quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Manual

Haha, até parece. Como usar, posologia, contra-indicações. Não, não é. Mas, devido aos questionamentos que tenho recebido, acho que devo falar.
Grande parte das histórias aqui contidas, são sim reais, obviamente, representadas em outros papeis, ou por outro ponto de vista.
Outras, apenas ócio do cérebro em funcionamento.
Deixo a critério de quem lê.
"[OFF]": então, quando [OFF] aparece, é quando não tenho nada melhor a escrever, a pensar, e a fazer, e resolvo fazer deste blog, um diário.
Afinal, não sou apenas mais um(a) personagem de alguma história.

http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?rl=mp&uid=15948760800570035407

Revi-vendo. [Parte I]

Hoje resolvi tomar ar fresco no jardim. mas como não tenho jardim, contentei-me com um cantinho na parede da sacada. Sentei lá, avistando um crepúsculo de infinita beleza, e, apesar deste, apenas sentia falta da vista do outro apartamento em que morava. Era menos, mais baixo, com um monte de casas à frente, mas mesmo assim era muito aconchegante. A sacada era semelhante à uma caixinha de fósforos, mas ainda tenho na memória os pores-do-sol, que enxergava-se um pouco mais adiante da rua onde situava0me. Um pouco, apenas um pouco. O sol partia nos fios dos postes de luz da rua, seus raios dividiam-se, batendo no rosto. Após isso, ele ia deixando seu posto, escondendo-se atrás de casas e casas. Para quem sabe apreciar, uma cena espetacular. Lembro-me também das noites em quantias em que deitava-me no chão da sacada, em noites quentes ou pavorosamente (para quem não gosta, eu considero-me uma excessão) frias. Deitava-me lá, e curtia a vista que me era privilegiada. Não era uma vista esplendorosa, não quero iludir. Não dava para ver o céu em seu integral, mas volto a dizer, era muito aconchegante. Me acolheu muitas e muitas noites, amanheceres e entardeceres. Em dias frios, daqueles que embaçam os vidros, e fazem o queixo tremer, meu passatempo noturno era a solidão, entorpecida com cafeína.
Preparava o café, na temperatura e sabor adequados ao meu paladar, pegava meu velho cobertor de lã - que devo o ter desde muito criança, assim como minha mãe e minha avó -, que nunca me deixou na mão e sentava-me encostado na parede. Até hoje, não sei o que no céu faz-me sentir tão bem, tão nostálgico. Simplesmente, observar cada estrela, ou mesmo o movimento da lua, atrai-me tanto quanto pólos norte e sul, tratados fisicamente.
Me prendia lá não somente a noite inteira, mas perseguia as estrelas e a lua até o dia clarear, e todo aquele belo espetáculo esmaecer à uma coloração roxa-azulada de um novo dia. Enchia a chaleira com água e a colocava aquecer novamente. Enquanto esta aquecia a água, eu passava uma água na xícara do café e a deixava sobre o escorredor de água; pegava a cuia, a erva - tão verde quando uma grama bem cuidada - e o vira-mate, preparava o chimarrão e voltava para a sacada, com tempo para ver o sol nascer.
Dormir era o que menos me importava. Havia ainda as noites em que eu incluia o cigarro na minha "programação". Posso dizer que tornavam-se noites ardorosas e intensas. A quantidade de café que eu consumia dobrava, e a viagem em pensamentos era mais longa, rápida e intensa também. Não tenho dependência no cigarro, como uns dizem, é para "diversão". Esse tipo de intensidade sempre me atraiu.
Dentre muitas coisas que raramente costumo pensar, raramente mesmo, destaca-se relacionamentos, no que hoje pensei. Pensei por que dentro das memórias de uma sacada passada, há muito mais além de madrugadas fumadas e cafeínadas. Há lembranças também do que é feito, lembranças do que nunca ainda fora feito. E fora lembranças, há ainda pensamentos. Pensamentos de primeira, ou mesmo de quinta. Tolos ou bizarros, inteligentes ou mesmo inúteis. E quando eu falo relacionamentos, não generalizo isto como sexo, ou apenas relacionamentos amorosos, nem por pessoas que eu fico, ou seja lá o que for. Eu generalizo relacionamento como todos que fazem parte de alguma forma de um convívio comigo.
No que se refere a sentimentalismo, nesses últimos dois anos eu fui capaz de aprender o que significa, fazer bom uso, e descartar. Não sou mais capaz de ser muito sensato. Pelo fim do ano passado, pude passar por uma das experiências que mais me amadureceu nesses últimos anos.
[...]

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Imitation of Life [Final]

...Voltei à última fila à direita e sentei. Sentei sobre seu colo. Tomei um pouco da Coca-Cola e ofereci a ele, que tomou um pouco também e a jogou na poltrona do lado. Na tela do cinema tiros e negociações financeiras. No meu pescoço, lábios, língua e dentes. Novamente, na tela do cinema, mais tiros. Em mim, aquele arrepio gostoso. Viro-me de costas para aquela enorme tela e desconto esse arrepio.
Mesmo em seu colo, novamente o silêncio. Nós dois imóveis. Procuro suas mãos e seguro-as. Coisas agora, são sussurradas no meu ouvido, e obviamente, correspondidas ao seu ouvido. Mais alguns minutos de silêncio, e suas mãos que seguram as minhas, saem de minhas pernas, encostando na minha barriga, e subindo aos seios. Depois, de volta às pernas, e por entre elas. E assim, consecutivamente, com toques e carícias, prosseguia. Adicionando chupões, adicionando mordidas.
Percebo que próximo à nós, algumas senhoras de meia idade nos observam, com desaprovação, mas solto minhas mãos das dele, deixando-as sozinhas vagarem por mim. Por entre minhas pernas é possível tocar suas pernas, e por minhas costas é possível ir mais a fundo. Estávamos ali, no cantinho mais isolado do cinema, podíamos fazer o que quiséssemos. Podíamos também usar os banheiros. Tava muito fácil. Mas escolhemos uma coisa. Escolhemos apenas nos provocarmos, nos excitarmos. Mãos vão, mãos vêm, mordidas aqui, chupões ali. Libido prendida, desejo em gemidos. Tensidade e tesão.
O filme terminou e estávamos ali. Eu em seu colo, suas mãos sob as minhas, entre afagos, mordidas e beijos. Não era nada discreto, não era formal. Era selvagem. As luzes foram acesas. Levantamos e esperamos as garotas lá fora, em uma mesa na praça de alimentação. Estávamos ouvindo qualquer coisa em alguma estação de rádio, no mp4. As gurias lá chegaram. Apenas uma delas estava ficando com um garoto. Os outros já foram para a fila de um fast-food. Esta, que por sua vez, brincava de negar um beijo, enquanto o garoto torcia os olhos.
Demos tchau para as garotas e ele caminhou comigo até aqui em casa. Subimos, tomamos um café.
As garotas não atendi mais. Como já mencionbei, nada mais tenho feito. Nada ruim aconteceu. Apenas é assim a minha vida. Ajo de acordo as minhas vontades, a cada instante.
A rotina continuou após o cinema. Continuei a deparar-me com aquele homem pelas ruas, quase diariamente. Já nos olhávamos de maneira diferente. Quando nos avistávamos, baixávamos a cabeça, quando nos aproximávamos, mordíamos o lábio inferior, puxando um sorrisinho, e então, finalmente, nos olhávamos.
Duas semanas depois do episódio ocorrido, em um desses encontros casuais, um papel entre seus dedos, que estendem-se a mim, é me entregue. Uma folha de caderno, arrancada, com os picotes não retirados. Uma folha escrita.
E, este homem, este homem que...
Bem, dele não sei o nome.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Desabafo terceirizado.

Eu queria que tu pudesse sentir suas palavras em mim. Suas mordazes humilhações. Ainda acredito que de alguma forma elas possam doer em você, embora a certeza seja rasa demais perante a profundidade de algo tão ruim que sua presença me causa. Odeio tudo o que tu faz-me sentir, e também cada coisa que tu me falas. Odeio cada lágrima derramada, cada noite não dormida. Cada tanto de amor que eu sinto por você. Eu odeio te odiar tanto. Tanto como amo e odeio te amar tanto também. Odeio cada humilhação, cada desgosto que tu me causa. E também, cada comprimido que consumo a cada noite antes de dormir. Aqui do alto, a última coisa que eu queria ver era essa caixinha, tarjada com uma faixa escura, tão como seus olhos, e como você deve ser por dentro. Se não isso, ao menos tão obscura tal como você se sente, trata as pessoas e faz as sentirem de tal forma também.
Eu esperaria aqui, para sempre, um sorriso, um carinho eterno. Mas não posso esperar para receber coisas momentâneas, não estou aqui para receber estas coisas. Sendo que é somente isto que tu queres oferecer. Por teimosia e controle. Por obsessão e insanidade.
Não quero mais discutir essa noite, mesmo que da boca para fora, nada tenho dito. Apenas ouvidos adentro escutado. Se opiniões não te interessam, e em tua concepção não posso tê-las, se delas tu não precisa e não queres ouvir-me, não precisa. Afinal, qualquer vontade de falar a ti já é muito breve mesmo.
Então meu bem. Pessoas não mudam, e tu me esclarece com firmeza isso a cada dia. Perco as esperanças em qualquer pessoa, mas tenho a minha vida para viver. Se apenas vendo que minha liberdade, esta, tu não levou, alguma abóbora pode ajeitar-se em minha carroça, assim haverá de ser.
Vá, então. Junte seus meros objetos espalhados pela casa, seu velho jeans do armário, e, a propósito, limpe a gaveta que te pertencia. Cada palavra e sentimentos infames, a nada nos levarão, mais uma vez.
Porém dessa, não sei se o outro lado da cama, e a melhor parte de mim te esperarão outra vez. Mas com certeza, tudo isso não mais sofrerão, e você à sua maneira não receberão.
Ao sair, feche a porta, deixe as chaves em cima do balcão. Tranque o portão. Cuide-se na estrada. E saiba que eu te amo.
Mas não volte. Apenas não volte, não ligue, não procure-me. Talvez o tempo mostrará o que é preciso, e o que é capaz de mudar e acontecer. Ou mesmo de deixar tudo da forma como está hoje. Não faça nada, até cuidar de ti mesmo primeiro.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Imitation of Life [Parte II]

...De tanto que as garotas provocavam, os caras vieram até nós. Todos tinham um charme, e pareciam muito cultos. E ao mesmo tempo, despojados. Pobres garotas. Debocharam desses homens. Sim, pobres garotas. Garotas.
Depois, óbvio, foram ridicularizadas por eles, finitamente mais espertos que elas. Enquanto isso, apenas assistia, assistia à cena, ali, sentada, encostada no tronco da árvore.
Ao que senti uma mão tocar a minha, algo mexer-se ao meu lado. Confesso que por vez, tomei um bom susto, embora tenha conseguido não demonstrar. Sinto um perfume que já reconheço, e quando viro minha cabeça para ao lado, já posso ver aquele cachecol xadrez que adoro ver; cabelos pretos bagunçados, e um ser meio despojado e ao mesmo tempo muito jeitoso ao meu lado. Com seus olhos castanhos, os costumeiros castanhos que por vezes conseguem encontrar-me, meio à uma rotina costumeira, milhares de pessoas e uma cidade enorme. E, acima de tudo, que me força a olhá-lhos, olhá-los com firmeza, despindo-me total e completamente a partir destes olhos.
Então, nada precisou ser dito, nada precisou ser esclarecido. Eu sabia que estava ali, com quem queria, em uma cena casual. Eu não precisava. Mas eu queria. Então, apenas agarro-me àquelas mãos que por via tocaram-me, e mais uma vez, sou capaz de me despir naqueles olhos. E só. Apenas fico despida diante deles, olhando fixamente. Não é preciso tirar a roupa para despir-se com aqueles olhos. Eles fazem por si mesmos. Então, seus lábios, frios pela temperatura ambiente, tocam-se ao meu rosto. Mas enquanto seus lábios podem ser tão frios, o delírio tá presente nos olhos, e no suor em sua testa. Sentado sobre as próprias pernas, beija meu rosto, enquanto, com trêmulas mãos, as coloca entre meus cabelos, acariciando-os, mas seus dedões permanecem em minha testa, quase nas sobrancelhas, enquanto seus olhos aparentam estar apreciando um belo pôr-do-sol, mas fixados e mim. Agarro-me à sua barriga, e um abraço trêmulo acalentou parte do desejo. Depois do abraço, suas mãos voltam à minha cabeça, e seu beijo vem à minha boca.
Quando olhamos ao redor de nós, apenas as minhas amigas, perplexas com a cena. Com caras como se estivessem falando: “Ei garota, qual é o seu problema? Se liga, ele não é dos nossos, não é um gurizinho”. Enquanto seus amigos, de longe, apenas olhavam, enquanto conversavam, com naturalidade, passando o chimarrão.
Agi como se tudo estivesse realmente normal, afinal, para mim estava. Eu estava bem, e na real, com alguém que eu queria. E ali, não existia nada estranho, nada anormal ou mesmo diferente. Não, eu não levo um cara com mais ou menos o dobro da minha idade como se fosse um gurizinho. Apenas pra mim, o normal é esse. O que eu sinto não é pra alguém da minha idade, o desejo não é pra gente da minha idade. O entendimento disso, também não, a menos que tu realmente compreendas.
E foi um beijo. Por parte, apenas um beijo a mais. à nossa frente, minhas amigas, olhando a cena. Inusitadas, é claro. Afinal, eu era uma das suas, beijando alguém que não fazia parte dos populares dos terceirões, ou mesmo daqueles que estavam começando a curtir seus 18 anos com adrenalina, e merda na cabeça, enquanto esforça-se para tirar carteira de motorista, dirigindo o carro do pai. Não, era um sujeito totalmente fora desse padrão tão besta. Era um ser normal, um ser comum, fora de qualquer padrão. Dentro da minha atração.
Diante daquelas carinhas de tacho na minha frente, apenas agimos como se nada houvesse ocorrido. Uma das garotas olhou a hora, dizendo: "Gente, tem sessão de tal filme agora, quem topa ir pro shopping?". Sem exitações, todo mundo concordou. Levantamo-nos do chão, passei a mão sobre minhas calças, garantindo-me que nenhuma folha ou grama ficaria sobre ela, e sugeri a ele para que fizesse o mesm, já que em sua bunda havia ficado algumas folhas secas.
Pegamos um ônibus para irmos até o shopping, cortando a cidade sentido leste-oeste. Comigo, sentou aquele, que com seus olhos, continuava encarando-me, da mesma maneira como de costume, em vagos e breves encontros entre uma rua ou outra. Mais a nossa frente, as garotas, em um bolinho, pra variar um pouco, fofocando. Liguei meu mp4 e continuei a ouvir o velho Bowie. Num movimento rápido, ele pega um dos fones, e conversamos sobre a vida dele (Bowie). Apenas isso, até o filme começar.
Na verdade ainda não consegui entender a razão de eu ter ido para o cinema, com as garotas, ver um filme que até hoje não sei qual foi, e, ainda mais, por que estava ali do meu lado aquele cara. Mas parei de pensar. Não gosto de entender a razão de algumas coisas.
Como fui a primeira a entrar na sala, por estar na frente das gurias, pom pouca vontade de andar muito e também pouco interesse em estar ali, fiquei logo na última fila à direita. Minhas amigas desceram mais, em direção aonde viam-se vultos de jovens garotos, quase na primeira fila.
Passamos um tempo sem sequer uma palavra. Apenas nos olhávamos. Nos olhávamos de diferente maneiras. Com mistérios, friezas, fraquezas, desejo, delírio... ou, apenas olhávamos, sem nada a dizer, não querendo dizer nada. Eu estava cansada, e não deixando parte da minha chinelagem de lado, estiquei minhas pernas sobre as suas. O que fez com que me envolvesse em seus braços, num abraço. Meio esquisito.
Impulsividade. Única palavra que define isto. Levantei-me da poltrona onde estava sentada, peguei o dinheiro no bolso da minha calça e comprei uma Coca-Cola. Voltei à última fila à direita e sentei.

(...)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Imitation of Life [Parte I]


E mais uma vez, cá estou. Sentindo aquele velho prazer em sentir-me só. Tem feito muito calor. E eu? Nada tenho feito. Nada além de passar cada dia na cama. Rolando do lado de lá, para o lado de cá, a cada ponto em que a cama esfria de um lado. O ar condicionado tá ligado há uns quatro dias direto. Sinto que emagreci, sendo que nesses quatro dias não comi nada além de uma maçã por dia, e me sustento àqueles sucos em pó, de pacotinhos, que são mais gostosos não diluídos na água. Mas, pelo calor, obrigo-me a diluí-los.

Hoje o dia está mais ameno, e quanto mais fico nessa cama, mais sinto que é aqui que quero ficar pro resto da vida, pela quantidade de sono que eu tenho. Doença? Talvez, mas se for pra morrer de sono, tô tranqüila.

As persianas estão com algumas frestas abertas, assim provoca-me mais sono. Na minha última cochilada, sonhei que estava indo no cinema com alguns amigos. Quando o filme estava começando, acordei. E quando acordei, lembrei-me da última vez que fui ao cinema.

Fazem mais ou menos uns dois meses. Eu e algumas outras gurias passamos a tarde no parque, tomando um bom chimarrão e jogando conversa fora. Ainda era frio, como de costume no inverno aqui do sul. Mas apesar do frio, e da geada na grama bem verdinha, e o relento ainda nas réstias folhas das árvores, nós íamos para lá assim mesmo.

Apesar do frio, o sol às vezes é intenso, e no inverno não dá para bobear. Na sombra de uma árvore próxima à nossa, havia alguns caras. Todos com pelo menos uns dez anos a mais que nós. Fixaram-nos os olhos desde que lá chegamos. Minhas amigas, com muita maturidade dentro de corpinhos bonitos, começaram a provocar e zoar aqueles caras, afinal, não queriam nada mesmo.

Recostei-me no tronco da árvore, abraçando os joelhos com os braços, ouvindo aquele bom e velho folk blues no mp4. Fiquei na minha, afinal, caras mais velhos me interessam muito.

Fingi não estar nem aí, afinal, sei que não posso confidenciar isso às gurias com quem ando. Não são tão ingênuas assim, não, mas são imaturas. Enfim. Havia lá, na rodinha daqueles caras, um que me interessou muito. Encontro-me com ele algumas vezes pela cidade, e garanto, seu olhar é fulminante.

Eu apenas balançava a cabeça de acordo com a música, e fazia os movimentos vocais com a boca, olhando atentamente tudo o que acontecia ao meu redor, e ao mesmo tempo, eu era capaz de nem estar ali, pra variar um pouco. Pelo menos não com os pensamentos.

De tanto que as garotas provocavam, os caras vieram até nós.


(...)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Not alone. (and could die)

Mais um dia chega ao fim. Não sei se de fato pra mim também. Enfim. A vida é gozada. Uma hora você tem tudo, e dali a dois minutos tudo pode chegar ao fim. Simples como a areia nas mãos de uma criança, ou mesmo uma bala em um vidro.
Mas pra mim resta só o desapego e o desapontamento. E não é somente pelo fato de tudo poder acabar em um segundo. É pelo fato de que eu sei que eu não vivo de acordo com o que eu quero. O que me assusta é a vida não vivida. A falta de vida que eu tenho. Cada segundo que passa, e que não me satisfaz.
Me encontro em um momento raro. O momento do abalo, o abalo que trás o sentimento. Não gosto de muito sentimentalismo, tal como o sensasionalismo, mas não suporto parar e analisar minha própria vida, e ver que nada está de acordo. Não sou também de despertar o amor, mas eu enxergo que cada parte do que disto eu chamo, está longe. E não sabe-se se haverá tempo para alcançá-lo. Seria mais fácil simplesmente decidir e pronto. Escolher e poder.
Nesse momento, um calor infernal, tudo o que eu desejaria, era frio, aquele frio que só quem é do sul sabe do que eu falo - daqueles que racha o couro do gaudério, vaporiza a cada expirada que tu dá -, uma xícara de café preto, fervendo, e por um instante, só um instante na minha vida, eu não desejo estar só. Só por este instante eu queria ter a companhia. E mais nada. Não precisa de cenário.
Depois disso, eu trocaria qualquer outro proveito, qualquer eternidade, ou mesmo, qualquer oportunidade de saber o quão real o momento foi, eu poderia morrer. E só, por essa noite. Eu não tenho mais nenhum desejo.
Posts melhores virão, quando o emocional for destruído. Enquanto isso, tenham uma boa semana. Sem mais, por agora.
A propósito, me desculpem que eu nem tenho comentado nos blogs de vocês. Mal tenho postado aqui, mas prometo que voltarei a ativa. Agirei como gente.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Post manipulado. (?)

[Off] Então, tanto tempo. Tanto tempo sem postar, tanto tempo livre. Tanto tempo e nada pra fazer. Enfim. Não é pra isso que quero usar esse blog.
E além de tanto tempo, tanta coisa. Tanta coisa na cabeça. Tanta coisa pra colocar em papéis, ou mesmo por aqui. Tanta coisa pra desentulhar da gaveta, enfim.
Tem muita coisa também sobre o que falar, mas agora quero começar por uma das que mais me indignam: a manipulação.
Esses dias estava girando os canais na televisão, quando uma vinheta da MTV me chamou a atenção. Não me recordo direito com detalhes dela, afinal fazem alguns dias que não ligo a tv. Mas quem tem ligado a televisão nesses últimos dias provavelmente vai saber de qual estou falando. Mostra diretamente a manipulação que a emissora (tá, na verdade não quero generalizar, com palavra como emissora, afinal, não é mesmo pra manipular que a televisão está aí? Mas uso emissora, pois foi na mesma que vi a vinheta) quer causar, com todo impacto. É aquela vinheta em que uma velhinha e um velhinho estão sentados numa mesa, cada um de um lado, e vem uma coisa branca e tipo engole a cabeça do velhinho, e vai influenciando ele a dançar no ritmo e tal, e leva ele pra um lugar onde todos tão dançando também. Procurei no YouTube, mas não achei. Postaria um vídeo com a mesma. No final, mostra o logo da MTV, com vários desses "tentáculos", em vários lugares da cidade e tal.
Tudo bem, quer influenciar. Mas já acho o extremo querer mostrar um lado "cool" para isso. Já não basta toda a influência que exerce sobre nós?
Não tou criticando a MTV, apenas usando-a como um exemplo para o que eu quero dizer. Então, por favor, quem é ligado em MTV não venha me encher de lixo.
(Lixo tá ficando esse post, beleza.)
Esses dias parei também para ver um pedaço do MTV na rua, ao que o assunto era o sucesso que e-books pretendem fazer. Então, quem tá no computador, é porque provavelmente não está afim de pegar um bom livro e ler. Na minha opinião, livro, livro mesmo é aquele feito de papel, capa dura ou mole, folhas brancas ou amarelas, grande ou pequeno, tanto faz. Mas é aquele objeto pessoal íntimo, que você pode pegar, pode senti-lo sempre que quiser. Mas, pra não fugir do assunto, no que a Penélope perguntava quem lê, quem leu algum livro nos últimos tempos, poucos se manifestavam, ou mesmo alguém que gostava de ler. Três ou quatro gatos pingados. Então, eu me pergunto. Que tipo de geração seremos? Que valores passaremos adiante? Ou mesmo, o que é a cabeça dessas pessoas? (Sim, dessas, refiro-me assim, porque cultuo livros.) Que tipo de jovens há hoje em dia nesse país? Enfim, dá pra tirar conclusões pela respostas dos mesmos: "A única coisa que eu leio é Scrapbook no Orkut."
Perguntaria-lhes que tipo de gente é essa que participa com prazer desses programas, ou que passa o dia inteiro ligado nesse tipo de canais, ou mesmo, ligado na televisão. Mas acho que eu iria muito a fundo, e já começaria críticas às emissoras. E como não é esse meu pretexto... fica aqui, somente a minha indignação...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Out.

Então, fiquei um tempo sem postar, sim. Parece que minha cabeça anda muito vazia, apesar de tanta coisa ocorrendo, sei lá.
Bom, mas eu percebi que quando as coisas mudam, o jogo vira, e isso te afeta, muda teus conceitos. E o que não parecia bom antes, agora torna-se o que tu quer. Principalmente quando tu enxerga uma vida se esvairando à tua frente.
Correr atrás, tentar. Talvez não seja tarde ainda.
Não, não vou começar a postar sobre minha vida aqui. Tou indo atrás de alguma coisa pra falar e desentubir a cabeça um pouco.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Fim de semana

eu posto alguma coisa. Sem condições por enquanto. Muito trabalho e pouca merecida gandaia. Enquanto isso, boa semana pra vocês.
Posts antigos são ótimos no quesito nostalgia, vale à pena.

domingo, 30 de novembro de 2008

...Feliz ano novo!

Tá, mas peraí. À que exatamente brindamos? Brindamos mais um ano que se foi, mais um ano que chegará, sem ao menos saber se estaremos vivos, ou mesmo, se estamos vivos. Eu não digo vivos fisicamente, da maneira que podemos morrer a qualquer instante de um ataque do coração ou mesmo atropelados por um caminhão. Eu digo mortos mentalmente. Durante muitos dias agimos como vegetais. Tudo bem que cada um viva como quiser, de acordo. Mas de que adianta vegetarmos durante o ano e depois brindarmos vida, saúde, felicidade? E, digo mais. Não aproveitamos nossas vidas, e não desfrutamos às pessoas. Aliás, muitas vezes sim, desfrutamos-as. Mas desfrutar a próprio benefício realmente é desfrutar alguém? Com tudo o que uma pessoa pode lhe oferecer, queremos apenas as partes que são visíveis aos olhos, e que de certa forma nos beneficiam.
Brindamos, brindamos. Brindamos dia após dia em que desfrutamos de tal forma as pessoas, cada detalhe da vida que perdemos. Cada insulto que oferecemos, cada briga, cada discussão. Cada falta de paciência, cada saída de si. Cada enlouquecida que demos com quem vive com a gente. Brindamos as vezes que ofendemos, que deixamos de falar algo bom, que em vez de um sorriso, causamos uma amarga lágrima, que em vez de um abraço, derrubamos as pessoas no chão, que em vez que uma profunda gargalhada, humilhamos as pessoas. Brindamos cada dia que agimos assim durante o ano.
Brindamos a pessoa que deixamos de ser, brindamos o que nos tornamos. E brindamos a máscara que usamos para ficarmos frente a frente com os outros. Brindamos as brigas, as mentiras, as impulsões. Brindamos o desconforto causado, o silêncio instalado. Brindamos a mágoa, e não a reconsiliação. Brindamos os fracassos, as recaídas. Os desamores, o ódio, a loucura. Brindamos tudo o que corre por nossas veias, o fluído que o coração faz bombar.
Brindamos com nobres palavras, mascarando a real vida, as dificuldades, os problemas. Brindamos fingindo. Construindo em meras horas, um castelo de bolha de sabão, destrutível em pouquíssimo tempo, estourado apenas com o vento, ou o olhar para o ponteiro do relógio.
Até acredito que pra muitos, essas celebrações realmente sejam fantásticas. Onde todos se reúnem, e realmente celebram todo o amor. Por que aí, ele simplesmente existe. Não quero generalizar todos os casos. Mas assim como o amor existe nessas situações, a hipocrisia não deixa de estar presente também.
Se você parar alguns minutos, e nem que seja para olha fixo para algum lugar, e com a mente, ir desmascarando tudo o que há por trás de tudo isso, sobra apenas mais um dia.
Bolhas de sabão estão longe de serem eternas (POC, estouram).

Adeus ano velho...

Bom, e mais um ano chegando ao fim, encaminhando-se à reta final. Dessa vez, em off. Sem nenhuma história em mente, e nem menos alguma coisa realmente legal pra falar. Apenas precisava escrever alguma coisa. Não importa o quê, apenas escrever.
Mais uma vez nos reunimos no que chamamos de ''família'' (sim, entre aspas, porque, nem pra todo mundo, o que temos e convivemos, ou o que se junta nas festividades é família). Aliás, nem sei se considero que tenho uma família. Enfim, isso não convém.
Então, quando essa época do ano chega, tenho que participar dessas festas. Na real, de verdade mesmo, festas não me interessam muito. Menos ainda essas festividades de fim de ano. Maior chatisse ficar seguindo tradições de família ou mesmo religiosas. Se é por que é feriado, uma data especial, e pra fazer algo fora do comum, pra quê tornar as coisas em coisas comuns, que serão repetidas todo dito ano? Por quê então, não resolvemos sair do comum a cada ano, fazendo alguma coisa que nunca fizemos? Acumularíamos experiências, novas. Boas, ou mesmo ruins. Me sentiria bem fazendo isso. Saindo da rotina e saindo do padrão. A cada ano. Me sentiria feliz. Uma espécie de realização.
Mas não, em vez de realizar-me, tenho que seguir esses padrões, essas instruções. - Então, pra deixar claro, as coisas aqui em casa são diferentes no quesito família. Digamos que ela é desmantelada. Com pessoas hum, como se diz hoje em dia? Ah sim, quadradas. Enfim. - Reunimo-nos e comemoramos. Comemoramos o nascimento de alguém que muitas vezes, pouco conhecemos, ou mesmo sequer acreditamos; comemoramos mais um ano que se foi, e que sequer foi um ano bom, ou mesmo um ano por nós valorizado. Mas no fim, levantamos as taças, cheias de champagne, e brindamos. Brindamos como se aquele tivesse sido o baita ano de conquistas, de sucesso, de amor e união. E desejando muito mais desses valores ao próximo ano, mesmo esses valores não sendo nem um pouco concretos à nós, pois não os praticamos, não fizemos eles existirem. E tudo isso, desejando ter um mínimo de paciência pra suportar essas memas pessoas, que estão aí contigo, taça à taça, fazendo desejos, com aquele enorme sorriso na cara, fazendo jus à hipocrisia social.

Continua (...)

sábado, 29 de novembro de 2008

Solidão II

A solidão concede ao homem intelectualmente superior uma vantagem dupla: primeiro, a de estar só consigo mesmo; segundo, a de não estar com os outros. Esta última será altamente apreciada se pensarmos em quanta coerção, quantos estragos e até mesmo quanto perigo toda a convivência social traz consigo. -Todo o nosso mal provém de não podermos estar a sós-, diz La Bruyère. A sociabilidade é uma das inclinações mais perigosas e perversas, pois põe-nos em contacto com seres cuja maioria é moralmente ruim e intelectualmente obtusa ou invertida. O insociável é alguém que não precisa deles. Desse modo, ter em si mesmo o bastante para não precisar da sociedade já é uma grande felicidade, porque quase todo o sofrimento provém justamente da sociedade, e a tranquilidade espiritual, que, depois da saúde, constitui o elemento mais essencial da nossa felicidade, é ameaçada por ela e, portanto, não pode subsistir sem uma dose significativa de solidão. Os filósofos cínicos renunciavam a toda a posse para usufruir a felicidade conferida pela tranquilidade intelectual. Quem renunciar à sociedade com a mesma intenção terá escolhido o mais sábio dos caminhos.

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

Vale [Parte III]


O convite deveria estar estocado ali naquela caixa de correspondência há algumas semanas, assim como eu no apartamento. É engraçado quando você pára pra pensar em como a vida é gozada. E como ela parece simplesmente seguir em frente para algumas pessoas, da maneira mais simples possível, enquanto a única coisa que tu quer é ir levando tua vida, e nem isso tu não é capaz, sabe lá o por quê.
Conhecemos o cara na última viagem pra serra. Sim, conhecemos, no plural. Foi uma viagem que fizemos, eu e o pai daquela minha amiga lembra-te? Resolvemos passar um fim de semana na serra, e nos instalamos em umas cabanas. Uma das melhores viagens que já fiz. Aquele frio todo, de arrepiar o couro, e se bobear, rachar a pele. Na verdade, o frio me sustenta, e faz com que eu me sinta bem. Na verdade, o frio até torna tudo mais excitante para mim. Foi a viagem mais romântica e alternativa ao mesmo tempo. A cabana era rústica, toda feita em madeira. Não muito grande, mas essencial, e completamente aconchegante. Com uma lareira na sala, em baixo da televisão de plasma fixada na parede, toda construída de pedra, dando o toque mais rústico e campestre por lá. E nada mais gostoso do que chegar da rua, toda branquinha, coberta pela geada, e pela serração, e deitar-se no pelego frente à lareira. Nada melhor do que fazer isso com ele. Mas como tudo tem um fim, pus um fim em toda essa relação também.
Mas, voltando ao assunto, conhecemos o noivo lá, em um barzinho, numa sexta à noite. Como de costume, estava muito frio, e em vez de um bom vinho, ou um caloroso café, estávamos tomando chopp. Chopp. Ao que chega um casal de namorados querendo companhia para jogar conversa fora e se divertirem um pouco, aproveitando a ocasião para que tirássemos algumas fotos. A começo, era tudo muito recente para eles também, conheciam-se há seis meses e estavam juntos há dois. Óbvio que ninguém imaginou que após um ano e nove meses eles iriam estar casando-se.
Havia algum tempo que não tínhamos mais contato, muito além do tempo em que criei uma base de concentração em 'meu mundo'. Como fazia algum tempo que nada fazia, tomei por decisão de confirmar minha presença no evento.
Pra ser sincera, festas não são o meu forte, não é algo que realmente me excita, me anima ou me deixa feliz. Especialmente eventos como casamentos, festas de aniversário, etc. Mas, achei que poderia ser um bom atrativo para mim, sendo que veria velhos amigos, conheceria novas pessoas, talvez até rolasse algo com alguém, afinal, não tive contato (além de não ter contato visual, vocal, também não tive contato físico) com nenhum outro ser humano nas últimas seis semanas.
O que eu realmente não lembrei, é que isso poderia ser usado contra mim, como um bom pretexto para um reencontro com o único homem do mundo que eu não precisava rever. E eu não tive como evitar de ir ao encontro daquele homem com quem eu havia tido as minhas melhores experiências, o homem que sabia os momentos certos para tudo.
Resolvi que a hora era, de mandar tudo pro espaço. Desde as preocupações, o preconceito, colocar em jogo uma das melhores amizades que eu tinha. Agir com "egoísmo", e matar meus desejos.
E, como ele sabia os momentos certos para tudo, sabia mais do que isso, sabia também a maneira certa de fazer as coisas ficarem bem.
E quando ele me abraça, formalmente, com aquele abraço de reencontro, de saudade, de amor e de desejo, é como se tudo o que não estava certo antes, tudo o que não estava bem, e faltava, se acertasse, ficasse bem e se completasse. E discretamente - em vez de um beijo na bochecha, faz uso do artifício da provocação, com seu perfume de presente de aniversário, por mim, dado, já que sabe que enlouqueço com aquele cheiro - ataca-me pelo pescoço, através de uma mordida - daquelas inesperadas, que te arrepia até a alma -, feito um vampiresco.
Assistimos à cerimônia, cada um para seu lado, por méritos de educação e consideração ao casal, desviando olhares, evitando qualquer tipo de contato. Em uma dança, é pela cintura que me leva ao seu embalo, em um beijo terno, cessando nossa presença naquele local.
O resto, foi o resto, naquela noite.
Mas, é inevitável meu bem, não sentir tua presença, não sentir teu toque, tua pele, teu sexo. Inevitável meu bem, não sentir tuas palavras sussurando aos meus ouvidos, teus esbaforidos, e mesmo tua irritação. Inevitável não sentir tua presença, teu amor. E não fazer parte de todo o intenso calor. Inevitável não te deixar nunca, não te querer. Aos teus braços, no sufoco, na necessidade, não correr.
Ah, é inevitável.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Vale [Parte II]

Já fazem seis semanas desde que tudo terminou. E que deste apartamento eu não saio e não tenho contato algum com o mundo lá fora. O chip do meu celular dei para o gato. Deve ter comido. O telefone, como de costume de quando não quero atendê-lo, tiro da tomada. Pode tocar a vontade, eu deixo. A secretária eletrônica - esquece, eu nem tenho uma - ...
Não há mais comida aqui em casa. os armários e a geladeira estão vazios. Ainda há cigarros. Apenas cigarros. Não há mais bebidas. Não há mais sentimentos. Qualquer falta ou desejo, é um cigarro. Não como nada há uns três dias. Mas estou bem. Só tenho um pouco de sono. Na verdade acho que perdi alguns quilos. Aquela barriguinha não existe mais. Preciso pintar meu cabelo. Na verdade, preciso de uma vida novamente.
Junto todo o lixo jogado no apartamento, guardo as roupas jogadas pelo apartamento todo. Abro as janelas, tomo um banho e coloco uma roupa nova. Ligo para o salão de beleza, escovo os dentes e coloco em algumas caixas de sapatos os maços de WS que sobraram.
Comprei um chip de celular novo, e liguei para a companhia telefônica pedindo uma nova linha fixa. Saí de casa. As coisas continuam as mesmas, Compro comida para o gato, e alimento-o. Afinal, as coisas lá por casa estavam na igualdade. Se eu não comia, o pobre bixo também não. Enfim, aquele gato só não fumou também porque o aquela merda devia dar-lhe enjôos.
Após umas compras, chego em casa e abro a caixa de correspondências. No meio de jornais, revistas, contas e propagandas, há um grande e belo envelope dourado e branco. O convite de casamento de um conhecido.

Vale

Chego na casa de minha amiga para depois sairmos. Ela ainda não está pronta, vai tomar banho. Fiquei na sala, assistindo tv, apesar de sua insistência para que eu entrasse no banheiro junto para ficarmos conversando. Não vejo problema nisso, conversamos muitas vezes no banheiro, enquanto a outra toma banho. Apenas, dessa vez, preferi ficar na sala, assistindo à alguns clipes musicais na televisão.
Seu pai chega na sala, e senta-se ao meu lado. Damos algumas risadas, como de costume. Admito que sempre tive atração por ele, mas sempre foi só atração. Hoje seu perfume dominava cada célula de mim e minha noção. O silêncio soou alto, e quando viro a cabeça, ele está olhando. Olhando com o desejo. Seus olhos castanhos delirantes sobre mim. Não sei muito bem como devo reagir. Retribuo o olhar e volto o olhar somente à televisão. Atrevo-me olhar de canto e um beijo vem ao meu entrontro. O risco que eu estou correndo é imperdoável. Sim, ele é divorciado. Mas essa não é a diferença.
Levamos adiante durante algum tempo. Quanto mais nos temos, mais avançamos, mais nos queremos, sem escondermos tais desejos.
Quando perco o controle é preciso revidar. Estou aqui, em sua casa, em sua cama, noite após noite, a cada noite. Minha amiga, a quem posso talvez dizer que estou traindo, está em seu primeiro mês de intercâmbio, na Holanda.
Tudo tá tão intenso, a libido incontrolável. E não dá mais pra esconder tal relação, não há mais saídas. Falo, cesso. Visto-me, pego a bolsa e saio.
Estou revidando o desejo e o prazer.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Interrompida

Há aqueles dias em que a cabeça parece tão cheia, tanta coisa para liberar, tanta coisa pra falar, e aquela vontade de relaxar. Apenas isso. E quanto mais quer libertar tudo que há em tua cabeça, mais tudo refugia-se de ti.
Talvez este momento já tenha passado. Então, peço-te que entre, e sente-te no sofá como antigamente.
Muito tempo passou, muita coisa aconteceu. Mas nada mudou, entre nós, desde que tu te fostes. Sim, pode ficar à vontade, se quiser, deite, te estique. Sabe que pode sentir-se em casa. Espero que não te incomode se eu acender um cigarro.
Agora que tudo se acalmou, acho que pode ser hora de uma reconciliação e reorganização dos sentimentos. Tudo está voltando ao seu devido lugar. A rotina findou-se, e talvez agora eu seja capaz de conciliar alguma coisa entre nós. Ai, Deus, como eu era uma pessoa incapaz. Por que eu me tornei alguém tão incapaz de amar-te como tu me amavas? Eu joguei todo teu amor ali às margens de um bueiro. Desculpa, eu não estava pronta pra ti, para sentir o que tu sentias, e retribuir-te toda aquela sensação que tu me causava. Foi a melhor que eu já senti em toda a minha vida.
Mas hoje eu compreendo quanto sentimento tu guardou, e incrivelmente tu reservou-o pra mais tarde. Como sabias que seria útil mais tarde? Não vou apelar para a modéstia agora, não preciso dela. Sei que se tu tá aqui, à minha frente, nesse sofá, tu não veio em vão. Sei que tu tá aqui por que me quer, por que ainda há o desejo fulminante por trás desses teus olhos castanhos e por baixo da tua pele branquinha, arrepiada pelo frio. O velho moletom já atirou sobre o braço do sofá.
Eu gostava de sentir o que eu sentia. Resolvi parar de querer sentir porque ainda não era tão intenso, como eu gostaria que fosse. E eu não podia agir assim com você. Eu sabia que o tempo tornaria as coisas intensas, como elas eram no início. Todo aquele desejo, a libido no ar. A vontade e a saudade. Era amor, e não era confusão de amizade.
O que eu mais gostava, era poder olhar dentro dos teus profundos olhos castanhos-mel, e não precisar falar nada, por que tu arrancava as palavras dos meus olhos. Eu sentia todo o conforto e segurança do mundo ao teu lado, no teu abraço mais acalentoso. E todas as nossas pequenas brincadeiras, nossos carinhos, nossos amores. No início era tudo tão intenso, as despedidas, os reencontros. Ou mesmo nas vezes em que a gente acampava. Aliás amor, lembra do nosso primeiro acampamento? Nossa primeira experiência em solo natural, em contato com a natureza, discutindo pra armar a barrcaca, as confusões no meio da noite.
Adorava também o seu jeito de dormir, e o jeito como tu me acordava pelas manhãs em que dormíamos juntos, e depois ainda ia pra cozinha fazer um café.
Pouca coisa mudou, mas creio que hoje consigo ter um pouco mais de amargura dentro de mim. Mas ao certo, sei que estou pronta para capacitar todo o amor por ti. Tenho vivido um pouco mais ultimamente, em todos os sentidos.
E agora, o jeito em que tu me olha enquanto me abraças, e eu sinto tuas lágrimas chegando aos meus dedos, estendidos ao teu rosto.
Enfim, novamente, na cama, os velhos amantes de sempre.
Mas meu bem, meus olhos vermelhos não negam o que foi passado. O conforto e o calor do teu corpo é o que me agrada, o que me intensifica. E é corpo a corpo que estaremos de hoje em diante, como éramos antes.
A velha história clichê de tudo o que acontece no passado que não se esquece. Mas tu, velho amigo, sempre será o que és pra mim. Velho amigo, velhos amantes.
A cada segundo mais confortante e delirante, um segundo a menos contigo. Apenas vista tua roupa, junte teu moletom lá na sala. Me olha uma última vez, pega tuas chaves, e te vá.
A perdição e o delírio tomarão conta de nós. Até a próxima.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

And so it is. [Parte II: Desabafo]

(...) Enrolo-me na toalha e atendo aquela porcaria. É apenas aquela "velha amiga" que lembrou de sua existência após muito tempo, devido à necessidade. Largou o namorado, voltou a passar por crises e dificuldades. Mas há anos ela já não lembra de você, se você está bem ou precisa de algo. Não te cumprimenta na rua, mas te agradece por você ter sido uma amiga tão boa por tanto tempo. Como de costume, ouviria teu desabafo, Fulana, mas dessa vez, não. Não, porque não dá mais. A propósito, nem nos conhecemos [mais]. Não tenho a obrigação de fazer com que tu te sintas bem mais uma vez, mas ainda sou capaz de também agradecer-te por tudo o que fizestes por mim, quando de ti eu precisei. Ou mesmo de muitas vezes fazeres todas as coisas ao teu favor. Mas agradeço também por ter usado-me à sua própria maneira e condições, com todas as soluções pra ti, enquanto se minha vida estivesse desmoronando, ou morrendo, você, nem ligava. Obrigada por ter sido a "parte mais importante da amizade" - ou pelo menos, ter considerado-se de tal forma -, a parte mais suja, pois sabia que eu sempre iria jogar limpo. Você me fez crescer, mas não é por isso que dessa vez não vou te ouvir, nem mesmo dar-te um conselho também. Não espero que você ententa. É problema seu. Se vira.
Aliás, tu é o tipo de pessoa que nunca vai aprender a se virar, sempre haverá alguém ali, não pra você, porque você nunca vai aceitar essa pessoa. Seja ela quem for. Mas ela vai estar ali. Vai estar ali sempre esperando mais, ou pelo menos, alguma coisa de você. Mas você não vai retribuir, você não tá nem aí. Pra ti, a obrigação da pessoa é estar aí pra ti. Mas ela vai resolver teu problema. Esse único que tu vê, sim. O resto, o mais essencial, é invisível aos teus olhos, e tu nunca vai perceber. Mas essa pessoa não sou mais eu. Nunca será alguém assim pra sempre pra você. É perceptível pra quem quer ver. Apenas veja quantas pessoas já fizeram isso por ti. Mas teus problemas não irão findar-se, enquanto isso não acontecer e enquanto tu for assim, insistente em não ver.
Claro que não falei isso, também não vou falar, não cabe à mim isso.
Apenas desligo o telefone. Inclusive o tiro da tomada. Volto para um banho demorado, e dessa vez relaxante. Me jogo ao chão da sacada, recostada na parede. Dessa vez, o sol realmente se põe, com classe digna de um pôr-do-sol. Acendo um cigarro, e um incenso para dar um clima diferente na casa, trocando os ares. Ligo na vitrola o velho blues e me agarro na garrafa de vinho. E sem essa de ressaca moral.

And so it is.

Só o velho blues rolando na vitrola. Dessa vez, sentada no degrau para a sacada, vendo o que eu quero, não o que há. O sol tá se pondo, sim. Mas tá se pondo à minha maneira. Na real de qualquer um, apenas um céu nublado, sem graça. Um engarrafamento infernal e louco, de quem só quer chegar em casa logo, depois de um dia desgastante [ou não] no trabalho. Buzinas e sons entorpecedores. Para mim, o trânsito já não é caótico, pois ele não existe. As pessoas atravessam a pé esse cruzamento. Lá no fundo há colinas, um sol se pondo, deixando o céu rosa-alaranjado. Hpa dois helicópteros sobrevoando a área. E aqui, alguns cigarros no chão, meu chão se esfregando no meu violão, e a taça de vinho não terminada.
No fim das contas, a noite fica gostosa. Acabo por ir caminhas na praia, por horas. A areia entre meus dedos, e pinicando nas minhas pernas, devido à ventania, traz-me memórias de coisas que eu nem sei se um dia vivi. É mais fácil atirar-se na areia, tratando-a como tempo e deixar tudo de lado. Mas amanhece, talvez o nascer do sol por lá faça-me relaxar. Não sei se tenho muitas sensações. Amechece e eu ainda estou na praia. Chego em casa, rumo a um banho. E mais um dia. Telefone tocando, celular na mesma. É terça-feira, você tem que trabalhar.
Chegando na hora do almoço, com cara de quem tá com sarampo, o cheve até preocupado. Estou bem. Tanto faz. É mais um dia - que te causa um surto interno - naquela repartição. Ninguém tá lá realmente para trabalhar, a menos que, aquela seja a repartição da vida alheia, e eu não tenha percebido ao me candidatar à vaga.
A propósito, quando chego em casa, o telefone tocava. Tocava loucamente, convidando-me a atendê-lo. Deixo tocar. Só quero tomar um banho e relaxar. O mundo hoje pode explodir.
À menos que o telefone continue tocando desesperadamente nos próximos vinte minutos, enquanto você tenta relaxar no seu momento mas íntimo, te estressando mais um pouco, com a resistência de quem chama, te aclamando para que atenda.
Enrolo-me na toalha e atendo aquela porcaria.

[E por aqui, findo a primeira parte. Não quero que tenha muita ligação com a segunda. É outra história.]

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Só.

"Estar só vai além do movimento externo a nós, com este "só" é mais fácil de lidar. Mas quando o só é estar com a própria solidão escolhida, aí sim, é necessário responsabilidade e talento para ser dois ou mais, pois a solidão é um outro corpo dentro de nós."

Clarice Lispector.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Whatever [parte III]

Acordei cedo, após uma tremenda e gostosa noite. A moça ainda estava deitada, deixei. Levantei, fiz um café bem forte e bebi. Um pouco de cafeína é o melhor jeito de manter-se em pé. Enquanto bebia, compenetrado, apenas olhava para a fora através da janela da cozinha. Vejo o reflexo, apenas o reflexo da mulher - enrolada em um lençol - com quem eu havia passado a noite. Cabelos negros até o pescoço, pele branca, muito branca, o que em sã consciência, achei muito atraente. Ela havia pego um de meus cigarros e estava ali, escorada sensualmente na porta. Sua maquiagem estava borrada, seus cabelos despenteados. Apenas uma mão segurava o lençol em seu corpo, pelos seus seios. Estava chovendo, mas estava quente, muito quente. Ela disse que não iria embora com chuva e iria esperar o horário de seu compromisso.
-Tudo bem para você?
-Tudo... claro. - respondi.
Agora estou aqui, com uma mulher sexy em meu banheiro, cheio de tesão, terminando minha terceira xícara de café, e apesar de todo o tesão, sem vontade nenhuma de transar. Óbvio que o problema não é ela. Ela é gostosa. Pernas roliças, curvas bem feitas, seios proporcionais, e cheia de tesão também.
Me jogo na cama, enquanto ela se ajeita no banheiro. Ela é fantástica na cama, ainda lembro dessa noite.
Detalho tanto as mulheres, pois esta é a parte de relacionamentos da minha vida. Desde que deixei minha noiva, não tive mais nenhum relacionamento sério ou duradouro. Não tenho muita certeza, mas acho que é por opção. Mas eu não abro-me a ninguém. Ninguém pode dizer que me conhece. E mesmo que eu me abrisse, falasse o que passa por minha cabeça, cada profundidade de meu ser, duvido muito que teria alguma coisa mais séria com alguém. Não sei exatamente se preciso disso. Sinto-me bem com a vida incondicional que eu tenho tido.
Acabei por dormir meio a tantos pensamentos. A noite já caiu, a mulher já foi embora há algum tempo. De certa forma, não sinto muita falta desse tal sexo. Deixou um bilhete sobre a mesa da czinha, com seu telefone e um "me ligue". Lá, mais um telefone, para ser substituto. Asfixio o sexo meio a tudo o que acontece dentro de mim.
Vou tomar um café.

Whatever [parte II]

E sei exatamente como é se sentir velho. Tou atirado sobre esse sofá há dias, e tudo está virando rotina. Meu gato acaba de vomitar ao lado da televisão. Talvez ele não coma nada há tento tempo quanto eu. Pobre bixo. O uísque, a vodca, e a cerveja já terminaram. Só há copos e cigarros aqui na frente. Devo ter dormido pelo menos umas quinze horas e me sinto cansado e envelhecido. Apesar de o banheiro estar com cheiro de vômito, não lembro de ter vomitado. Passo um desinfetante, tomo um banho. Enquanto a áua corre sobre meu corpo - posso até sentir um tal desconforto. Um engano absurdo.Nada mais é intenso. Nem o tempo. Mas ele não pára. Não soube dar apenas os primeiros passos. Ele corre, como se precisasse fugir, e de um refúgio. - sinto meu cansaço renovar-se, o tempo passando e a velhice se instalando. Enxugo-me e nesse espaço para mim, o reflexo surge no espelho, por entre vapores da água que ainda circulam pelo banheiro. Desembaço o vidro do espelho com as mãos e a toalha atiro ao chão. Toda essa "carcaça" mudou, não é mais a mesma de um tempo atrás. Não tenho certeza de qual prefito. Estou mais velho, talvez mais usado, ou terminado. O corpo de um tempo atrás era mais puro, pele lisa e jovem. Mas não pertencia ao mesmo homem. A este.
O telefone está tocando, são meus amigos. Há um show local esta noite, velhos amigos. Tanto faz uma saída ou outra. Talvez seria bom abandonar por uma noite este apartamento. Está largado às traças mesmo comigo aqui.
...
O show foi bom, muito rock, rock das antigas. Estávamos numa galera enorme, uma pá de gente que eu não via há anos. Acabei conversando por horas com um baita parceiro meu, baterista de uma banda da qual já fiz parte, em um barzinho após o show - o cara contou-me histórias, muitas histórias, inclusive sobre como sua vida mudou - quem sabe algum dia penso em contá-las aqui.
Minha vida não mudou muito desde que abandonei a banda, e não temos mais convivido muito. Apenas passei por algumas experiências, que tornaram-me um homem mais maduro. Continuo vivendo como mais ou menos, uns dez anos atrás - até chegarem algumas mulheres à nossa mesa.

domingo, 16 de novembro de 2008

Whatever

Na conformidade de cada segundo "wasted", sem noção do que se considera tempo -da demora de tal- o ócio corrói-me em minhas veias. Toda a circulação sangüínea não é mais a mesma, e intensa. Resolvo finalmente, jogar este violão de lado, levantar-me deste velho sofá e desligar a droga da televisão. Antigamente as coisas eram melhores. Pago mensalmente minha televisão por assinatura, com direito a mais de duzentos canais. Nenhum sequer que faça-me sentir algum apreço por isso. Tanto faz também, se quer saber. Pego meu sobre tudo, enrolo o cachecol sobre o pescoço e vou à procura de uma noite um pouco menos depreciante.
Enfim, mízera quarta-feira. Logo em frente ao prédio, somente algumas putas profissionais marcando seus pontos, mortas de frio, sob minissaias e minishorts, blusinhas decotadas. Belos seios, aliás. Não preciso disto agora. Quem sabe outra hora.
Já há filas em algumas danceterias, muita canabis e algumas pastilhas coloridas. São apenas crianças. Divirtam-se.
Olho para essa cidade iluminada. Outdoors, todos os tipos de propaganda, de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. Em edifícios. Edífícios esses, cada vez maiores, pelos arranha-céus. Isso tudo já foi apenas um mízero monte de natureza. Matos, plantas, folhas.
Tanto faz também, não vou mudar. Não tou aqui pra isso. Entro na loja de conveniência - até hoje nunca descobri o motivo, mas essas pequenas lojinhas sempre me interessaram, me pareceram legais, muito mais convidativas e interessantes que qualquer outro hiper mega supermercado. - compro outra carteira de cigarro, enquanto fumo o último que tinha. Tá frio, tá realmente muito frio, mas devo admitir que isso relaxa, acalma e excita-me. Sigo andando, em cada beco há gente apanhando, agiotas, ou mesmo alguns caras fazendo putas trabalharem. E acredite, há becos por aqui.
Faz tanto frio, que já não sinto meus dedos ou lábios, é difícil controlar o cigarro. Todo movimento é intenso. Não quero voltar para casa esta noite, simplesmente quero amanhecer. Amanhecer mais uma noite, jogado à noite na rua. Sinto-me bem. E confortado. No meu lugar, fazendo o que pertence-me. Ou, ao menos, o que eu quero.
Entro naquela cafeteria 70's vazia, escolho algo do meu agrado na jukebox e sento-me na mesa ao lado da mesma. Dizem que café faz bem à saúde. Dane-se a saúde. Já bebeu café fumando cigarros? É aquele momento.
A garçonete é realmente muito atraente. Loura, cabelos ondulados aos ombros, seios naturais e firmes. A pele tem aquela textura de um pêssego. Não a toquei, mas esta é daquelas que você nota de longe. A cinturinha fina e delicada. Nem magra, nem gorda, sensual. A sua delicadeza e sutileza ao servir, e seu rebolado ao retornar deixam qualquer homem, por mais que hostil, maluco.
E deixo a noite esvairar-se por entre xícaras e alguns cigarros - ok, estou na terceira carteira - tal qual minha vontade. Horas surtando em pensamentos, horas somente com a música entrando e saindo de meus ouvidos. Já não sei quantas xícaras de café foram, mas sinto-me intenso. Intenso por completo. Minhas mãos tremem, mas eu não sinto vontade de parar. O sol daqui a pouco nascerá, mas é a indiferença que torna-me assim. Não preciso de nada para fazer, não há nada para ser feito. E assim, termino mais uma noite. Os olhos da garçonete, seu belo corpo e curvas, já me atraíram, e já se foram há algumas horas, com o fim de seu expediente.
Entre tanta intensidade, tremedeira, e confesso, devem estar pelo menos uns dez graus negativos, mas está escorrendo suor de minha face e pescoço. Estou realmente intenso, tomando rumo para casa. A cidade também está intensa. Todo o movimento de carros e pessoas. Pessoas rotinadas. Pessoas que levam a vida que nunca quis mas já levei.
Dois quarteirões antes de casa, num daqueles becos, gemidos. Gemidos femininos, naturais por lá. Apenas bato o olho. Uma das duas louras naquele beco, a bela garçonete.
Chego em casa, atiro-me no velho sofá novamente. Ligo a televisão, e mais um dia finda-se. Adormeço com a luz solar insistente em ratear em meus olhos, e com algum canal musical na televisão. Tanto faz também.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

ême

Às vezes é engraçado ficar pensando em toda a vida que tu deixa de viver. Há tanta coisa para ser aproveitada, são tantos dias simplesmente disperdiçados por bobeira. E esse fim de semana até foi bom pra pensar nisso. Não tenho certeza de onde ficam todos aqueles momentos perdidos, ou mesmo aqueles delirantes. E aqueles que você simplesmente descarta.
Não é questão de tédio, é ócio mesmo. Quando a ausência de algo útil está presente, já era. Tua cabeça começa a viajar, e toda essa perdição e delírio sai do teu controle.
Eu quero ter toda aquela liberdade, eu quero fazer da minha vida um filme. Eu quero me jogar em cada momento, sem pensar em conseqüências, eu sei, não é assim, mas quem nunca sonhou naquela vida perfeita, em que você curte loucamente cada desejo?
Eu não quero atirar meus desejos à sarjeta, ou apenas deixar com que a vida encarregue-se de todos eles, ou que tente me guiar. Meu livro não está escrito como eu quero, não há como negar.
Eu quero a solidão, eu escolho esta. Loucamente me sinto livre e insana, e é assim que eu quero pra mim.

Ócio

Tá, eu não postei e acho que nem vou postar o fim daquela história ali. Tanto faz. Pelo menos me rendeu uma boa nota em português. E pra mim isso é o que importa, no momento, entanto.
Então, sei lá, tá tudo meio abandonado, não só aqui, mas como na minha vida também, é o que parece pelo menos.
A coisa que eu mais tenho procurado ultimamente é a mim mesma. Mas é tão difícil encontrar-se. Mais difícil do que passar dias procurando algo que você precisa muito, e não sabe mais onde procurar. Parece uma procura que nunca terá fim. É uma procura muito mais demorada, em que sua única esperança é que no fim das contas tu te encontre.
É complicado.
Então, ultimamente tenho pensado muito no que eu ando fazendo, e o pior é que eu não tenho a mínima idéia. Meus pensamentos andam muito desordenados, já não consigo mais pensar em uma coisa só. A propósito, esse post nem era pra ser sobre isso, mas os pensamentos jogam-se um por cima do outro, e vira uma confusão. Já nem durmo direito. E agora, nesse horário de verão, as horas simplesmente parecem querer escapar entre os dedos feito areia.
Sim, a carência de fotos decentes nem precisa de comentários. Na verdade essa fui eu que tirei mesmo. Deve ter uns dois anos. E dá pra dizer que foi uma noite muito boa. Tipo cartão postal da cidade, e essa vista, é totalmente memorável em mim pra sempre.
Na verdade nem sei se eu tenho muita coisa a dizer.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Why so serious?


Sim, Joker me inspira.
A partir de hoje, vou ir postando uma história, cada dia um capítulo.
Nada que seja grande coisa, mas que dá pra passar o tempo.

Por que tão sério?
Capítulo I

Acho que a vida nunca foi fácil para mim. Acabei sendo o filho mais velho, ou seja, ao menos, na minha família, o filho que mais tinha de ceder qualquer coisa aos irmãos, sem nunca ganhar nada em troca, apenas ilusões de que um dia eu viria a crescer, deixando para trás meus quatro irmãos, trabalhar dignamente, ser alguém na vida, constituindo família.
Sempre que eu me frustrava, por conta de minha família, eu me afundava em tantas lástimas, no canto da parede do quarto, sentado na cama com os joelhos encostados ao peito. Ficava ali, talvez imaginando como seria meu futuro, talvez imaginando a vida em outros planetas, não recordo direito. Sei de uma época, em que eu deixei o canto de lado, pois tive de entender que teria de deixar para meus irmãos este também. Afinal, já nem havia mais sossego por lá. Comecei a me contentar apenas deixando-me deitar sobre o chão do pátio lá de casa, enquanto sempre a primeira lágrima corria do meu olho direito, sentindo-a na bochecha, e após caindo ao chão. E mal sabia eu, que ali estava prestes eu, a fazer meu futuro.
Caía a noite, vinha a lua, mas lembro dela mesmo, não de quando estava branca, mas daquela lua laranja, aquela lua nova perfeita, que pairava sob o céu enquanto escurecia. Depois, vinham as estrelas, umas brilhantes, outras nem tanto. Tantas constelações. Imaginava quantas delas poderiam ser planetas, quantas delas existiam. E quando pensava nos outros planetas, imaginava a vida fora da terra, com aqueles alienígenas e extraterrestres que a televisão nos fazia imaginar e criar dentro de nossas mentes.
O tempo foi passando, e conforme ia crescendo, eu comecei a escrever, cada dia escrevia mais, cada dia, uma experiência que imaginava ter com extraterrestres. Eram meus diários mais secretos, e depois de uns três anos, quando dezessete tinha eu, eu já tinha porções de cadernos inteiros, com tais imaginações escritas. Não sei se alguém já soubera deles, mas de uma coisa eu tinha certeza, nunca ninguém os tocou. Sentia-me bem, sabendo que ninguém jamais leria meus mais profundos pensamentos, minha imaginação mais liberada. Ficavam guardados em um caixote de madeira, sob minha cama.
Certo dia, estava esperando meu irmão caçula sair da aula. Esperava em frente à escola. Enquanto aguardava, aproveitava o tempo para ficar junto da menina de quem estava paquerando (afinal, as coisas não eram tão fáceis como hoje em dia, em que se “chega chegando” e beijo é dado em liquidações em praças públicas). Não estávamos sequer próximos, mas os olhares cruzados, as bochechas coradas, o coração a mil. Bom, aí meu irmãozinho chegou. Apesar do seu pequeno tamanho e idade, pode apostar que ele era um ser muito bem dotado de inteligência. Não preciso nem citar o fato de que tive que implorar para papai e mamãe não saberem. As coisas não eram fáceis assim pra mim, já que eu era o cara estranho da família, sempre no “mundo da lua”, pensando no futuro, ou mesmo, escrevendo por horas. Por um lado, mamãe e papai nunca souberam do episódio, mas hoje, lá no fundo do meu ser, eu desejo profundamente, com cada célula do meu ser, que o pequeno garoto tivesse falado.

Efe cinco

Bem, devo admitir que minha cabeça tava tão cheia de coisas até anteontem à noite, que dariam pelo menos uns três bons [cahãm] posts. Mas não estava em condições de fato sanas para isso, então, deixa pra lá.
Então, a professora pediu um texto de ficção pra amanhã. Pra ajudar um pouco, ficção é minha classe literária preferida [aham] e minha mente anda de tal forma, que pensar tá fácil, mas escrever tá complicado. Sei lá o que tá rolando.
Incapacidade [in]sana.
Enfim, pra variar, hoje não escrevi nada ainda, e é provável que também não escreva nada que preste, mas só pra dar uma atualizada né. Enfim.
E sim, tou sem imagens decentes/legais, daí restou esses esquis aí.
Bom, vou ler e pensar algumas coisas para o texto fictício. Não é muito fácil pra quem tem como paixão, a realidade.
Ah, em relação ao garoto virgem e seu site, acho que dispensa qualquer comentários. Não, não vou colocar o link aqui. Se quiser, joga no google/orkut. Ou, espera domingo que provavelmente ele aparecerá no fantástico, com as suas fantásticas matérias, cheias de conteúdos exclusivos.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Tão tal


Ando rabiscando
Através de linhas
Talvez procurando
Alguma perfeita sintonia

Sem rumo ou objetivo
Não esforça não agrada
Sei também não cativo
À procura de abrigo numa nova caçada

Ah se a volta não fosse tal
Seria a minha escolha
Mundo afora sem pensar em mal
Plastificada bolha

Dizem
Que o pior cego é o que não quer ver
Fazem
Tudo se torna elementar tal qual como ser

Aliv[ie]

Carregue recarregue
Mais um dia vivo
Mais um dia não vivido
Apenas rugas na face

O sofrimento
Culminante em cada célula
A resistência em cada artéria
Culpe culpe

Rabisco

Quero
Endereçar
escrever colar selar postar
Não

Não
Mera carta
Certos rabiscos
Em folha

Endereçar
Escrever colar selar postar-ME
Meu ser vida capacidade
Desligar voar desconectar interromper parar perder-me

Espaço não permite limitações
Boa viagem perdição
Endereçamento incorreto
Desfrute

Perda permita-se
Ilimite capacite-se
Induza o coma
Desligue

Enfim


EU ETIQUETA

Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que estar na moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comprazo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Resumia uma estética.
Hoje, sou costurado,
Sou tecido,
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.

Carlos Drumond de Andrade

Todo bimestre tem esse texto em alguma matéria da minha apostila. E, já que insiste tanto né. E, sinceramente, talvez o melhor texto já posto lá. Enfim.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Tri

Acho que só quem já se encontrou entre a razão o sentimento e o desejo, sabe como realmente é sentir-se assim.
É ter um dia, duas opções, duas possibilidades, dois desejos, um sentimento, duas pessoas, nenhum pecado [não acredito em pecado, ou ao menos que desejo seja um]. Nada tão inocente, mas duas escolhas, e não há somente uma a ser feita; porque você quer as duas.
Não é fácil. O desejo domina, mas a racionalidade o sentimento desperta tanto quanto o desejo na pele, no olhar, no sentir, no tocar. Não que o sentimento realmente seja a coisa mais racional, mas ao menos aparenta. Você sabe que é aquela pessoa, você reconhece o sentimento, sabe que o entendimento é completo, que todas as peças se encaixam, e que você é feliz a partir daí. Mas você quer também o desejo, cair na tentação, desfrutar do 'proibido', do 'errado', como preferir denominá-lo. Afinal, é uma das mais gostosas experiências, não? Afinal, como diz o velho ditado adotado atualmente "proibido é bem melhor, perigoso é divertido". Era assim com nossos tataravós, bisavós, avós, com nossos pais, e será assim com nós, nossos filhos, bisnetos, tataranetos e por aí vai. E vai ser sempre a opção que deixará dúvidas, e a mais gostosa.
Não que de fato esteja 'proibido' isto, mas são as condições em que a situação se encontra. Não posso optar pelo desejo, sabendo que a parte racional emocional de mim sabe o que quer, enquanto o desejo despreza qualquer certeza. E não posso optar pelo sentimento, por essa 'razão', se ainda quero desfrutar do desejo.
Triângulos não funcionam na vida real, definitivamente. Mas, se alguém tiver uma dica, será bem vinda. =]

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

À ti


Isso, vai, pode me criticar o quanto você puder, siga em frente, pois sabe, eu sou capaz de suportar.
Pode criticar, pode falar, pode abusar de um ser humano apenas com palavras, ou em um mortal silêncio. Sabe por quê que eu não me importo? Porque eu sei que você não tem a mínima noção do que é o sentimento de não ter crescido de acordo com os planos de alguém. Porque eu sei que você não sabe o quanto isso dói, e te corrói terminantemente por dentro. Então, pode falar e humilhar o quanto quiser sabe. Eu já nem ligo, porque isso nem se compara com qualquer outra coisa que eu sinto, e não vai ser isso que vai me colocar debaixo de seus sapatos. Talvez por algumas horas, enquanto as lágrimas já não escorrem mais [porque depois de um bom tempo elas se escassam, e precisa de muita coisa para fazê-las brotá-las novamente]. E pode humilhar, porque ontem deu pra ver em suas lágrimas a consciência da solidão que você carrega dentro de si, e que o perseguirá vida a dentro. São só três anos, e tu tem consciência disso. Por um lado, senti que algo me apertou lá dentro ao ter a confirmação do que eu previa que tu sente. Por outro, ocorreu aquele sentimento de libertação, sabe? Aquela coisa boa. Aquele prazer, por mais que estar certa, mas por ver que a vida é totalmente justa. Quem planta amargura simplesmente colhe solidão, e a prova mais concreta disso, é você. É o seu presente, que a cada dia torna-se o seu futuro.
Tenho certeza que o dia que tu descobrir esse blog, talvez terá certeza que essas coisas que está lendo são para você, e eu não nego. Você tem consciência de tudo o que está fazendo.
Ah, outra coisa. Me desculpa por não ter crescido de acordo com todos os seus planos, por muitas vezes não compreender as tuas insanidades, por não ser a pessoa perfeita, menos ainda aquela aluna dez na escola, aquela garotinha amável que todos adoram, aquela garota totalmente bonita, dentro dos padrões, e que não confronta ninguém, que não tem mentalidade e vive em um mundo cor-de-rosa. Desculpa mesmo por ter consciência, maturidade, e por não querer ser hipócrita como o resto de toda essa sociedade odiosa.
Mas saiba que toda essa sua desaprovação, a tua perda de controle, só me faz crescer cada dia mais, me faz ver que a vida é realmente perfeita. Ela é planejada em cada mínimo detalhe, e que é isso que vale à pena. A cada desafio, a cada vitória, a cada derrota, cada sentimento, um pensamento, e mais um pouco de conhecimento e maturidade para a coleção.
E o bom de tudo isso, é que quando começa-se a compreender essas coisas, pode levar tempo, mas um dia você compreende, é que quanto mais você cresce ali dentro, mais você quer crescer. É como cada capítulo de um livro, cada cena de um filme, cada disco de uma coleção. Você devora, você coleciona, e cada vez quer mais. E você aprende que por mais cansativo e insuportável que isso seja, isso é necessário, e muito gratificante.
Portanto, obrigada por um lado, por ser alguém tão rude, amargurado, fora de si e desnaturado por tantas vezes. Obrigada por muitas vezes eu sequer poder confiar em você. Isso me fez crescer de uma forma incrível. De forma que tipo assim, apesar de tudo, tu é um herói pra mim sim. Não vou negar. Queria tanto poder te dar um abraço agora, se tu não fosse o rejeitar, ou se eu pelo menos não tivesse esse medo.
Mas obrigada por fazer com que eu amadureça e abra os olhos para a vida ali fora. Isso é mais importante pra mim do que tu pode imaginar. Agora eu sei que a minha independência só depende de mim mesma.
Mais uma vez, desculpa por não ter crescido da maneira que tu planejou, por ser tão imperfeita, e por te desapontar diariamente.
Mas apesar de qualquer ódio ou dor que eu sinta lá dentro, o meu sentimento mais profundo por ti sempre será o de orgulho, por estar na tua vida, ou por tu ter estado na minha, e de amor, aquele amor mais especial de todos, aquele amor que nunca tem fim. Aquele amor no qual você pode matar a cidade inteira, mas tu vai ser sempre aquela pessoa pela qual eu vou ter admiração e o mais puro e sincero amor. Porque esse é pra sempre, e pra mim é incondicional, por mais que o seu pareça tão incondicional, diariamente, em relação à mim.
E desculpa pelas lágrimas que te fiz derramar ontem, mas aquele é o futuro que eu quero pra mim. Não posso ficar presa à isso pra sempre. Mas sempre estarei do seu lado, sendo o seu bem maior, querendo o seu próprio bem. Por favor, dê valor à quem ainda está com você, e ao que essas pessoas dizem. Elas não estão tão erradas assim.
Eu te amo, desculpa por tantas decepções, por tantos silêncios. Mas é pra sempre.