esta é a parte de relacionamentos da minha vida. Desde que deixei minha noiva, não tive mais nenhum relacionamento sério ou duradouro. Não tenho muita certeza, mas acho que é por opção. Mas eu não abro-me a ninguém. Ninguém pode dizer que me conhece. E mesmo que eu me abrisse, falasse o que passa por minha cabeça, cada profundidade de meu ser, duvido muito que teria alguma coisa mais séria com alguém. Não sei exatamente se preciso disso. Sinto-me bem com a vida incondicional que eu tenho tido.
Acabei por dormir meio a tantos pensamentos. A noite já caiu, a mulher já foi embora há algum tempo. De certa forma, não sinto muita falta desse tal sexo. Deixou um bilhete sobre a mesa da czinha, com seu telefone e um "me ligue". Lá, mais um telefone, para ser substituto. Asfixio o sexo meio a tudo o que acontece dentro de mim.
Vou tomar um café.

Whatever [parte II]

E sei exatamente como é se sentir velho. Tou atirado sobre esse sofá há dias, e tudo está virando rotina. Meu gato acaba de vomitar ao lado da televisão. Talvez ele não coma nada há tento tempo quanto eu. Pobre bixo. O uísque, a vodca, e a cerveja já terminaram. Só há copos e cigarros aqui na frente. Devo ter dormido pelo menos umas quinze horas e me sinto cansado e envelhecido. Apesar de o banheiro estar com cheiro de vômito, não lembro de ter vomitado. Passo um desinfetante, tomo um banho. Enquanto a áua corre sobre meu corpo - posso até sentir um tal desconforto. Um engano absurdo.Nada mais é intenso. Nem o tempo. Mas ele não pára. Não soube dar apenas os primeiros passos. Ele corre, como se precisasse fugir, e de um refúgio. - sinto meu cansaço renovar-se, o tempo passando e a velhice se instalando. Enxugo-me e nesse espaço para mim, o reflexo surge no espelho, por entre vapores da água que ainda circulam pelo banheiro. Desembaço o vidro do espelho com as mãos e a toalha atiro ao chão. Toda essa "carcaça" mudou, não é mais a mesma de um tempo atrás. Não tenho certeza de qual prefito. Estou mais velho, talvez mais usado, ou terminado. O corpo de um tempo atrás era mais puro, pele lisa e jovem. Mas não pertencia ao mesmo homem. A este.
O telefone está tocando, são meus amigos. Há um show local esta noite, velhos amigos. Tanto faz uma saída ou outra. Talvez seria bom abandonar por uma noite este apartamento. Está largado às traças mesmo comigo aqui.
...
O show foi bom, muito rock, rock das antigas. Estávamos numa galera enorme, uma pá de gente que eu não via há anos. Acabei conversando por horas com um baita parceiro meu, baterista de uma banda da qual já fiz parte, em um barzinho após o show - o cara contou-me histórias, muitas histórias, inclusive sobre como sua vida mudou - quem sabe algum dia penso em contá-las aqui.
Minha vida não mudou muito desde que abandonei a banda, e não temos mais convivido muito. Apenas passei por algumas experiências, que tornaram-me um homem mais maduro. Continuo vivendo como mais ou menos, uns dez anos atrás - até chegarem algumas mulheres à nossa mesa.

domingo, 16 de novembro de 2008

Whatever

Na conformidade de cada segundo "wasted", sem noção do que se considera tempo -da demora de tal- o ócio corrói-me em minhas veias. Toda a circulação sangüínea não é mais a mesma, e intensa. Resolvo finalmente, jogar este violão de lado, levantar-me deste velho sofá e desligar a droga da televisão. Antigamente as coisas eram melhores. Pago mensalmente minha televisão por assinatura, com direito a mais de duzentos canais. Nenhum sequer que faça-me sentir algum apreço por isso. Tanto faz também, se quer saber. Pego meu sobre tudo, enrolo o cachecol sobre o pescoço e vou à procura de uma noite um pouco menos depreciante.
Enfim, mízera quarta-feira. Logo em frente ao prédio, somente algumas putas profissionais marcando seus pontos, mortas de frio, sob minissaias e minishorts, blusinhas decotadas. Belos seios, aliás. Não preciso disto agora. Quem sabe outra hora.
Já há filas em algumas danceterias, muita canabis e algumas pastilhas coloridas. São apenas crianças. Divirtam-se.
Olho para essa cidade iluminada. Outdoors, todos os tipos de propaganda, de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. Em edifícios. Edífícios esses, cada vez maiores, pelos arranha-céus. Isso tudo já foi apenas um mízero monte de natureza. Matos, plantas, folhas.
Tanto faz também, não vou mudar. Não tou aqui pra isso. Entro na loja de conveniência - até hoje nunca descobri o motivo, mas essas pequenas lojinhas sempre me interessaram, me pareceram legais, muito mais convidativas e interessantes que qualquer outro hiper mega supermercado. - compro outra carteira de cigarro, enquanto fumo o último que tinha. Tá frio, tá realmente muito frio, mas devo admitir que isso relaxa, acalma e excita-me. Sigo andando, em cada beco há gente apanhando, agiotas, ou mesmo alguns caras fazendo putas trabalharem. E acredite, há becos por aqui.
Faz tanto frio, que já não sinto meus dedos ou lábios, é difícil controlar o cigarro. Todo movimento é intenso. Não quero voltar para casa esta noite, simplesmente quero amanhecer. Amanhecer mais uma noite, jogado à noite na rua. Sinto-me bem. E confortado. No meu lugar, fazendo o que pertence-me. Ou, ao menos, o que eu quero.
Entro naquela cafeteria 70's vazia, escolho algo do meu agrado na jukebox e sento-me na mesa ao lado da mesma. Dizem que café faz bem à saúde. Dane-se a saúde. Já bebeu café fumando cigarros? É aquele momento.
A garçonete é realmente muito atraente. Loura, cabelos ondulados aos ombros, seios naturais e firmes. A pele tem aquela textura de um pêssego. Não a toquei, mas esta é daquelas que você nota de longe. A cinturinha fina e delicada. Nem magra, nem gorda, sensual. A sua delicadeza e sutileza ao servir, e seu rebolado ao retornar deixam qualquer homem, por mais que hostil, maluco.
E deixo a noite esvairar-se por entre xícaras e alguns cigarros - ok, estou na terceira carteira - tal qual minha vontade. Horas surtando em pensamentos, horas somente com a música entrando e saindo de meus ouvidos. Já não sei quantas xícaras de café foram, mas sinto-me intenso. Intenso por completo. Minhas mãos tremem, mas eu não sinto vontade de parar. O sol daqui a pouco nascerá, mas é a indiferença que torna-me assim. Não preciso de nada para fazer, não há nada para ser feito. E assim, termino mais uma noite. Os olhos da garçonete, seu belo corpo e curvas, já me atraíram, e já se foram há algumas horas, com o fim de seu expediente.
Entre tanta intensidade, tremedeira, e confesso, devem estar pelo menos uns dez graus negativos, mas está escorrendo suor de minha face e pescoço. Estou realmente intenso, tomando rumo para casa. A cidade também está intensa. Todo o movimento de carros e pessoas. Pessoas rotinadas. Pessoas que levam a vida que nunca quis mas já levei.
Dois quarteirões antes de casa, num daqueles becos, gemidos. Gemidos femininos, naturais por lá. Apenas bato o olho. Uma das duas louras naquele beco, a bela garçonete.
Chego em casa, atiro-me no velho sofá novamente. Ligo a televisão, e mais um dia finda-se. Adormeço com a luz solar insistente em ratear em meus olhos, e com algum canal musical na televisão. Tanto faz também.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

ême

Às vezes é engraçado ficar pensando em toda a vida que tu deixa de viver. Há tanta coisa para ser aproveitada, são tantos dias simplesmente disperdiçados por bobeira. E esse fim de semana até foi bom pra pensar nisso. Não tenho certeza de onde ficam todos aqueles momentos perdidos, ou mesmo aqueles delirantes. E aqueles que você simplesmente descarta.
Não é questão de tédio, é ócio mesmo. Quando a ausência de algo útil está presente, já era. Tua cabeça começa a viajar, e toda essa perdição e delírio sai do teu controle.
Eu quero ter toda aquela liberdade, eu quero fazer da minha vida um filme. Eu quero me jogar em cada momento, sem pensar em conseqüências, eu sei, não é assim, mas quem nunca sonhou naquela vida perfeita, em que você curte loucamente cada desejo?
Eu não quero atirar meus desejos à sarjeta, ou apenas deixar com que a vida encarregue-se de todos eles, ou que tente me guiar. Meu livro não está escrito como eu quero, não há como negar.
Eu quero a solidão, eu escolho esta. Loucamente me sinto livre e insana, e é assim que eu quero pra mim.

Ócio

Tá, eu não postei e acho que nem vou postar o fim daquela história ali. Tanto faz. Pelo menos me rendeu uma boa nota em português. E pra mim isso é o que importa, no momento, entanto.
Então, sei lá, tá tudo meio abandonado, não só aqui, mas como na minha vida também, é o que parece pelo menos.
A coisa que eu mais tenho procurado ultimamente é a mim mesma. Mas é tão difícil encontrar-se. Mais difícil do que passar dias procurando algo que você precisa muito, e não sabe mais onde procurar. Parece uma procura que nunca terá fim. É uma procura muito mais demorada, em que sua única esperança é que no fim das contas tu te encontre.
É complicado.
Então, ultimamente tenho pensado muito no que eu ando fazendo, e o pior é que eu não tenho a mínima idéia. Meus pensamentos andam muito desordenados, já não consigo mais pensar em uma coisa só. A propósito, esse post nem era pra ser sobre isso, mas os pensamentos jogam-se um por cima do outro, e vira uma confusão. Já nem durmo direito. E agora, nesse horário de verão, as horas simplesmente parecem querer escapar entre os dedos feito areia.
Sim, a carência de fotos decentes nem precisa de comentários. Na verdade essa fui eu que tirei mesmo. Deve ter uns dois anos. E dá pra dizer que foi uma noite muito boa. Tipo cartão postal da cidade, e essa vista, é totalmente memorável em mim pra sempre.
Na verdade nem sei se eu tenho muita coisa a dizer.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Why so serious?


Sim, Joker me inspira.
A partir de hoje, vou ir postando uma história, cada dia um capítulo.
Nada que seja grande coisa, mas que dá pra passar o tempo.

Por que tão sério?
Capítulo I

Acho que a vida nunca foi fácil para mim. Acabei sendo o filho mais velho, ou seja, ao menos, na minha família, o filho que mais tinha de ceder qualquer coisa aos irmãos, sem nunca ganhar nada em troca, apenas ilusões de que um dia eu viria a crescer, deixando para trás meus quatro irmãos, trabalhar dignamente, ser alguém na vida, constituindo família.
Sempre que eu me frustrava, por conta de minha família, eu me afundava em tantas lástimas, no canto da parede do quarto, sentado na cama com os joelhos encostados ao peito. Ficava ali, talvez imaginando como seria meu futuro, talvez imaginando a vida em outros planetas, não recordo direito. Sei de uma época, em que eu deixei o canto de lado, pois tive de entender que teria de deixar para meus irmãos este também. Afinal, já nem havia mais sossego por lá. Comecei a me contentar apenas deixando-me deitar sobre o chão do pátio lá de casa, enquanto sempre a primeira lágrima corria do meu olho direito, sentindo-a na bochecha, e após caindo ao chão. E mal sabia eu, que ali estava prestes eu, a fazer meu futuro.
Caía a noite, vinha a lua, mas lembro dela mesmo, não de quando estava branca, mas daquela lua laranja, aquela lua nova perfeita, que pairava sob o céu enquanto escurecia. Depois, vinham as estrelas, umas brilhantes, outras nem tanto. Tantas constelações. Imaginava quantas delas poderiam ser planetas, quantas delas existiam. E quando pensava nos outros planetas, imaginava a vida fora da terra, com aqueles alienígenas e extraterrestres que a televisão nos fazia imaginar e criar dentro de nossas mentes.
O tempo foi passando, e conforme ia crescendo, eu comecei a escrever, cada dia escrevia mais, cada dia, uma experiência que imaginava ter com extraterrestres. Eram meus diários mais secretos, e depois de uns três anos, quando dezessete tinha eu, eu já tinha porções de cadernos inteiros, com tais imaginações escritas. Não sei se alguém já soubera deles, mas de uma coisa eu tinha certeza, nunca ninguém os tocou. Sentia-me bem, sabendo que ninguém jamais leria meus mais profundos pensamentos, minha imaginação mais liberada. Ficavam guardados em um caixote de madeira, sob minha cama.
Certo dia, estava esperando meu irmão caçula sair da aula. Esperava em frente à escola. Enquanto aguardava, aproveitava o tempo para ficar junto da menina de quem estava paquerando (afinal, as coisas não eram tão fáceis como hoje em dia, em que se “chega chegando” e beijo é dado em liquidações em praças públicas). Não estávamos sequer próximos, mas os olhares cruzados, as bochechas coradas, o coração a mil. Bom, aí meu irmãozinho chegou. Apesar do seu pequeno tamanho e idade, pode apostar que ele era um ser muito bem dotado de inteligência. Não preciso nem citar o fato de que tive que implorar para papai e mamãe não saberem. As coisas não eram fáceis assim pra mim, já que eu era o cara estranho da família, sempre no “mundo da lua”, pensando no futuro, ou mesmo, escrevendo por horas. Por um lado, mamãe e papai nunca souberam do episódio, mas hoje, lá no fundo do meu ser, eu desejo profundamente, com cada célula do meu ser, que o pequeno garoto tivesse falado.

Efe cinco

Bem, devo admitir que minha cabeça tava tão cheia de coisas até anteontem à noite, que dariam pelo menos uns três bons [cahãm] posts. Mas não estava em condições de fato sanas para isso, então, deixa pra lá.
Então, a professora pediu um texto de ficção pra amanhã. Pra ajudar um pouco, ficção é minha classe literária preferida [aham] e minha mente anda de tal forma, que pensar tá fácil, mas escrever tá complicado. Sei lá o que tá rolando.
Incapacidade [in]sana.
Enfim, pra variar, hoje não escrevi nada ainda, e é provável que também não escreva nada que preste, mas só pra dar uma atualizada né. Enfim.
E sim, tou sem imagens decentes/legais, daí restou esses esquis aí.
Bom, vou ler e pensar algumas coisas para o texto fictício. Não é muito fácil pra quem tem como paixão, a realidade.
Ah, em relação ao garoto virgem e seu site, acho que dispensa qualquer comentários. Não, não vou colocar o link aqui. Se quiser, joga no google/orkut. Ou, espera domingo que provavelmente ele aparecerá no fantástico, com as suas fantásticas matérias, cheias de conteúdos exclusivos.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Tão tal


Ando rabiscando
Através de linhas
Talvez procurando
Alguma perfeita sintonia

Sem rumo ou objetivo
Não esforça não agrada
Sei também não cativo
À procura de abrigo numa nova caçada

Ah se a volta não fosse tal
Seria a minha escolha
Mundo afora sem pensar em mal
Plastificada bolha

Dizem
Que o pior cego é o que não quer ver
Fazem
Tudo se torna elementar tal qual como ser

Aliv[ie]

Carregue recarregue
Mais um dia vivo
Mais um dia não vivido
Apenas rugas na face

O sofrimento
Culminante em cada célula
A resistência em cada artéria
Culpe culpe

Rabisco

Quero
Endereçar
escrever colar selar postar
Não

Não
Mera carta
Certos rabiscos
Em folha

Endereçar
Escrever colar selar postar-ME
Meu ser vida capacidade
Desligar voar desconectar interromper parar perder-me

Espaço não permite limitações
Boa viagem perdição
Endereçamento incorreto
Desfrute

Perda permita-se
Ilimite capacite-se
Induza o coma
Desligue

Enfim


EU ETIQUETA

Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que estar na moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comprazo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Resumia uma estética.
Hoje, sou costurado,
Sou tecido,
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.

Carlos Drumond de Andrade

Todo bimestre tem esse texto em alguma matéria da minha apostila. E, já que insiste tanto né. E, sinceramente, talvez o melhor texto já posto lá. Enfim.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Tri

Acho que só quem já se encontrou entre a razão o sentimento e o desejo, sabe como realmente é sentir-se assim.
É ter um dia, duas opções, duas possibilidades, dois desejos, um sentimento, duas pessoas, nenhum pecado [não acredito em pecado, ou ao menos que desejo seja um]. Nada tão inocente, mas duas escolhas, e não há somente uma a ser feita; porque você quer as duas.
Não é fácil. O desejo domina, mas a racionalidade o sentimento desperta tanto quanto o desejo na pele, no olhar, no sentir, no tocar. Não que o sentimento realmente seja a coisa mais racional, mas ao menos aparenta. Você sabe que é aquela pessoa, você reconhece o sentimento, sabe que o entendimento é completo, que todas as peças se encaixam, e que você é feliz a partir daí. Mas você quer também o desejo, cair na tentação, desfrutar do 'proibido', do 'errado', como preferir denominá-lo. Afinal, é uma das mais gostosas experiências, não? Afinal, como diz o velho ditado adotado atualmente "proibido é bem melhor, perigoso é divertido". Era assim com nossos tataravós, bisavós, avós, com nossos pais, e será assim com nós, nossos filhos, bisnetos, tataranetos e por aí vai. E vai ser sempre a opção que deixará dúvidas, e a mais gostosa.
Não que de fato esteja 'proibido' isto, mas são as condições em que a situação se encontra. Não posso optar pelo desejo, sabendo que a parte racional emocional de mim sabe o que quer, enquanto o desejo despreza qualquer certeza. E não posso optar pelo sentimento, por essa 'razão', se ainda quero desfrutar do desejo.
Triângulos não funcionam na vida real, definitivamente. Mas, se alguém tiver uma dica, será bem vinda. =]

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

À ti


Isso, vai, pode me criticar o quanto você puder, siga em frente, pois sabe, eu sou capaz de suportar.
Pode criticar, pode falar, pode abusar de um ser humano apenas com palavras, ou em um mortal silêncio. Sabe por quê que eu não me importo? Porque eu sei que você não tem a mínima noção do que é o sentimento de não ter crescido de acordo com os planos de alguém. Porque eu sei que você não sabe o quanto isso dói, e te corrói terminantemente por dentro. Então, pode falar e humilhar o quanto quiser sabe. Eu já nem ligo, porque isso nem se compara com qualquer outra coisa que eu sinto, e não vai ser isso que vai me colocar debaixo de seus sapatos. Talvez por algumas horas, enquanto as lágrimas já não escorrem mais [porque depois de um bom tempo elas se escassam, e precisa de muita coisa para fazê-las brotá-las novamente]. E pode humilhar, porque ontem deu pra ver em suas lágrimas a consciência da solidão que você carrega dentro de si, e que o perseguirá vida a dentro. São só três anos, e tu tem consciência disso. Por um lado, senti que algo me apertou lá dentro ao ter a confirmação do que eu previa que tu sente. Por outro, ocorreu aquele sentimento de libertação, sabe? Aquela coisa boa. Aquele prazer, por mais que estar certa, mas por ver que a vida é totalmente justa. Quem planta amargura simplesmente colhe solidão, e a prova mais concreta disso, é você. É o seu presente, que a cada dia torna-se o seu futuro.
Tenho certeza que o dia que tu descobrir esse blog, talvez terá certeza que essas coisas que está lendo são para você, e eu não nego. Você tem consciência de tudo o que está fazendo.
Ah, outra coisa. Me desculpa por não ter crescido de acordo com todos os seus planos, por muitas vezes não compreender as tuas insanidades, por não ser a pessoa perfeita, menos ainda aquela aluna dez na escola, aquela garotinha amável que todos adoram, aquela garota totalmente bonita, dentro dos padrões, e que não confronta ninguém, que não tem mentalidade e vive em um mundo cor-de-rosa. Desculpa mesmo por ter consciência, maturidade, e por não querer ser hipócrita como o resto de toda essa sociedade odiosa.
Mas saiba que toda essa sua desaprovação, a tua perda de controle, só me faz crescer cada dia mais, me faz ver que a vida é realmente perfeita. Ela é planejada em cada mínimo detalhe, e que é isso que vale à pena. A cada desafio, a cada vitória, a cada derrota, cada sentimento, um pensamento, e mais um pouco de conhecimento e maturidade para a coleção.
E o bom de tudo isso, é que quando começa-se a compreender essas coisas, pode levar tempo, mas um dia você compreende, é que quanto mais você cresce ali dentro, mais você quer crescer. É como cada capítulo de um livro, cada cena de um filme, cada disco de uma coleção. Você devora, você coleciona, e cada vez quer mais. E você aprende que por mais cansativo e insuportável que isso seja, isso é necessário, e muito gratificante.
Portanto, obrigada por um lado, por ser alguém tão rude, amargurado, fora de si e desnaturado por tantas vezes. Obrigada por muitas vezes eu sequer poder confiar em você. Isso me fez crescer de uma forma incrível. De forma que tipo assim, apesar de tudo, tu é um herói pra mim sim. Não vou negar. Queria tanto poder te dar um abraço agora, se tu não fosse o rejeitar, ou se eu pelo menos não tivesse esse medo.
Mas obrigada por fazer com que eu amadureça e abra os olhos para a vida ali fora. Isso é mais importante pra mim do que tu pode imaginar. Agora eu sei que a minha independência só depende de mim mesma.
Mais uma vez, desculpa por não ter crescido da maneira que tu planejou, por ser tão imperfeita, e por te desapontar diariamente.
Mas apesar de qualquer ódio ou dor que eu sinta lá dentro, o meu sentimento mais profundo por ti sempre será o de orgulho, por estar na tua vida, ou por tu ter estado na minha, e de amor, aquele amor mais especial de todos, aquele amor que nunca tem fim. Aquele amor no qual você pode matar a cidade inteira, mas tu vai ser sempre aquela pessoa pela qual eu vou ter admiração e o mais puro e sincero amor. Porque esse é pra sempre, e pra mim é incondicional, por mais que o seu pareça tão incondicional, diariamente, em relação à mim.
E desculpa pelas lágrimas que te fiz derramar ontem, mas aquele é o futuro que eu quero pra mim. Não posso ficar presa à isso pra sempre. Mas sempre estarei do seu lado, sendo o seu bem maior, querendo o seu próprio bem. Por favor, dê valor à quem ainda está com você, e ao que essas pessoas dizem. Elas não estão tão erradas assim.
Eu te amo, desculpa por tantas decepções, por tantos silêncios. Mas é pra sempre.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Isso [more crap]

Eu não quero mais reclamar da forma como eu farei agora. Não quero mais estar todos os dias atordoada com tudo o que me acontece, esses pensamentos abominam, e nos fazem rastejar até um muro mais próximo para ver se temos força ao menos para nos arrastarmos nele agarrados.
Não quero mais que ninguém tente ao menos pensar por mim, eu digo tentar, pois já faz tempo que aprendi a pesar por mim mesma, e depois disso, nunca mais fui ou pensei igual aos outros. Cansei também de todo mundo tentar agir por mim, e eu ficar reclamando disso. Não quero mais ver minha vida assim, desejando tanto que ela fosse mais um daqueles filmes em que se quer viver. Não importa o tipo de filme, desde que lhe agrade. Quero ser protagonista, roteirista, diretora do meu próprio filme, e sabe, isso significa planejar as coisas do meu próprio jeito, e não do jeito dos outros. Não quero mais que ninguém me diga o que fazer. Parece que aquela história de independência às vezes demora tanto pra chegar.
Cansei de acreditar em frases de efeito, como 'sem bad trip', 'tudo passa', 'é só uma fase', 'vai melhorar', 'só mais alguns anos', 'esquece, isso passa'. As coisas não são bem assim pra quem não vivencia um dia-a-dia feliz todos os dias. Digo, em que felicidade é um prato caro, e raro, para quem vive numa mizerabilidade que só Deus entende.
Eu não quero mais ter perspectivas nem expectativas. Afinal, para quê, algo que só vai te decepcionar? Não quero mais esperar aquele 'bom dia', um sorriso, um aperto de mão ou uma conversa. Não quero mais esperar nada. Nada de bom, nada de ruim. Expectativas não nos fazem alcançar nada. Apenas se você não alcançar, vem a decepção. Se você alcançar, você vai pouco se lichar pra droga da expectativa.
Sim, to sei lá, pessimista, ou realista, sei lá. Quem sabe.
Chega aquela hora em que as férias são as coisas mais esperadas do ano, todos os dias, todas as horas. -Não sei exatamente porque eu tou desabafando por aqui, mas dane-se. Afinal, ninguém lê isso mesmo.- Chega aquela hora em que você começa a entrar naquelas depressões idiotas escolares, que quando você entra nela já não é tão idiota assim, com medo de não passar de ano, e com aquele desânimo tão esperado de ficar em recuperação em mais ou menos umas cinco matérias, e que se você não passar em três, você rodou, e não tem mais oportunidade nenhuma.
Chega aquela hora em que você enxerga a vida como ela realmente é. Você enxerga que amizades só vão ser concretas depois de muitos e muitos anos, que por enquanto tudo é tão condicional. Alguma coisa só torna-se concreta quando você realmente faria mais por essa coisa, por essa pessoa, por essa amizade, do que por você mesmo. Afinal, quando você abre mão de si mesmo, para entregar à essa coisa/pessoa/amizade o que ela precisa.
E se um dia eu desistir, podem me reprimir, me recriminar, afinal, não precisam fazer diferente nesse dia. Pouco importa se eu vou tar ali morta sabe. Tipo assim, agora não precisa mais fingir aquele sorriso, aquelas palavras tolas.
Opa, digo, você não vai ter a oportunidade de falar isso na minha cara. Doação de órgãos + cremação.
E que saber? Dane-se.
Mas esse dia ainda não chegou, e tipo assim, não vai chegar tão logo, não pra mim pelo menos. Quanto à você, eu ja não garanto. E sabe por que pra mim não vai chegar? Porque lá no fundo, eu não tou sozinha e eu sei disso. Sei disso porque eu conheço a minha vida, eu conheço à mim mesma. Coisa que ninguém aí fora conhece.
Ah, outra coisa. Eu preciso da minha viagem no primeiro fim de semana de outubro. Espero que alguém nessa face da Terra compreenda isso.
Bom, é isso. Mais um post inútil, porque eu não tenho nada melhor pra fazer [falei nada melhor, porque afinal tenho teorema de pitágoras pra aplicar em triângulos retângulos até a²=b²+c² deixar de ser isso mesmo. -.-]. E desculpa professoras, não sou autista, só me interesso mais em escrever posts pra esse blog que ninguém lê do que prestar atenção em vocês.
Bom, agora sim. É isso.

More crap


Não é questão de não ter
É a indiferença
São as marcas
As marcas de não ser

Sentir apenas sentir
No vento brando
Na brisa suave
O que há para ressentir?

Deixar levar
Tentar respirar
Até sustentar
Ah, brecha

Cai observando
Não pensa
Não age
Corre

Corre desse toque
Corre
Não estar
Não ser

Assim é
Assim é para ser
Tão indiferente
Assim é

Crap


Espinhos cravados
Jorram sangue nessas paredes
Pálidas, imundas
Fluídos. Odiosos

Sangue podre
Desvalido
Inválido
Escurecido

Há fronteiras
Desejos
Prazeres
Por baixo da poeira

Ainda existe a opção
Há a fuga
Corra corra
Agonia

Agonia
Sangue nessas paredes
Pálidas, imundas
Fluídos. Odiosos

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Mútuo


O vento leva
O que é capaz de sentir
Perde teu sentido
Deixe-se sorrir


Tão cruel quanto o desejo
A proibição
É tudo tão mortal
Perdendo-se nesse abismo transcedental


As paredes não são mais as mesmas
O ódio é mais odioso
O sangue lateja sobre a derme
Não há mais nada sobre a mesa


Derrame o fluído
Tire a máscara
Nada mais é tão feio
Quanto o que tu és por dentro


Não há mais nada em jogo
Não há mais o que perder
Menos o que ganhar
Não há mais nada sobre a mesa


Cala esse infortúnio
Pelo amor de Deus
Ou seria do Diabo?
Agora confronte-os


Mas lembre-se
Não há mais nada sobre a mesa
Apenas cala esse infortúnio
E conceba dignidade

Invisível & mutável



Você já parou pra pensar em tudo o que você é? Em tudo que te torna você mesmo?
Você é tudo o que ocorreu durante a gravidez de sua mãe, você é o relacionamento do seus pais em relação à você, você é os brinquedos que brincou, as conversas com seus pais, as gírias que usou, os conselhos que seguiu, as decepções de não ter dado certo, as alegrias das conquistas, as derrotas, as vitórias, os conselhos que deu, o amor gostoso que viveu, o pior relacionamento que já teve, o renascido após escapar do acidente, o ferido após a briga, o ferido com palavras após a briga, ou mesmo aquele que feriu. Você é aquela encrenca em que se meteu, ou mesmo o problema que resolveu, você é aquela conversa séria com seu pai, ou aquela briga com a sua mãe, você é o que você lembra. Você é aquela saudade que não vai embora, aquela cidade distânte, os seus amigos de infância, seus amores perdidos, seus amores nunca tidos, você é a infância que recorda, aquele banho de chuva, aqueles amigos, aquela solidão. Aquela velha música, aquele perfume, aquela flor, aquele cheiro, aquele lugar, aquele pôr-do-sol, você é a saudade dos seus pais, da sua família, daquele abraço, ou mesmo daquele abraço que nunca teve, da família que nunca te confortou, você é toda a falta que sente, todo o vazio que há, todo o amor de mãe, toda a parceria de pai, você é aquele arrependimento de não ter falado na hora, você é todas as músicas que já ouviu, todos os filmes que já assistiu, todos os livros que já leu, assim como você é aquela sua música favorita, aquela parte da música que você chora, aquele filme que te emociona, aquele livro que te arrepia, aquele acontecimento que te abala, aquela rua que você gosta, as casas em que você morou, aquele velho sótão, aquele confortante porão. Você é o seu quarto, o que você sente lá, a sua casa, o que você sente e passa nela, você é aquela rua que lhe arrancou lágrimas um dia, você é a lágrima que lhe foi arrancada, a agonia que passou, o choro que chorou. Você é o que você chora, o que você pensa, mas não necessariamente o que você faz. Você é a ajuda que dá, a compreensão que tem, aquele abraço inesperado, o abraço dado, o abraço recebido, aquela lágrima causada, aquele beijo, aquele beijo roubado, aquele beijo que você queria nunca ter dado, ou mesmo o beijo que ainda nunca deu, você é aquele alguém que quer beijar, aqueles que já beijou, você é o toque dado, a flor recebida, o corpo acariciado, o desejo despertado, a bebida que foi tomada, a que está para ser tomada, você é tudo o que já passou, e ainda o que está por vir. Você é o amigo que é, o amigo que tenta ser, você é o amigo que precisa, o amigo que você tem, você é a sensibilidade que grita, a agonia que desperta, o orgulho que despreza. Você é a gargalhada que dá, a gargalhada que causa, a palavra que fala e a que recebe, você é o orgasmo, você é o sexo, a excitação, você é o ser, você é o que desnuda, você é o que precisa e o que causa. Você é o preconceito, você é a discriminação, você é a paz que causa, você é o que prospera, você é toda a raiva da hora, o desprezo de agora, a mágoa de todo o sempre, você é o sorriso dado, o sorriso causado, você também a mudança, ou a impotência de não conseguir mudar, você é o poder, você é o que não pode, é a liberdade que tem, é a liberdade que oferece, é a liberdade que deseja, você é o desejo, o ardor, você é o ódio daquele professor, a raiva do governo, o desapontamento, a vergonha que causa, a vergonha alheia, a vergonha que passou. Você é a vítima, você é o assassino, você é todo aquele problema, você é o ódio que tudo isso dá. Você é a vida que tenta levar, você é tudo o que você queria. Você é o que você tem, o que você queria ter, o que você terá. Você é seus avós desconhecidos, os parentes distantes, os carinhos de vós, os avôs inexistentes, os avôs inegualáveis. Você é aquela praia, aquele dia de sol, aquela piscina. Você é toda a vida, toda a injustiça, todo o justo. Você é a sua vida inteira, ou o que você considera que apenas chamem de vida. Você vai muito além do que simplismente ''você'', você vai além do que se pode ver, além de uma simples conversa, além de algumas piadas, umas cartas, umas palavras, você vai além daquele vento que arrepia, além daquele temporal. Você é o que ninguém vê.

Expectativa


Com o tempo você aprende que se você já não se importa mais, não tem mais expectativas, já não se decepciona. É mais fácil não ligar, não esperar mais nada.
Expectativas, te decepcionam. Te derrubam no chão com uma só rasteira, pra você sair rastejando e implorando pra que ainda haja uma alma viva que te ensine o que decepção não significa.
É menos doloroso, menos preocupante, menos trabalhoso. Você apenas deixa de lado o que já está de lado espírito e emocionalmente. As coisas já estão distantes há muito tempo mesmo, que diferença faz? Apenas menos decepções, menos dor. Nenhum calor.
Decepção ensina a viver.
Só isso.
Só há o dia em que você cansa da mesma decepção diária. Se não espera que alguém ligue, não se decepciona, se não espera um abraço, não se decepciona, se não espera uma conversa amigável, uma relação saudável, um aperto de mão, uma vinda, uma ida, uma VIDA, não se decepciona, se nada disso ocorrer.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Pré-Conceitos

Pre.con.cei.to - Postura ou idéia pré-concebida, uma atitude de alienação a tudo aquilo que foge dos “padrões” de uma sociedade. As principais formas são: preconceito racial, social e sexual.

Punks e skinheads, heavy metal, heavy darks, moicanos, bichos grilos, gangues de pichadores apareceram. Se na vida tanta idéia e seitas, crenças, gangues e filosofias,religiões de povo doido, oposições anarquistas, loucossábios, débios e sonhadores.
Ventania - Símbolo da Paz

Não sei bem ao certo se alguém falou alguma coisa sobre algum dia todos termos de ser iguais, mas sem dúvidas, isso nunca vai rolar.

Baseamos o preconceito em procurar algo que 'falta' nos outros, que é fora do 'padrão' imposto pela sociedade. Mas no mundo em que estamos hoje, há tanta diversidade social e cultural, que é ridículo querer impor algum 'padrão' para vivermos e seguirmos.

Julgamos tudo com base em um conceito que sequer conhecemos. Geramos um próprio conceito, baseado no que simplismente achamos, e o colocamos em prática, contra qualquer outro ponto de vista, ou contra o que as coisas realmente são.

Não precisamos, e nem devemos viver padronizados. Diferenças é o que nos fazem únicos. Diferença é o que nos marca, o que nos faz feliz, o que nos faz viver.

É justo cada povo ter a sua cultura, é justo cada um ouvir o que bem quiser, se vestir da maneira que bem quiser, e por que não, sentir o que bem quiser? Por quem quiser?

Por sermos seres preconceituosos, deixamos de tomar conhecimento sobre coisas infindáveis.

Somos capazes de criticar uma mulher que realiza um aborto, sem analisarmos todos os fatos, e mais do que isso, sem sabermos os motivos porque isso foi realizado. Não é melhor, do que a criança nascer, passar necessidades, fome, ou, de repente, ser maltradata, ou sabe lá Deus o que poderia acontecer com a criança? Criticamos com muita facilidade um casal gay, seja de homens ou mulheres, mas não somos capazes de sentir essa capacidade afetiva, ou mais, não somos capazes, de nos submetermos a isso, e ainda mais, e se nos submetermos, seremos capazes de assumir? Criticamos também alguém por sua forma de vestir, pois não está de acordo com a moda, com sua forma física, pois não está nos padrões de beleza, por suas condições financeiras, pois não é das melhores, por seu modo de agir, que é diferente dos outros, por sua forma de pensar, que não é semelhante ao do resto da sociedade.

E, mais do que criticar, a gente cria conceitos sem motivos reais e concretos, sem motivos com nexos, e por fim, evitamos tudo o que pré-conceituamos.

domingo, 31 de agosto de 2008

[...]


E eu odeio a forma como tu me desconhece, não sabes quem eu sou, o que penso, e menos o que sinto. Não sei ao certo o que realmente era para ser o certo. Talvez o certo para nós, ou para mim, seja realmente esse.
Não acredito que consigo encarar-te ainda, e tentar manter essa relação doentia, com uma pessoa tão doende e obssessiva quanto você. A cada dia tento reconstruir isso, e tentar montar um novo futuro para nós. Mas a sua obsessão, o seu egoísmo, ciúmes incontrolável não permite relação alguma com ninguém. Não suporto te ver mentindo dessa maneira, incontrolável a tal ponto.
Dá para ver e sentir nos seus olhos, que você sabe que está jogando toda a sua vida fora, descartando cada pessoa que tenta se aproximar, cada momento, e cada sentimento real. Tua obssessão tá te matando, faz tempo, e tu sabes disso. Não siga em frente assim.
O mundo todo não pode estar errado assim, e voltado contra você a tal ponto.
Eu não queria que as coisas fossem assim, não queria mesmo. Queria uma relação sadia, mas é impossível isso com você.
Às vezes a raiva de tudo isso também me consome sabe? E funde-se com a dor de te ver e te ter assim. Ao mesmo tempo que eu penso "por que então não vai lá, e consome todos aqueles faixas pretas até suicidar-se com suas obsessões e mentiras?" algo realmente me esfaqueia e pergunta-me o que eu estou pensando, o que eu estou fazendo...
Não queria que houvesse relação mais bonita que a nossa, mas a nossa é uma das mais frias que pode haver. Você sabe que não me tem, e nunca me terá. O que tínhamos, foi perdido no espaço, no tempo, e isso, não volta mais, você sabe. Assim como todos aqueles caras...
Eu também não queria considerar ninguém mais do que você, mas infelizmente, você não está no topo das minhas considerações. Chega de querer ser quem você não é, e nunca vai ser, e chega também dessa inveja cruel de todo o mundo ao seu redor. Essa inveja só tá te consumindo por dentro, e por fora. Você não é uma pessoa melhor porque inveja alguém.
Você sabe muito bem de tudo o que está acontecendo com você. Não queira enganar-se. Isso tá te matando, procure ajuda, ajude-se. Você é uma pessoa sozinha, sob todas essas mentiras.
E não venha querer me dar razões para dizer que me conhece, eu não sou quem você quer que eu seja, e por sinal me orgulho muito disso. Vergonhoso agora, está sendo te conhecer, e fazer parte da sua vida, da sua história. E você fazer parte da minha.
Acorde para a vida.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Do you wanna play a game?

... Desafiou a pessoa errada para você, Cara.
Poisé, como se uma vez não fosse suficiente para Deus saber que jogos de azar, são de azar, Deus resolveu tentar mais uma vez. E adivinha? Deus perdeu de novo, e com a cara de quem que ele tira um caô bonitasso? Com a minha, é claro. E como talvez duas vezes não bastam, eu fico no aguardo da terceira vez. Sabe, a vida é realmente muito irônica com você. Eu realmente não queria agir assim com essas pessoas, mas, oh Deus, o que você está fazendo?
E quer saber? Todas essas dúvidas, eu não quero mais tê-las. Eu sei muito bem o que está acontecendo, e acho que quem tem de parar de se enganar, realmente sou eu. É incrível sentir o poder de ter você comendo na minha mão (tremendo vacilão, rs ¬¬), mas com certeza não é nada comparado com o que o Todo Poderoso faz em relação a isso.
Fim de dia. Sol se pondo, céu. Azul. Rosa. Lilás. A vida não perde só ganha você. Você ganha, só perde. Senta, pega o copo, o cigarro. Acomode-se nesta parede e nada mais. Sem bad trip? Escolha. Se bem que a essa altura não faz diferença. Não precisa de sentido, não precisa sentir.
Escurece com os pés nesta piscina, num beijo tudo faz-se entregar e perder. A moderação não existe.

domingo, 17 de agosto de 2008

Amor sem Amar

Os amantes arrependem-se do bem que fizeram, quando o seu desejo já se exinguiu, ao passo que aqueles que não têm amor nunca tiveram a oportunidade de se arrepender; pois não é sob o jugo da paixão, mas voluntariamente, e conduzindo bem os seus interesses, sem ultrapassar os limites dos seus próprios recursos, que eles fazem bem ao amigo. Além disso, os amantes repassam na mente os danos que o amor lhes causou nos negócios e as liberalidades que eles fizeram, e, acrescentando a isso a dor que sentiram, julgam que há muito tempo que têm vindo a pagar o preço dos favores obtidos. Já aqueles que não estão apaixonados não podem nem usar como pretexto os seus negócios negligenciados por causa do amor, nem alegar as intrigas dos familiares, de modo que, isentos de todos esses aborrecimentos, eles só têm que se empenhar em fazer tudo o que acham que deve agradar ao seu bem-amado.

Platão em 'Fedro'.

Julgamentos


Por que temos sempre uma capacidade enorme para julgarmos, criticando, colocando nossos defeitos, muitas vezes sem ao menos termos noção do que estamos julgando?
É tão fácil julgarmos alguém por ser e agir de tal maneira que não nos agrade, sem sabermos os seus motivos para ser assim. Por que então, em vez de julgarmos, nos parece tão mais complicado conhecermos a fundo essas razões? E enquanto fazemos isso, conhecermos melhor alguém...
Vivemos sobre julgamentos, o tempo todo. Tornamos nosso mundo assim, e estamos aperfeiçoando-o de tal forma, a cada dia que passa. E não estamos fazendo isso como uma forma de bem, não estamos criticando tudo ao nosso redor de uma maneira construtiva. Vivemos cada vez mais sob padrões de beleza, moda, e financeiros, que nos consome cada dia mais.
Ainda acredito que o tempo é generoso, e que ainda está disponível para revertermos essa situação.
Ninguém gosta de ser julgado. Não somos soberanos à todos que covivem conosco. Não deveríamos ter o poder de julgarmos tudo a esse ponto. Temos o poder, porém não o direito.
Até que ponto devemos podemos levar isso?

sábado, 16 de agosto de 2008

Tal qual como sua vida


Não é assim que você vai jogar tudo fora
Agarrando-se ao passado
Agindo dessa forma
Chega de jogar as coisas fora
Como se tudo fosse um jogo tolo
E tudo valesse nada

Não quero estar aqui lhe dizendo como agir
E acredite, dói muito em mim também
Mas você é dono de si
Querendo ou não
Apenas não atire-se para a vida dessa forma

Para falar a verdade
Tenho medo de sair
Voltar a ver-te assim após anos
Ou, simplismente
Não mais ver-te

Essa solidão que te atormenta
E abomina todo esse egoísmo de sobrevivência
Um dia ela termina
Porém não vai só

Não deixe a vida tomar a decisão que tu não quer
A volta será recíproca
Tal qual como a vida

M, T.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Perdão


Perdoar e esquecer equivale a jogar pela janela experiências adquiridas com muito custo. Se uma pessoa com quem temos ligação ou convívio nos faz algo de desagradável ou irritante, temos apenas de nos perguntar se ela nos é ou não valiosa o suficiente para aceitarmos que repita segunda vez e com frequência semelhante tratamento, e até de maneira mais grave. Em caso afirmativo, não há muito a dizer, porque falar ajuda pouco. Temos, portanto, de deixar passar essa ofensa, com ou sem reprimenda; todavia, devemos saber que agindo assim estaremos a expor-nos à sua repetição. Em caso negativo, temos de romper de modo imediato e definitivo com o valioso amigo ou, se for um servente, dispensá-lo. Pois, quando a situação se repetir, será inevitável que ele faça exactamente a mesma coisa, ou algo inteiramente análogo, apesar de, nesse momento, nos assegurar o contrário de modo profundo e sincero. Pode-se esquecer tudo, tudo, menos a si mesmo, menos o próprio ser, pois o carácter é absolutamente incorrigível e todas as acções humanas brotam de um princípio íntimo, em virtude do qual, o homem, em circunstâncias iguais, tem sempre de fazer o mesmo, e não o que é diferente. (...) Por conseguinte, reconciliarmo-nos com o amigo com quem rompemos relações é uma fraqueza pela qual se expiará quando, na primeira oportunidade, ele fizer exactamente a mesma coisa que produziu a ruptura, até com mais ousadia, munido da consciência secreta da sua imprescindibilidade.
Arthur Schopenhauer, em 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

Acaso


O acaso é um poder maligno, no qual se deve confiar o menos possível. De todos os doadores, ele é o único que, ao dar, mostra ao mesmo tempo e com clareza que não temos direito nenhum aos seus bens, os quais devemos agradecer não ao nosso mérito, mas tão-só à sua bondade e graça, que nos permitem até nutrir a esperança alegre de receber, no futuro e com humildade, muitos outros bens imerecidos. Eis o acaso: mestre da arte régia de tornar claro o quanto, em oposição ao seu favor e à sua graça, todo o mérito é impotente e sem valor.
Arthur Schopenhauer, em 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Confiança II

Nenhum homem acredita piamente em nenhum outro homem. Pode-se acreditar piamente numa ideia, mas não num homem. No mais alto grau de confiança que ele pode despertar, haverá sempre o aroma da dúvida – uma sensação meio instintiva e meio lógica de que, no fim das contas, o vigarista deve ter um ás escondido na manga. Esta dúvida, como parece óbvio, é sempre mais do que justificada, porque ainda não nasceu o homem merecedor de confiança ilimitada – a sua traição, no máximo, espera apenas por uma tentação suficiente. O problema do mundo não é o de que os homens sejam muito suspeitos neste sentido, mas o de que tendem a ser confiantes demais – e de que ainda confiam demais em outros homens, mesmo depois de amargas experiências. Acredito que as mulheres sejam sabiamente menos sentimentais, tanto nisto como em outras coisas. Nenhuma mulher casada põe a mão no fogo por seu marido, nem age com se confiasse nele. A sua principal certeza assemelha-se à de um batedor de carteiras: a de que o guarda que o apanhou poderá ser subornado.

Henry Mencken, em 'O Livro dos Insultos (1920)'